{"id":19964,"date":"2019-02-09T13:52:02","date_gmt":"2019-02-09T13:52:02","guid":{"rendered":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=19964"},"modified":"2019-02-09T13:58:31","modified_gmt":"2019-02-09T13:58:31","slug":"a-atriz-o-general-e-nos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/a-atriz-o-general-e-nos\/","title":{"rendered":"A atriz, o general e n\u00f3s"},"content":{"rendered":"<p>Dina Sfat foi uma atriz \u00fanica.<\/p>\n<p>Como dizia, o Z\u00e9 Jofre, na velha reda\u00e7\u00e3o, uma atriz \u201cna acep\u00e7\u00e3o do termo\u201d.<\/p>\n<p>Dedicad\u00edssima \u00e0 profiss\u00e3o e aos valores sociais que sugere a arte de representar.<\/p>\n<p>Fez dos palcos e das telas, a miss\u00e3o de sua curta exist\u00eancia (1938\/1989).<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Uma mulher rara, extraordin\u00e1ria.<\/p>\n<p>Atuante, porta voz do seu tempo.<\/p>\n<p>Aos tempos da redemocratiza\u00e7\u00e3o, participou de um renomado programa de televis\u00e3o, como entrevistadora. No centro da roda, o general Dilermando Monteiro, ex-comandante do II Ex\u00e9rcito, um homem mais aberto aos novos rumos que se vislumbravam para o pa\u00eds, mas mesmo assim um general a servi\u00e7o do ent\u00e3o governo do general-presidente Jo\u00e3o Figueiredo.<\/p>\n<p><strong>&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Enquanto os jornalistas presentes se enredavam em longas e difusas quest\u00f5es (que o militar respondia at\u00e9 com ares de simpatia), Dina n\u00e3o sabia bem o que fazia ali, como representante da classe teatral.<\/p>\n<p>Permaneceu calada, olhar profundo, atento aos desv\u00e3os das respostas.<\/p>\n<p>Como poderia extravasar o sentimento nacional com a sinceridade plena do que sentia naquele precioso momento?<\/p>\n<p><strong>&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Entendeu que nos representava. Em cena aberta, ao vivo, para milh\u00f5es de brasileiros aflitos diante da telinha.<\/p>\n<p>Quase ao final do programa, quando lhe deram a palavra, disse apenas uma frase:<\/p>\n<p>\u201cEu tenho medo de generais.\u201d<\/p>\n<p><strong>&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Foi um baque \u2013 o que salvou o programa do marasmo das perguntas mornas.<\/p>\n<p>A repercuss\u00e3o se fez enorme.<\/p>\n<p>Dias depois ao comentar sua participa\u00e7\u00e3o no programa \u00e0 jornalista Maria Helena Dutra, explicou:<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o sou l\u00edder, n\u00e3o sou pol\u00edtica, n\u00e3o posso me arvorar a falar pelo povo, quando tenho consci\u00eancia de que vivo uma vida diferente, podendo me permitir muito mais do que a maioria das pessoas. Digamos que sou uma testemunha do meu tempo, uma testemunha que de repente manifesta com gestos e palavras o que as pessoas sentem. Sentir medo sozinha \u00e9 angustiante &#8211; e se algu\u00e9m, diante das c\u00e2meras e ao entrevistar um general, diz que tem medo, isso age como uma v\u00e1lvula de escape. As pessoas aliviam as tens\u00f5es, refletindo melhor sobre esse medo coletivo.<\/p>\n<p><strong>&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Hoje, nossos medos v\u00e3o al\u00e9m e aqu\u00e9m dos generais.<\/p>\n<p>Preciso dar exemplos?<\/p>\n<p>Olhe ao redor.<\/p>\n<p>Veja o notici\u00e1rio.<\/p>\n<p>Reflita.<\/p>\n<p>Tememos o futuro, somos complacentes \u2013 e algo parvos \u2013 diante das trag\u00e9dias que nos abatem a cada nova manh\u00e3 [que, ali\u00e1s, parecem sempre a mesma].<\/p>\n<p>Vivemos assim:<\/p>\n<p>\u2018T\u00e1 ruim, mas est\u00e1 bom.\u2019<\/p>\n<p><strong>&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Esperamos o grito de alerta.<\/p>\n<p>Mas, e se ele n\u00e3o vier?<\/p>\n<p>E se vier e, surdos, ouvidos tapados, fizermos quest\u00e3o de n\u00e3o ouvi-lo?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Q4UFG-XL3iU\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p><em><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19966 alignleft\" src=\"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/dina1.jpg\" alt=\"\" width=\"180\" height=\"279\" srcset=\"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/dina1.jpg 180w, http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/dina1-170x263.jpg 170w\" sizes=\"auto, (max-width: 180px) 100vw, 180px\" \/>* Terminei de ler recentemente <\/em><em>o livro <\/em>Dina Sfat \u2013 Palmas pra que te quero<em>, <\/em><em>editado pela N\u00f3rdica, em 1988. De autoria da pr\u00f3pria Dina Sfat e da jornalista Mara Caballero.\u00a0 <\/em><\/p>\n<p><em>Encontrei-o num sebo perto de casa.\u00a0 <\/em><\/p>\n<p><em>Saudades daquele Brasil, das nossas utopias e sonhos.\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Foto: Dina e as filhas (arquivo pessoal da atriz).<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dina Sfat foi uma atriz \u00fanica.<\/p>\n<p>Como dizia, o Z\u00e9 Jofre, na velha reda\u00e7\u00e3o, uma atriz \u201cna acep\u00e7\u00e3o do termo\u201d.<\/p>\n<p>Dedicad\u00edssima \u00e0 profiss\u00e3o e aos valores sociais que sugere a arte de representar.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":19965,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-19964","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19964","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19964"}],"version-history":[{"count":4,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19964\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19970,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19964\/revisions\/19970"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/19965"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19964"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19964"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19964"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}