{"id":20138,"date":"2019-03-12T03:29:42","date_gmt":"2019-03-12T03:29:42","guid":{"rendered":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=20138"},"modified":"2019-03-12T03:38:44","modified_gmt":"2019-03-12T03:38:44","slug":"coutinho-e-demetrius","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/coutinho-e-demetrius\/","title":{"rendered":"Coutinho e Dem\u00e9trius"},"content":{"rendered":"<h6><em>(Foto: Pedro Ernesto Guerra Azevedo\/ Santos FC)<\/em><\/h6>\n<p><strong>&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Meu caro Poeta<\/p>\n<p>Meus raros leitores&#8230;<\/p>\n<p>Havia me comprometido que hoje ainda conversar\u00edamos na esteira do post de ontem.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, e hoje tristemente existe um por\u00e9m, sou obrigado a adiar o nosso papo para fazer o registro e lamentar o falecimento, nesta segunda, de duas personalidades que foram marcantes na minha inf\u00e2ncia e \u2013 por que n\u00e3o? \u2013 na minha forma\u00e7\u00e3o como inveterado sonhador: o cantor Dem\u00e9trius e o craque Coutinho, o imbat\u00edvel parceiro de Pel\u00e9.<\/p>\n<p>Entendam!<\/p>\n<p>Not\u00edcias como essas me quebram a alma. Tenho vontade de me isolar num canto da casa e, ali, ficar. Eu e minhas lembran\u00e7as.<\/p>\n<p>Meu apelido era Tchinim, mas me imaginava um roqueiro famoso, assim como o Dem\u00e9trius. Quando n\u00e3o, era um craque de bola, um artilheiro que, como Coutinho, jogaria ao lado de Pel\u00e9 nas sele\u00e7\u00f5es paulista e brasileira.<\/p>\n<p>Como os amigos podem ver, desde crian\u00e7a tenho uma tend\u00eancia a ficar imaginando coisas.<\/p>\n<p>Olai\u00e1.<\/p>\n<p><strong>&#8230;<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-20139 alignleft\" src=\"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/dem\u00e9trius.jpg\" alt=\"\" width=\"224\" height=\"252\" \/>Dem\u00e9trius foi um dos pioneiros do rock no Brasil. Veio antes da Jovem Guarda. Ao lado de Ronnie Cord, dos manos Toni e Celi Campelo, de S\u00e9rgio Murilo, Wilson Miranda e Carlos Gonzaga, abriu e pavimentou o caminho para o posterior e retumbante sucesso de Roberto, Erasmo &amp; Cia.<\/p>\n<p>Antes deles, Dem\u00e9trius enfileirou sucessos como \u201cCorina\u201d, \u201cRock do Saci\u201d e a eterna \u201cRitmo da Chuva\u201d que ainda hoje, quase 60 anos depois, toca aqui e ali.<\/p>\n<p>Era o Elvis brasileiro \u2013 todos se diziam, mas acho que foi ele quem chegou mais perto. Com seu impec\u00e1vel topete, voz empostada e pinta de gal\u00e3.<\/p>\n<p>Ainda emplacou um sucesso tardio, mais para o fim dos anos 60 \u2013 \u201cEu N\u00e3o Presto Mas Eu Te Amo\u201d, de autoria de Roberto Carlos \u2013 e depois desapareceu dos holofotes.<\/p>\n<p>Dem\u00e9trius tinha 76 anos.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/lKsV0K58VPs\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p><strong>&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Coutinho foi o camisa 9 da mais incr\u00edvel linha de atacantes do futebol de todos os tempos \u2013 Dorval, Mengalvio, Coutinho, Pel\u00e9 e Pepe.<\/p>\n<p>Era um assombro v\u00ea-los em campo. Um del\u00edrio.<\/p>\n<p>N\u00f3s, os garotos suburbanos da rua Muniz de Souza (no Cambuci) \u00edamos a todos os jogos do Sant\u00e1stico (aquele, sim) quando a partida era no Pacaembu (menor de 12 anos n\u00e3o pagava entrada).<\/p>\n<p>O mais curioso \u00e9 que n\u00e3o havia, entre n\u00f3s, nenhum torcedor do Santos. Palmeirenses, corintianos, s\u00e3o-paulinos e at\u00e9 o Andr\u00e9, torcedor da Lusa, queriam mesmo era ver Pel\u00e9 e Coutinho em campo, infernizando a vida dos advers\u00e1rios com tabelinhas inesperadas e gols preciosos.<\/p>\n<p>Quer\u00edamos mesmo ver de perto \u2013 e aprender.<\/p>\n<p>No dia seguinte, no campinho da rua Pia\u00ed ou no barranc\u00e3o do Jardim da Aclima\u00e7\u00e3o, em pegados rachas, tent\u00e1vamos em v\u00e3o imit\u00e1-los.<\/p>\n<p>Eram outros tempos, \u00e9 verdade. No est\u00e1dio, fic\u00e1vamos todos juntos nas arquibancadas e, dentro das quatro linhas, o futebol brasileiro era fonte de encantamento e arte.<\/p>\n<p>Perder ou ganhar n\u00e3o importava. Valia a festa!<\/p>\n<p>Inesquec\u00edvel Coutinho, morreu aos 74 anos.<\/p>\n<p><strong>&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Tantos anos depois tento preservar \u2013 para o bem e para o mal \u2013 a tend\u00eancia de ficar imaginando coisas. Pelo adiantado da hora, talvez n\u00e3o devesse. De qualquer forma, hoje, ao reviver essas doces lembran\u00e7as, o garoto Tchinim n\u00e3o devaneou. Diria que se sentiu ao desamparo e bem mais solit\u00e1rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/DmkaQQPTjdc\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><em>(Foto: Pedro Ernesto Guerra Azevedo\/ Santos FC)<\/em><\/p>\n<p><strong>&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Meu caro Poeta<\/p>\n<p>Meus raros leitores&#8230;<\/p>\n<p>Havia me comprometido que hoje ainda conversar\u00edamos na esteira do post de ontem.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":20140,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-20138","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20138","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20138"}],"version-history":[{"count":3,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20138\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20143,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20138\/revisions\/20143"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/20140"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20138"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20138"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20138"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}