{"id":20729,"date":"2019-06-08T15:40:17","date_gmt":"2019-06-08T15:40:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=20729"},"modified":"2019-06-08T15:45:11","modified_gmt":"2019-06-08T15:45:11","slug":"minha-esoterica-favorita","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/minha-esoterica-favorita\/","title":{"rendered":"Minha esot\u00e9rica favorita"},"content":{"rendered":"<p>Solange K. era uma sensitiva a quem recorria todas as vezes que o Alfeu (ou seria Alceu?), editor da Ag\u00eancia Estado, me passava uma pauta amalucada com previs\u00f5es, mudan\u00e7a do ano astral, \u00a0quem \u00e9 quem no hor\u00f3scopo chin\u00eas, entre outros badulaques, transcendentais.<\/p>\n<p>Eu gostava, n\u00e3o vou negar, n\u00e3o. At\u00e9 me divertia.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do que, reportagens de comportamento, o pessoal gosta de ler, se identifica e, diria at\u00e9, se acha um tantinho especial, fora da caixinha do lugar comum.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 ou \u00e9?<\/p>\n<p><strong>&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>A Solange era do bem. Minha esot\u00e9rica favorita. Jogava b\u00fazios, fazia mapa astral, baixava o tarot, cercava esse tal de futuro de todo o jeito.<\/p>\n<p>Nunca questionei seus dons e poderes.<\/p>\n<p>Falava coisas maneiras, apostava no ser humano e dizia que, por pior que fosse o momento, haveria sempre \u201cuma nobre raz\u00e3o para tudo aquilo\u201d.<\/p>\n<p><strong>&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Muitas vezes, recomendei uma visita \u00e0 Solange quando vi que alguns amigos se enroscavam com as futricas do cotidiano que, vamos combinar, por vezes, pesam a m\u00e3o sobre nossos v\u00e3os destinos. D\u00f3em mais do que pisada de elefante.<\/p>\n<p>Ela tinha a palavra certa pro gajo, ao menos, tirar um dos p\u00e9s do lama\u00e7al, voltar a acreditar e botar um sorriso, mesmo que t\u00edmido, esqu\u00e1lido, no rosto.<\/p>\n<p>Grande Solange.<\/p>\n<p>Os caras at\u00e9 me agradeciam.<\/p>\n<p>Verdade.<\/p>\n<p>Nunca ningu\u00e9m reclamou.<\/p>\n<p><strong>&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Em certa ocasi\u00e3o, procurei a Sra. K para uma pauta qualquer, n\u00e3o lembro.<\/p>\n<p>O Alceu (ou seria Alfeu?) era muito criativo. Achava meandros no al\u00e9m para o rep\u00f3rter fustigar e desenvolver.<\/p>\n<p><em>O que ser\u00e1 do amanh\u00e3<\/em><\/p>\n<p><em>Responda quem puder<\/em><\/p>\n<p><em>O que ira me acontecer<\/em><\/p>\n<p><em>O meu destino ser\u00e1 o que Deus quiser<\/em><\/p>\n<p><strong>&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>L\u00e1 fui eu para a casa rosa onde ela morava e atendia na Vila Mariana.<\/p>\n<p>Foi sol\u00edcita, como de costume.<\/p>\n<p>Eu que fui um incauto, falastr\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Antes da entrevista propriamente dita, fiz uma pose e lhe disse, para impressionar, que planejava fazer o Caminho de Santiago de Compostela que era modinha \u00e0 \u00e9poca entre os descolados.<\/p>\n<p>Pensei que fosse receber um elogio, um incentivo.<\/p>\n<p>Ganhei uma sonora reprimenda.<\/p>\n<p>&#8211; Pra qu\u00ea?<\/p>\n<p>&#8211; Como assim? \u2013 respondi surpreso.<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o precisa.<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o precisa?<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o?<\/p>\n<p>&#8211; Voc\u00ea ter\u00e1 uma longa caminhada pela frente, mas aqui mesmo. Montanhas, vales, obst\u00e1culos, tempo bom, tempo ruim, voc\u00ea far\u00e1 a travessia por aqui mesmo. Sem sair do pr\u00f3prio cotidiano.<\/p>\n<p><strong>&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Fiquei confuso.<\/p>\n<p>Imaginem minha express\u00e3o apatetada.<\/p>\n<p>S\u00f3 soube dizer:<\/p>\n<p>&#8211; H\u00e3h\u00e3&#8230;<\/p>\n<p>Mesmo assim, inteiramente desconcertado.<\/p>\n<p>&#8211; Voc\u00ea vive um tempo de transi\u00e7\u00e3o, de mudan\u00e7a. \u00c9 necess\u00e1rio. Seja o que for o que lhe acontecer, seja aut\u00eantico. Seja voc\u00ea mesmo, sempre. E siga em frente. Sempre. Passar\u00e1.<\/p>\n<p><strong>&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Olai\u00e1.<\/p>\n<p>Que sacode!<\/p>\n<p>Tratei de come\u00e7ar logo a entrevista para a reportagem.<\/p>\n<p>N\u00e3o quis me apoquentar com prov\u00e1veis aporrinha\u00e7\u00f5es futuras.<\/p>\n<p>Desbaratinei da viagem.<\/p>\n<p>E passei a usar, no dia a dia, os confort\u00e1veis pares de meias de l\u00e3, car\u00e9simas, que havia comprado especialmente para a \u00e9pica jornada.<\/p>\n<p><strong>&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Sabem que Dona Solange tinha raz\u00e3o.<\/p>\n<p>Fiquei por aqui \u2013 e, aos trancos e barrancos, segui em frente.<\/p>\n<p>\u00c9 da vida e dos amores.<\/p>\n<p>Aprendam!<\/p>\n<p>N\u00e3o sou esot\u00e9rico, mas tenho l\u00e1 os meus dons&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ucCiv1WOeqg\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<h6><em><strong>Foto: site Aqueles Que Viajam<\/strong><\/em><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Solange K. era uma sensitiva a quem recorria todas as vezes que o Alfeu (ou seria Alceu?), editor da Ag\u00eancia Estado, me passava uma pauta amalucada com previs\u00f5es, mudan\u00e7a do ano astral, \u00a0<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":20730,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[338,341,342,340,339,318],"class_list":["post-20729","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-caminho-de-santiago","tag-esoterico","tag-previsoes","tag-santiago-de-compostela","tag-solange-k","tag-viagem"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20729","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20729"}],"version-history":[{"count":3,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20729\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20733,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20729\/revisions\/20733"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/20730"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20729"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20729"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20729"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}