{"id":21890,"date":"2020-01-16T18:48:40","date_gmt":"2020-01-16T18:48:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=21890"},"modified":"2020-01-17T00:19:41","modified_gmt":"2020-01-17T00:19:41","slug":"saber-agradecer-e-que-e","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/saber-agradecer-e-que-e\/","title":{"rendered":"Saber agradecer \u00e9 que \u00e9&#8230;"},"content":{"rendered":"<h6><em><strong>Foto: Arquivo Pessoal<\/strong><\/em><\/h6>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>L\u00e1 vem o Brasil descendo a ladeira&#8230;<\/p>\n<p>Vem atr\u00e1s de uma carriola de madeira onde se avolumam diversos tipos de verduras para vender na \u201cvila de S\u00e3o Jos\u00e9 do Barreiro\u201d.<\/p>\n<p>A prop\u00f3sito, esclare\u00e7o que a ladeira n\u00e3o passa mesmo de uma estradinha de terra batida que une a pequena cidade \u00e0s maravilhas da Serra da Bocaina, com cachoeiras, rios, vales, montanhas, resqu\u00edcios da fauna e flora da Mata Atl\u00e2ntica que resiste \u00e0 a\u00e7\u00e3o do homem e do tempo.<\/p>\n<p>Parece-me feliz este Brasil aqui representado pela senhora, de idade incerta e n\u00e3o sabida, trajes simples e sorriso que lhe estampa o rosto ao me dar o costumeiro \u201cbom dia\u201d.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Costumo fazer brev\u00edssimas caminhadas por aqueles recantos. Nada al\u00e9m de umas centenas de metros.<\/p>\n<p>Por favor, n\u00e3o me entendam como atleta que fui e n\u00e3o sou mais.<\/p>\n<p>Vale mais para exercitar a mente e dar uma leve movimentada no corpo.<\/p>\n<p>De resto, o importante \u00e9 espairecer, deixar o pensamento solto; quase uma rever\u00eancia \u00e0s tantas gra\u00e7as recebidas \u2013 inclusive, a de estar ali.<\/p>\n<p>Assim nos tornamos conhecidos, eu e a senhora que vende verduras e que, no ritmo dos pr\u00f3prios passos, parece entoar baixinho um intermitente mantra.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Numa dessas manh\u00e3s, tomo coragem e pergunto \u00e0 senhorinha que cantilena \u00e9 aquela que, todos os dias, repete num quase sussurrar.<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o \u00e9 m\u00fasica, n\u00e3o, senhor. \u00c9 uma reza para santa Rita de C\u00e1ssia que \u00e9 de minha devo\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Fico curioso.<\/p>\n<p>Ela ent\u00e3o me pergunta se conhe\u00e7o a imagem de Santa Rita que est\u00e1 na matriz da cidade.<\/p>\n<p>&#8211; Vixi, que coisa mais bonita, mo\u00e7o. Minha f\u00e9 nasceu dela. Rezo pela santinha na ida e na volta. Faz companhia pra minha solid\u00e3o. Se encontro a igreja aberta, vou l\u00e1 e pe\u00e7o a b\u00ean\u00e7\u00e3o antes de voltar pro meu ranchinho l\u00e1 pras ribanceiras da Bocaina.<\/p>\n<p>&#8211; Sabe, mo\u00e7o, pedir a gente pede, pois est\u00e1 sempre precisando de uma coisinha aqui, outra ali. Mas, saber agradecer \u00e9 que \u00e9 uma maravilha, viu?<\/p>\n<p>Uia!<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Deixei a senhorinha seguir pra sua lida \u2013 e ainda fiquei um tanto por ali, \u00e0 sombra de um frondoso Cambu\u00ed com a copa coberta de flores amarelas. Penso sobre o que disse a mulher.<\/p>\n<p>Tanta gente com tanto \u2013 e n\u00e3o reconhece e n\u00e3o agradece. Acha pouco at\u00e9, justo e necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>Ela, n\u00e3o. Humilde, faz muito do que para uns seria pouco, quase nada.<\/p>\n<p>Vive aparentemente feliz consigo mesmo \u2013 o que \u00e9 uma d\u00e1diva.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>No meio da tarde, n\u00e3o resisto \u2013 e vou at\u00e9 a igreja. Lembro ter visto a imagem de Santa Rita, mas, confesso, n\u00e3o lhe dei a merecida aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 uma Rita de C\u00e1ssia diferente. Muito bonita mesmo. Veste um h\u00e1bito marrom com fios dourados, traz em uma das m\u00e3os o crucifixo e tem o semblante sereno, de quem preza por n\u00f3s.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Fico encantado.<\/p>\n<p>Tento fotografar a imagem, mas o vidro que a protege (a obra deve ser do tempo da funda\u00e7\u00e3o da cidade, meados do s\u00e9culo 19) n\u00e3o lhe d\u00e1 a nitidez devida.<\/p>\n<p>Entendo o recado.<\/p>\n<p>Para quem quiser v\u00ea-la e vener\u00e1-la, \u00e9 preciso estar ali em paz com o mundo e consigo mesmo.<\/p>\n<p>O que, convenhamos, tamb\u00e9m \u00e9 uma d\u00e1diva&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/QYTicZOY4Lk\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><em><strong>Foto: Arquivo Pessoal<\/strong><\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>L\u00e1 vem o Brasil descendo a ladeira&#8230;<\/p>\n<p>Vem atr\u00e1s de uma carriola de madeira onde se avolumam diversos tipos de verduras para vender na \u201cvila de S\u00e3o Jos\u00e9 do Barreiro\u201d.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":21891,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[960,56,462,962,961],"class_list":["post-21890","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-anta-rita-de-cassia","tag-bocaina","tag-igreja","tag-saber-agradecer","tag-sao-jose-do-barreio"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21890","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21890"}],"version-history":[{"count":4,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21890\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":21895,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21890\/revisions\/21895"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/21891"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21890"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21890"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21890"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}