{"id":20483,"date":"2019-05-04T09:55:53","date_gmt":"2019-05-04T09:55:53","guid":{"rendered":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=20483"},"modified":"2019-05-04T17:13:38","modified_gmt":"2019-05-04T17:13:38","slug":"a-confraria","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/a-confraria\/","title":{"rendered":"A Confraria dos Inesquec\u00edveis"},"content":{"rendered":"<h6><em><strong>Foto: J\u00f4 Rabelo<\/strong><\/em><\/h6>\n<p><strong>&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9ramos quatro ou cinco. Quase sempre.<\/p>\n<p>Qu\u00f3rum m\u00ednimo: Almir, Nasci, Manoelino (Man\u00e9), Made e eu.<\/p>\n<p>Havia um sexto elemento que n\u00e3o era t\u00e3o ass\u00edduo, mas sempre que podia dava o ar da gra\u00e7a: o Maur\u00edcio de Castro, nosso quase prefeito de S\u00e3o Bernardo do Campo.<\/p>\n<p>Era um amigo mais do que querido.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Digamos que esse era o n\u00facleo da nada secreta Confraria que se reunia, dia sim e outro tamb\u00e9m, naquele boteco na esquina das ruas Bom Pastor e\u00a0 Greenfeld, onde o Sacom\u00e3 torce o rabo e o \u00f4nibus Ponto F\u00e1brica\/Pinheiros range e bufa ao fazer a curva para seguir sua \u00e9pica jornada.<\/p>\n<p>O ent\u00e3o vereador Almir Guimar\u00e3es era o gr\u00e3o-mestre.<\/p>\n<p>Nasci, o gr\u00e3o-vizir.<\/p>\n<p>N\u00f3s outros form\u00e1vamos os confrades, membros efetivos e vital\u00edcios.<\/p>\n<p>Havia outros. Muitos. Os tempor\u00e1rios, e bisextos. Tento lembrar alguns: Durval, Alfredinho, Cebola, Juquinha, Aristides, Escova, J\u00fanior, entre outros. At\u00e9 o vereador de S\u00e3o Bernardo, Ari de Oliveira, vez ou outro, batia ponto entre n\u00f3s.<\/p>\n<p><strong>&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Nossas imprevis\u00edveis reuni\u00f5es podiam come\u00e7ar \u00e0 luz do dia, mas era inevit\u00e1vel que se prolongassem noite adentro. Sem qualquer previs\u00e3o para terminar.<\/p>\n<p>Daquele improvisado quartel-general, part\u00edamos, j\u00e1 etilicamente amaciados, para prospectar outros horizontes. O universo de bares e restaurantes de Sampa.<\/p>\n<p>As noites eram curtas, breves.<\/p>\n<p>Sab\u00edamos onde e quando come\u00e7avam; nunca onde, quando e como poderiam acabar.<\/p>\n<p><strong>&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Havia uma regra \u00fanica, r\u00edgida: nada de tristezas. At\u00e9 porque mesmo as poss\u00edveis desilus\u00f5es nossas de cada dia, se ca\u00edssem na boca santa da rapaziada, viravam piada, deboche e motivo para outra e mais outra rodada.<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel, hoje, falar de um encantamento solto no ar.<\/p>\n<p>Seriam os ventos da redemocratiza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds naquele in\u00edcio dos anos 80?<\/p>\n<p>Seria uma quest\u00e3o cultural, de uma era privilegiada na m\u00fasica, no teatro, nas artes e nos encontros em geral?<\/p>\n<p>Ou talvez porque fossemos relativamente jovens e inconsequentes?<\/p>\n<p>Ou ainda porque acredit\u00e1vamos no sonho que se sonha junto e se faz realidade?<\/p>\n<p>N\u00e3o sei.<\/p>\n<p>Nunca saberemos.<\/p>\n<p><strong>&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Quer\u00edamos viver.<\/p>\n<p>E assim faz\u00edamos na vida real. Porque trabalh\u00e1vamos muito \u2013 e sequer perceb\u00edamos. Eu mesmo fiquei 16 anos sem f\u00e9rias, e n\u00e3o me dei conta. Pois, havia aquele espa\u00e7o m\u00e1gico, l\u00fadico, que era nosso onde cultiv\u00e1vamos aventuras brejeiras (que hoje s\u00e3o doces lembran\u00e7as) e abastec\u00edamos o grande portal da Humanidade com o mais nobre dos sentimentos: a amizade.<\/p>\n<p><strong>&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Recordo-me de um fim de tarde que sa\u00edmos do boteco (onde hoje se posta imponente a esta\u00e7\u00e3o Sacom\u00e3 do metr\u00f4) e fomos direto para a Churrascaria Esteio, ali, pertinho entre os viadutos do complexo vi\u00e1rio Escola de Engenharia Mackenzie.<\/p>\n<p>Estava s\u00f3 a alta c\u00fapula. A diretoria. A saber, e repetindo: Almir, Nasci, Made, Man\u00e9, o Maur\u00edcio e eu. Talvez, o Tonh\u00e3o, o motorista do Almir, n\u00e3o lembro.<\/p>\n<p>Chegamos e nos aboletamos nas poltronas ao redor de duas ou tr\u00eas mesinhas do acolhedor bar do restaurante. T\u00e3o acolhedor que ningu\u00e9m ousou sair dali e se arvorar no rod\u00edzio.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei precisar quantas horas permanecemos ali, cientes da nossa fun\u00e7\u00e3o maior: resolver os problemas do Brasil e do mundo s\u00f3 no convers\u00ea.<\/p>\n<p>Sei que acabamos com o estoque de por\u00e7\u00e3o de cora\u00e7\u00e3ozinho de frango para equilibrar a beberica\u00e7\u00e3o que, como de praxe, foi intensa.<\/p>\n<p><strong>&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>\u00c0 sa\u00edda, \u00f3bvio que fomos os \u00faltimos a deixar o estabelecimento, topamos com um dos gar\u00e7ons horrorizado, com a nossa faina:<\/p>\n<p>&#8212; \u00d4 turminha da pesada, hein! Vamos ter que repor o chopp pro fim de semana. Acho que s\u00f3 de cora\u00e7\u00e3ozinho de frango foram consumidas 10 por\u00e7\u00f5es, de 15 a 20 unidades&#8230;<\/p>\n<p>Devidamente calibrado pelo halterocopismo, bateu um s\u00fabito arrependimento na sacrossanta ingenuidade do Manoelino:<\/p>\n<p>&#8212; Jesus, que matan\u00e7a n\u00f3s provocamos!<\/p>\n<p><strong>&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Hoje, l\u00e1 se v\u00e3o trinta e muitos anos, h\u00e1 uma doce nostalgia em lembrar esse tempo. Repito Neruda e modestamente digo:<\/p>\n<p>Confesso que vivi.<\/p>\n<p>Sobre aquela a turma? Bem&#8230; tivemos alguns desoladores desfalques.<\/p>\n<p>Por isso, e tudo o mais, agora eu s\u00f3 a chamo de a Confraria dos Inesquec\u00edveis.<\/p>\n<p><strong>&#8230;<\/strong><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Ag4KNjg4d-I\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p><em>Trilha sonora daqueles memor\u00e1veis idos e vividos, a cargo do gr\u00e3o-mestre Almir: o repert\u00f3rio rom\u00e2ntico de J\u00falio Iglesias, a quem os membros da Confraria chamavam de Julinho, o arrasa cora\u00e7\u00f5es. <\/em><\/p>\n<p><em>\u00c0s vezes, tu; \u00e0s vezes, eu&#8230; Quase sempre n\u00f3s!<\/em><\/p>\n<h6><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><em><strong>Foto: J\u00f4 Rabelo<\/strong><\/em><\/p>\n<p><strong>&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9ramos quatro ou cinco. Quase sempre.<\/p>\n<p>Qu\u00f3rum m\u00ednimo: Almir, Nasci, Manoelino (Man\u00e9), Made e eu.<\/p>\n<p>Havia um sexto elemento que n\u00e3o era t\u00e3o ass\u00edduo,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":20489,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[217,211,216,218,138,135,215,219],"class_list":["post-20483","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-a-confraria","tag-almir-guimaraes","tag-amigos","tag-anos-80","tag-boteco","tag-memoria","tag-nasci","tag-redemocratizacao"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20483","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20483"}],"version-history":[{"count":7,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20483\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20492,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20483\/revisions\/20492"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/20489"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20483"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20483"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20483"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}