{"id":19993,"date":"2019-02-13T13:26:49","date_gmt":"2019-02-13T13:26:49","guid":{"rendered":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=19993"},"modified":"2019-02-13T13:37:06","modified_gmt":"2019-02-13T13:37:06","slug":"banks-e-a-eternidade","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/banks-e-a-eternidade\/","title":{"rendered":"Banks e a eternidade"},"content":{"rendered":"<p>Jornais do mundo todo repercutem, com a devida import\u00e2ncia, a morte de Gordon Banks, aos 81 anos.<\/p>\n<p>Goleiro da sele\u00e7\u00e3o da Inglaterra campe\u00e3 do mundo em 1966, Banks foi considerado um dos maiores goleiros de todos os tempos. Merecidamente.<\/p>\n<p>Numa dessas pesquisas que publica\u00e7\u00f5es esportivas adoram fazer, o ingl\u00eas ficou em segundo lugar entre \u201cmelhores goleiros do s\u00e9culo 20\u201d. Atr\u00e1s de outra lenda, o russo Lev Ivanovich Yashin, o Aranha Negra.<\/p>\n<p><strong>&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Vou lhes contar porque, bem sabem os meus am\u00e1veis cinco ou seis leitores, n\u00e3o sou de guardar segredos.<\/p>\n<p>Banks, Yashin e o uruguaio Mazurkievisky eram os goleiros mais afamados da minha adolesc\u00eancia\/juventude. Entre os anos 60 at\u00e9 a Copa de 70.<\/p>\n<p>Fal\u00e1vamos maravilhas deles. Insuper\u00e1veis.<\/p>\n<p><strong>&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o que, por aqui, n\u00e3o existissem grandes e renomados goleiros. Gilmar, Castilho, Manga, S\u00e9rgio Valentim, Pomp\u00e9ia, Ari, Valdir Joaquim de Moraes, F\u00e9lix, entre outros tantos e tamanhos.<\/p>\n<p>No fim da d\u00e9cada de 60 surgiram dois garotos considerados fen\u00f4menos pela cr\u00f4nica esportiva local: Ado, no Corinthians, e Le\u00e3o, no Palmeiras. Ambos, foram reservas de F\u00e9lix na Copa de 70, a primeira transmitida diretamente pela TV para o Brasil.<\/p>\n<p>Tinham 20, 21 anos, se tanto.<\/p>\n<p><strong>&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>A Copa de 70.<\/p>\n<p>Eis o marco, creio, que me permite a divaga\u00e7\u00e3o que se segue.<\/p>\n<p>\u00c0 \u00e9poca \u2013 e ainda hoje desconfio que \u00e9 assim -, fal\u00e1vamos mais por falar \u2013 ou melhor, por ouvir falar.<\/p>\n<p>N\u00f3s, os apaixonados pelo Planeta Bola, viv\u00edamos mais da nossa imagina\u00e7\u00e3o do que propriamente dos fatos que testemunh\u00e1vamos em campo.<\/p>\n<p>Mal e mal, t\u00ednhamos rudimentares (e m\u00e1gicas e po\u00e9ticas) formas de nos inteirarmos do que acontecia dentro das quatro linhas: as not\u00edcias dos jornais ilustradas com fotos em preto e branco, as narra\u00e7\u00f5es esportivas repleta de firulas e imagens aleg\u00f3ricas das grandes (e nem t\u00e3o grandes) jogadas e o Canal 100, cinejornal esportivo que antecedia \u00e0s sess\u00f5es de cinema (que, ali\u00e1s, s\u00f3 nos trazia, e magnificamente, imagens do campeonato carioca. Vez ou outra, uma partida do Rio\/S\u00e3o Paulo, sempre que o jogo fosse no Rio de Janeiro).<\/p>\n<p><strong>&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Outras possibilidades eram as precar\u00edssimas transmiss\u00f5es pela TV de partidas regionais (ao vivo ou em tape, uma por semana) ou, privil\u00e9gio dos privil\u00e9gios, se pud\u00e9ssemos ir ao est\u00e1dio ver a partida \u2013 e a\u00ed, sim, elabor\u00e1vamos, n\u00f3s mesmos, a narrativa bem pessoal dos jogos para os amigos e conhecidos.<\/p>\n<p>Val\u00edamo-nos muito mais da nossa imagina\u00e7\u00e3o (e simpatias) do que daquilo que realmente acontecera em campo.<\/p>\n<p>O Planeta Bola \u00e9, quase sempre, apaixonante.<\/p>\n<p><strong>&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Yashin enfrentou a sele\u00e7\u00e3o brasileira na Copa de 58. Nada p\u00f4de fazer diante da inusitada revela\u00e7\u00e3o de Garrincha e Pel\u00e9. Na de 70, aos 37 anos, era reserva na equipe da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. Ainda hoje \u00e9 citado entre os melhores do mundo.<\/p>\n<p>Mazurkievisky veio jogar no Atl\u00e9tico Mineiro depois do Mundial do M\u00e9xico \u2013 e, confesso, perdeu um pouco de prest\u00edgio na turma. Mas, entrou para a hist\u00f3ria pelo drible de corpo que levou de Pel\u00e9, num dos gols perdidos mais lindos registrados pelos anais das Copas.<\/p>\n<p>Banks, como todos sabem, at\u00e9 os Mbuti da \u00c1frica, ainda hoje \u2013 e sempre \u2013 ser\u00e1 reverenciado pela \u201cpela defesa do s\u00e9culo\u201d, protagonizada na mesma Copa de 70, ao tirar a bola de cima da linha do gol ap\u00f3s um cabe\u00e7ada do Rei do Futebol.<\/p>\n<p>Um desses estilha\u00e7os de eternidade que s\u00f3 o melhor do esporte pode nos proporcionar.<\/p>\n<p>Acompanhe:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Hzfg0QCYoS0\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/kQ_PJBQs3nY\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jornais do mundo todo repercutem, com a devida import\u00e2ncia, a morte de Gordon Banks, aos 81 anos.<\/p>\n<p>Goleiro da sele\u00e7\u00e3o da Inglaterra campe\u00e3 do mundo em 1966, Banks foi considerado um dos maiores goleiros de todos os tempos.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":19994,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-19993","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19993","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19993"}],"version-history":[{"count":3,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19993\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19998,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19993\/revisions\/19998"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/19994"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19993"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19993"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19993"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}