{"id":20214,"date":"2019-03-24T04:18:55","date_gmt":"2019-03-24T04:18:55","guid":{"rendered":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=20214"},"modified":"2019-03-24T04:39:27","modified_gmt":"2019-03-24T04:39:27","slug":"outro-dos-meus-cinco-ou-seis-leitores","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/outro-dos-meus-cinco-ou-seis-leitores\/","title":{"rendered":"Outro dos meus cinco ou seis leitores"},"content":{"rendered":"<p>O amigo Marceleza reaparece.<\/p>\n<p>Diz que &#8220;um par\u00e7a \u00e9 pr\u2019outro&#8221; e est\u00e1 comigo \u201cno que for preciso\u201d.<\/p>\n<p>&#8211; Que mist\u00e9rio \u00e9 esse do autor desconhecido?<\/p>\n<p>Conhe\u00e7o o pimp\u00e3o, sei que \u00e9 um gozador.<\/p>\n<p>Me preparo para o jogo jogado:<\/p>\n<p>&#8211; Vai me ajudar a encontrar\u00a0 o protagonista da s\u00e9rie de cr\u00f4nicas que chamei <em>de Um dos meus cinco ou seis leitores <\/em>que venho postando desde quinta-feira?<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o \u00e9 bem isso, merm\u00e3o. Desencana. Quero mesmo \u00e9 lhe contar uma hist\u00f3ria apropriada ao momento. Voc\u00ea j\u00e1 ouviu falar de um escritor de nome Graham Greene? \u00c9 das antigas&#8230;<\/p>\n<p>Deduzi que seria zoado, e na maior.<\/p>\n<p>Mas o que fazer?<\/p>\n<p>Marceleza \u00e9 um caro amigo \u2013 e outro dos meus cinco ou seis leitores.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 escapat\u00f3ria.<\/p>\n<p>Com a palavra o Marceleza \u2013 e sua incr\u00edvel &#8216;livre adapta\u00e7\u00e3o&#8217; de uma narrativa do jornalista e escritor ingl\u00eas (1904\/1991), autor de romances como <em>O Poder e a Gl\u00f3ria, Fim de Caso, O Cora\u00e7\u00e3o da Mat\u00e9ria<\/em>, entre outros.<\/p>\n<p><strong>&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Fala que eu te escuto, Marceleza:<\/p>\n<p><strong><em>H\u00e1 um conto<\/em><\/strong><em> do Sir GG que \u00e9 a saga de um espi\u00e3o deslocado para Cuba nos anos 50, quando as for\u00e7as rebeldes, lideradas por Fidel, se aproximavam da ent\u00e3o Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. <\/em><\/p>\n<p><em>O Servi\u00e7o de Intelig\u00eancia da Inglaterra suspeitava que ali, em segredo, se fabricava uma bomba at\u00f4mica sob o patroc\u00ednio dos russos.<\/em><\/p>\n<p><em>Esta era sua miss\u00e3o. <\/em><\/p>\n<p><em>Deveria investigar e fazer relatos semanais sobre o tema.<\/em><\/p>\n<p><strong><em>O nosso 007<\/em><\/strong><em> chegou a Havana \u2013 e logo se deu ao desfrute. \u00c0quela \u00e9poca, como a hist\u00f3ria registra, Cuba era, digamos, o encantado parque de divers\u00e3o dos turistas americanos endinheirados que bordelavam por l\u00e1 em cassinos, cabar\u00e9s, bares, restaurantes e cong\u00eaneres.<\/em><\/p>\n<p><em>Bebidinhas e mais bebidinhas, mulheres e mais mulheres e muita rumba.<\/em><\/p>\n<p><em>Um desfrute ao qual o James Bond de araque se entregou por inteiro. De corpo e alma. Mais corpo do que alma, entenda-se.<\/em><\/p>\n<p><em>E vamos que vamos!<\/em><\/p>\n<p><strong><em>Passada algumas semanas<\/em><\/strong><em>, o inevit\u00e1vel aconteceu. <\/em><\/p>\n<p><em>A chefia de Londres cobrou-lhe a presta\u00e7\u00e3o de contas. E o gajo nada havia apurado \u2013 e, na boa, nem sequer estava no barato de faz\u00ea-lo.<\/em><\/p>\n<p><em>Matutava uma solu\u00e7\u00e3o para esticar sua estada naquele para\u00edso quando, da janela do hotel, viu passar um caminh\u00e3o que mal se arrastava pela rua. <\/em><\/p>\n<p><em>Olha a coincid\u00eancia!<\/em><\/p>\n<p><em>A mo\u00e7a da limpeza havia esquecido um aspirador de p\u00f3, despinguelado, daqueles antigos no seu quarto.<\/em><\/p>\n<p><em>Ele juntou o l\u00e9 com o cr\u00e9.<\/em><\/p>\n<p><strong><em>Se era um relat\u00f3rio<\/em><\/strong><em> que queriam, cumpra-se a ordem superior!<\/em><\/p>\n<p><em>Come\u00e7ou dizendo que as investiga\u00e7\u00f5es estavam bastante adiantadas. Descobriu que semanalmente um caminh\u00e3o sa\u00eda do porto, cortava a cidade com destino incerto e n\u00e3o sabido. <\/em><\/p>\n<p><em>Carregava estranhos maquin\u00e1rios. <\/em><\/p>\n<p><em>Numa de suas buscas, teve acesso ao mostrengo que tinha a seguinte forma&#8230;<\/em><\/p>\n<p><em>Da\u00ed em diante, o cara de pau passou a descrever as pe\u00e7as que comp\u00f5em o aspirador de p\u00f3. Fez at\u00e9 um croqui em dimens\u00f5es reduzidas do que lhe parecia ser o objeto de sua miss\u00e3o. <\/em><\/p>\n<p><em>Semanalmente, ele encaminhava outro relato. Com as suas inomin\u00e1veis suspeitas e d\u00e1-lhe croqui de outras partes do eletrodom\u00e9stico.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<strong>Ao cabo de dois ou tr\u00eas meses<\/strong>, chegou uma carta do Servi\u00e7o Intelig\u00eancia com o timbre de urg\u00eancia urgent\u00edssima. <\/em><\/p>\n<p><em>Parabenizava-o pelas s\u00f3lidas descobertas. <\/em><\/p>\n<p><em>E mais.<\/em><\/p>\n<p><em>A partir de suas instru\u00e7\u00f5es nos desenhos, haviam montado, num enorme galp\u00e3o nos arredores de Londres, uma r\u00e9plica da usina nuclear russa\/cubana que ele descobrira. Seria condecorado por isso, inclusive.<\/em><\/p>\n<p><strong><em>Tinha forma<\/em><\/strong><em> de um gigantesco aspirador de p\u00f3. <\/em><\/p>\n<p><em>Parecia ser uma m\u00e1quina exterminadora muito poderosa.<\/em><\/p>\n<p><em>Os sovi\u00e9ticos \u2013 diziam as autoridades inglesas \u2013 \u201cest\u00e3o num est\u00e1gio bem mais adiantado do que n\u00f3s\u201d.<\/em><\/p>\n<p><em>&#8211; Por isso, \u00e9 melhor n\u00e3o provoc\u00e1-los. \u00a0<\/em><em>Sua miss\u00e3o est\u00e1 encerrada. <\/em><em>Regresse no primeiro voo.<\/em><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/T2JnyCuAQMg\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<h6><em><strong>Foto: arquivo pessoal<\/strong><\/em><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O amigo Marceleza reaparece.<\/p>\n<p>Diz que &#8220;um par\u00e7a \u00e9 pr\u2019outro&#8221; e est\u00e1 comigo \u201cno que for preciso\u201d.<\/p>\n<p>&#8211; Que mist\u00e9rio \u00e9 esse do autor desconhecido?<\/p>\n<p>Conhe\u00e7o o pimp\u00e3o,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":20215,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-20214","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20214","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20214"}],"version-history":[{"count":6,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20214\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20221,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20214\/revisions\/20221"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/20215"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20214"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20214"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20214"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}