{"id":20377,"date":"2019-04-17T05:07:44","date_gmt":"2019-04-17T05:07:44","guid":{"rendered":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=20377"},"modified":"2019-09-11T18:54:53","modified_gmt":"2019-09-11T18:54:53","slug":"o-amigo-do-amigo-do-pai","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/o-amigo-do-amigo-do-pai\/","title":{"rendered":"O amigo do amigo do pai"},"content":{"rendered":"<p>O amigo do amigo do pai chamava-se Felipo.<\/p>\n<p>Ele era parente do Sr. Orlando, este sim amig\u00e3o do peito e de farras do Velho Aldo.<\/p>\n<p>Novo no bairro e no pa\u00eds, a italianada barulhenta do Bar Ast\u00f3ria n\u00e3o perdoou: logo o apelidou de Dom Felipo.<\/p>\n<p>Nas rodas dos finais de semana, quando a turma se reunia para o tradicional jogo de Patr\u00e3o e Sotto, a vers\u00e3o que corria dizia que Dom Felipo chegara a pouco de N\u00e1poles e alguns apostavam que logo logo o homem voltaria para a Velha Bota.<\/p>\n<p>&#8211; Sto amando il Brasile, ele respondia em tom de protesto.<\/p>\n<p>Os mais debochados \u2013 o pai, entre eles &#8211; provocavam que, se ficasse, seria por dois motivos: as tecel\u00e3s das f\u00e1bricas de tecidos das imedia\u00e7\u00f5es do Largo do Cambuci e o futebol brasileiro, esplendoroso naquele in\u00edcio dos anos 60.<\/p>\n<p><strong>&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Se verdadeira ou n\u00e3o a afei\u00e7\u00e3o peas lindas mo\u00e7as que subiam e desciam a rua Lavap\u00e9s nas idas e vindas ao trabalho, n\u00e3o sei. Mas, dali das portas do Ast\u00f3ria, tinha-se um belo posto de observa\u00e7\u00e3o para eventuais olhares e flertes.<\/p>\n<p>De outro modo, sempre soube que Dom Felipo era palmeirense por \u00f3bvios motivos. Por\u00e9m, gostava mesmo era ver jogar o tima\u00e7o do Santos de Pel\u00e9, Coutinho &amp; Cia.<\/p>\n<p>Podia l\u00e1 ter fei\u00e7\u00f5es e at\u00e9 o jeito de andar, mas bobo, bobo, Dom Felipo n\u00e3o era.<\/p>\n<p><strong>&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Lembro que numa tarde de s\u00e1bado o Santos jogaria no Pacaembu n\u00e3o sei exatamente contra quem.<\/p>\n<p>Eu devia ter uns 10, 11 anos, se tanto.<\/p>\n<p>Fui com Dom Felipo ver o futebol. O pai autorizou.<\/p>\n<p>Os garotos entravam de gra\u00e7a desde que acompanhado com um adulto respons\u00e1vel.<\/p>\n<p>N\u00e3o foi exatamente o nosso caso.<\/p>\n<p><strong>&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Explico o motivo.<\/p>\n<p>Dom Felipo havia comprado ingresso mais barato, para arquibancada normal. Amea\u00e7ava chover, e o tal resolveu invadir \u2013 isso mesmo, invadir \u2013 as numeradas cobertas do Pacaembu.<\/p>\n<p>Por causa do<em> bambino<\/em> aqui.<\/p>\n<p>Pode?<\/p>\n<p><strong>&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Na verdade, n\u00e3o \u00e9ramos os \u00fanicos.<\/p>\n<p>Havia um tumulto junto ao gradil. Uns 20 ou 30 torcedores for\u00e7avam o port\u00e3o de entrada junto \u00e0s pontudas lan\u00e7as de ferro que separavam as duas alas.<\/p>\n<p>Alguns, mais \u00e1geis, conseguiram pular a cerca \u2013 e logo se escafederam entre as cadeiras ainda vagas.<\/p>\n<p>Dom Felipo resolveu fazer o mesmo. Antes, por\u00e9m, me al\u00e7ou sobre os ombros e pediu para outros torcedores que me apanhassem do outro lado.<\/p>\n<p>Saco de batata, manjam?<\/p>\n<p>Foi como me senti.<\/p>\n<p>Em seguida, saltou tamb\u00e9m.<\/p>\n<p><strong>&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Assisti \u00e0 partida de olho nos policiais que em seguida chegaram e dispersaram os invasores retardat\u00e1rios.<\/p>\n<p>Minha humilde e atarantada conclus\u00e3o: o italiano j\u00e1 estava devidamente aculturado \u00e0s mazelas desses tr\u00f3picos.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o passei a olhar com desconfian\u00e7a &#8211; e \u00e0 dist\u00e2ncia &#8211;\u00a0 o amigo do amigo do pai. Que mais tarde, eu soube, voltou para a querida\u00a0 It\u00e1lia, de bra\u00e7os dados com uma vi\u00e7osa brasileira &#8211; n\u00e3o sei se exatamente uma tecel\u00e3.<\/p>\n<p><strong>II.<\/strong><\/p>\n<p>Vi no telejornal da TV que h\u00e1 um &#8216;amigo do amigo do pai&#8217; solto na pra\u00e7a.<\/p>\n<p>O homem \u00e9 poderoso.<\/p>\n<p>Mandou censurar uma revista, tirar um site do ar e est\u00e1 \u00e0 procura de quem falou coisinhas dele por a\u00ed.<\/p>\n<p>Nunca soube que Dom Felipo tenha voltado ao Brasil.<\/p>\n<p>Ser\u00e1?<\/p>\n<p>De qualquer forma, esclare\u00e7o logo que nada tenho a ver com essas escaramu\u00e7as.<\/p>\n<p>Juro, e meus am\u00e1veis cinco ou seis leitores est\u00e3o de prova, \u00e9 a primeira vez que conto essa hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Nem pro pai, eu contei \u00e0 \u00e9poca.<\/p>\n<p>O Ald\u00e3o era homem s\u00e9rio, de responsa.<\/p>\n<p><strong>III.<\/strong><\/p>\n<p>Mudo de assunto.<\/p>\n<p>Olhem que legal!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/EfL7mwdGZIo\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O amigo do amigo do pai chamava-se Felipo.<\/p>\n<p>Ele era parente do Sr. Orlando, este sim amig\u00e3o do peito e de farras do Velho Aldo.<\/p>\n<p>Novo no bairro e no pa\u00eds,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":19814,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[148,90,75,145,147,146],"class_list":["post-20377","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-ben-jor","tag-cronica","tag-futebol","tag-o-amigo-do-amigo-do-pai","tag-pele","tag-santos"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20377","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20377"}],"version-history":[{"count":9,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20377\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":21269,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20377\/revisions\/21269"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/19814"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20377"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20377"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20377"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}