{"id":19929,"date":"2019-02-04T23:17:24","date_gmt":"2019-02-04T23:17:24","guid":{"rendered":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=19929"},"modified":"2019-02-04T23:30:19","modified_gmt":"2019-02-04T23:30:19","slug":"a-chuva-e-o-mourao","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/a-chuva-e-o-mourao\/","title":{"rendered":"A chuva e o mour\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Em plagas de Moro no Pa\u00eds Tropical que um dia foi aben\u00e7oado por Deus e hoje &#8211; apesar das barbaridades que lhe impinge o capitalismo predador e est\u00fapido \u2013 continua bonito por natureza, a metr\u00f3pole mais pujante amanheceu ca\u00f3tica por causa das chuvas de ver\u00e3o.<\/p>\n<p>Como sempre, a cidade entupida de carros travou nas principais vias expressas.<\/p>\n<p>Expressas?<\/p>\n<p>Nunca, quando chove.<\/p>\n<p><strong>&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Enquanto isso, no Patropi, queir\u00f3zes, laranjas e fl\u00e1vios safam-se ainda inc\u00f3lumes do olho grande da Justi\u00e7a no exato dia que se anuncia um pacot\u00e3o de medidas contra o crime organizado \u2013 e a corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Agora vai&#8230;<\/p>\n<p>Do jeito dos novos-velhos senhores do Poder, mas vai.<\/p>\n<p><strong>&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Pra onde?<\/p>\n<p>Ainda \u00e9 arriscado dizer.<\/p>\n<p>Mas, o que \u00e9 a vida sen\u00e3o o correr riscos?<\/p>\n<p>Sei, mas n\u00e3o precisavam exagerar?<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que se sustentam?<\/p>\n<p>Ainda uma pergunta sem resposta.<\/p>\n<p><strong>&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>S\u00fabita curiosidade me envolve.<\/p>\n<p>Porque tanto falam de mour\u00e3o?<\/p>\n<p>O termo n\u00e3o \u00e9 novo.<\/p>\n<p>Mas, s\u00f3 agora, me parece, ganha popularidade.<\/p>\n<p>Vou ao dicion\u00e1rio, procuro entender o significado da palavra.<\/p>\n<p>De repente, me bateu uma d\u00favida assim, como direi, angustiante.<\/p>\n<p>O Michaelis On Line, no estilo, tenta esclarecer:<\/p>\n<p>\u201cQualquer vara, esteio ou estaca de sustenta\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Fico mais tranquilo.<\/p>\n<p>Ou n\u00e3o?<\/p>\n<p>Continuo a desconfiar do que est\u00e1 por vir.<\/p>\n<p><strong>II.<\/strong><\/p>\n<p>Sobre chuva e transtornos na \u201cTerra\u201d que um dia foi \u201cda Garoa\u201d, por incr\u00edvel que pare\u00e7a, tenho v\u00e1rias lembran\u00e7as. Algumas boas, inesquec\u00edveis, acreditem; outras, nem tanto \u2013 ali\u00e1s, creio, como a maioria dos moradores locais.<\/p>\n<p>Duas delas \u2013 as primeiras, creio &#8211; envolvem a minha mais tenra inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p><strong>&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Garoto ainda, morava na rua Muniz de Souza no Cambuci e, por duas vezes, nossa casa &#8211; a de n\u00famero 420 que ainda resiste altaneira por l\u00e1, rodeada de pr\u00e9dios &#8211; foi tomada pelas \u00e1guas.<\/p>\n<p>Na primeira, eu devia ter tr\u00eas ou quatro anos, e me deixaram a salvo sobre o tampo de uma grande mesa de madeira. Toda a fam\u00edlia esperou, por ali, as \u00e1guas baixarem.<\/p>\n<p>N\u00e3o lembro, mas contam-me: foi um horror.<\/p>\n<p>Passado o pico das cheia, fomos todos buscar abrigo e passar uma temporada na casa do v\u00f4 Carlito e da v\u00f3 Ign\u00eas.<\/p>\n<p>S\u00f3 deixamos a vira-lata Branquinha que, naquela altura do p\u00f3s-enchente, estava marronzinha de barro e lodo.<\/p>\n<p>Foi a guardi\u00e3 da casa.<\/p>\n<p><strong>&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Na segunda vez que houve a enchente, eu estava no Grupo Escolar Oscar Thompson.<\/p>\n<p>Choveu forte e quando, na sa\u00edda das aulas, eu vi que o Tio Neno &#8211; e n\u00e3o a minha m\u00e3e &#8211; viera me buscar, entendi que o problema havia se repetido.<\/p>\n<p>Outra temporada na casa dos av\u00f3s &#8211; e a certeza de que a sina permaneceria por longos anos.<\/p>\n<p>A Branquinha\/Marronzinha desta vez se espiantou. Deu fuga.<\/p>\n<p>(Odiava tomar banho, \u00e1gua s\u00f3 na vasilha e pra beber.)<\/p>\n<p>S\u00f3 voltou uma semana depois quando a casa est\u00e1 limpinha \u2013 e ela era um negrume s\u00f3.<\/p>\n<p>(Precisou juntar uma turma pra conseguir lavar a bichinha.)<\/p>\n<p><strong>&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Isso foi na d\u00e9cada de 50.<\/p>\n<p>Passaram governantes de todos os matizes pol\u00edticos e ideol\u00f3gico, houve grandes avan\u00e7os de estrutura e tecnologia, promessas e mais promessas de vereadores, deputados e quetais, todas v\u00e3s, como vimos hoje.<\/p>\n<p>Bastou chover &#8211; e o drama ressurge.<\/p>\n<p>Olai\u00e1&#8230;<\/p>\n<p>S\u00f3 falta agora culparem S\u00e3o Pedro, como fez em tempos idos um em\u00e9rito prefeito paulistano.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/5h4G11qEy9M\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em plagas de Moro no Pa\u00eds Tropical que um dia foi aben\u00e7oado por Deus e hoje &#8211; apesar das barbaridades que lhe impinge o capitalismo predador e est\u00fapido \u2013 continua bonito por natureza,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":19930,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-19929","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19929","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19929"}],"version-history":[{"count":3,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19929\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19933,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19929\/revisions\/19933"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/19930"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19929"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19929"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19929"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}