{"id":20798,"date":"2019-06-17T14:43:04","date_gmt":"2019-06-17T14:43:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=20798"},"modified":"2019-06-17T16:29:29","modified_gmt":"2019-06-17T16:29:29","slug":"um-breve-conto-de-amor-e-fe","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/um-breve-conto-de-amor-e-fe\/","title":{"rendered":"Um breve conto de amor e f\u00e9"},"content":{"rendered":"<p>Iracema, a que voou para a Am\u00e9rica, \u00e9 mam\u00e3e de primeira viagem.<\/p>\n<p>Espanta-se diante daquela garotinha faminta que acabara de gerar, dois dias antes.<\/p>\n<p>Sente que finalmente descobrira o verdadeiro milagre da vida.<\/p>\n<p><strong>&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Com alguma impaci\u00eancia, aguarda a alta da maternidade. Como qualquer pessoa, tem pressa em voltar para casa.<\/p>\n<p>Retomar o cotidiano.<\/p>\n<p>D\u00e1-se conta que tem um novo tempo que se abre \u00e0 sua frente.<\/p>\n<p>Um tempo de luz, de b\u00ean\u00e7\u00e3os e&#8230; desafios.<\/p>\n<p><strong>&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Agradece aos C\u00e9us por tudo.<\/p>\n<p>S\u00f3 uma quest\u00e3o a incomoda \u2013 e lhe tira a paz.<\/p>\n<p>Todos os horm\u00f4nios que andavam a milh\u00e3o a amparar a cria\u00e7\u00e3o daquela vidinha encantada, agora, se acalmam e tratam de retomar o ritmo natural, o ritmo de antes.<\/p>\n<p>O que a deixa, muitas vezes, confusa, insegura.<\/p>\n<p>Pois n\u00e3o existe mais o tempo do \u201cantes\u201d.<\/p>\n<p>Como ser\u00e1, pergunta-se.<\/p>\n<p><strong>&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m do que a amamenta\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre dolorida, dif\u00edcil, com sangramentos.<\/p>\n<p>A menina chora muito.<\/p>\n<p>Iracema, mais ainda&#8230;<\/p>\n<p>Est\u00e1 s\u00f3 \u2013 ela e a garota \u2013 em plagas distantes.<\/p>\n<p>N\u00e3o sabe bem o que fazer, a quem recorrer.<\/p>\n<p>Faz uma ora\u00e7\u00e3o silenciosa.<\/p>\n<p>Mas, n\u00e3o se resigna.<\/p>\n<p><strong>&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Pensa no melhor para o beb\u00ea.<\/p>\n<p>Decide.<\/p>\n<p>Chama a enfermeira de plant\u00e3o, e diz:<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o estou conseguindo alimentar minha filha. N\u00e3o quero que ela sofra, acabou de nascer. Por favor, providencie leite para ela, uma mamadeira. Eu desisto.<\/p>\n<p>Iracema fecha os olhos, em pranto.<\/p>\n<p>E reza baixinho.<\/p>\n<p><strong>&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>A enfermeira sai \u2013 e volta, minutos depois. Sem o leite, com a crian\u00e7a. Tamb\u00e9m a acompanha outra enfermeira, com uniforme algo diferente, azulado, e com um jeito de quem j\u00e1 assistira \u00e0quela cena muitas e muitas vezes.<\/p>\n<p>Dito e feito.<\/p>\n<p>Enquanto, desnorteada, Iracema toma a crian\u00e7a no colo, a senhorinha chega-se pr\u00f3xima \u00e0 cama, estende um dos bra\u00e7os sobre os ombros da jovem mam\u00e3e desesperada \u2013 e lhe diz com voz apaziguadora e firme:<\/p>\n<p>&#8211; Minha filha, se algum dia tiver que desistir de algo, n\u00e3o o fa\u00e7a num dia ruim. As chances de se arrepender ser\u00e3o bem maiores. N\u00e3o tire esse direito da sua filha e nem de voc\u00ea. Amamentar \u00e9 um dom que lhe pr\u00f3xima do divino, uma gra\u00e7a. Tenha f\u00e9.<\/p>\n<p><strong>&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Iracema aceita o conselho.<\/p>\n<p>A crian\u00e7a mama tranquilamente.<\/p>\n<p>E assim \u00e9 da\u00ed pra diante.<\/p>\n<p><strong>&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>No dia seguinte, em paz consigo mesmo e com a vida que renascera, Iracema tem alta.<\/p>\n<p>Antes de sair, por\u00e9m, quer agradecer \u00e0 senhora de jaleco azulado. Procura informar-se sobre ela, mas ningu\u00e9m, ali, sabe lhe dizer quem \u00e9.<\/p>\n<p>A pr\u00f3pria enfermeira de plant\u00e3o diz que estava sozinha quando lhe entregou o beb\u00ea para a mamada da tarde. Que tamb\u00e9m estranhou quando tudo se dera de forma t\u00e3o tranquila e o tom azulado da luz dos raios de luz que entravam pela janela e iluminavam o quarto naqueles momentos.<\/p>\n<p><strong>&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>\u201cFoi a melhor coisa que fiz\u201d, recorda-se ainda hoje.<\/p>\n<p>&#8211; Mist\u00e9rio, eu lhe digo.<\/p>\n<p>&#8211; Milagre, ela me corrige tantos e tantos anos depois.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/AqrpGN96OCo\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<h6><em><strong>Foto: An\u00edsio Assun\u00e7\u00e3o\/igreja Imaculada Concei\u00e7\u00e3o, no Ipiranga<\/strong><\/em><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Iracema, a que voou para a Am\u00e9rica, \u00e9 mam\u00e3e de primeira viagem.<\/p>\n<p>Espanta-se diante daquela garotinha faminta que acabara de gerar, dois dias antes.<\/p>\n<p>Sente que finalmente descobrira o verdadeiro milagre da vida.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":18915,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[394,391,392,393],"class_list":["post-20798","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-conto","tag-iracema","tag-maternidade","tag-milagre"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20798","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20798"}],"version-history":[{"count":4,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20798\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20802,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20798\/revisions\/20802"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18915"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20798"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20798"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20798"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}