{"id":21900,"date":"2020-01-18T11:36:25","date_gmt":"2020-01-18T11:36:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=21900"},"modified":"2020-01-18T11:45:20","modified_gmt":"2020-01-18T11:45:20","slug":"o-cantador","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/o-cantador\/","title":{"rendered":"O cantador"},"content":{"rendered":"<p>Fico surpreso com a pergunta que o amigo me faz:<\/p>\n<p>&#8211; Por que n\u00e3o escreveu sobre Luiz Vieira?<\/p>\n<p>No mesmo instante, a surpresa se transforma em espanto.<\/p>\n<p>Intuo o que motiva a pergunta:<\/p>\n<p>Ele morreu, pergunto.<\/p>\n<p>&#8211; Ontem (quinta-feira, 16) no Rio de Janeiro. Tinha 91 anos.<\/p>\n<p>Da surpresa para o espanto e, deste, para a triste constata\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o sabia.<\/p>\n<p>Passo o dia todo fustigando os principais portais de not\u00edcia \u2013 e n\u00e3o vi sequer uma nota sobre o passamento nas homes do dos ditos-cujos.<\/p>\n<p>&#8211; Ou eu que sou muito distra\u00eddo ou&#8230;<\/p>\n<p>O amigo ent\u00e3o me informa:<\/p>\n<p>&#8211; Vi uma breve reportagem na Globo News.<\/p>\n<p>E conclui:<\/p>\n<p>&#8211; \u00c9 assim mesmo. Somos o que somos no tempo em que somos.<\/p>\n<p>&#8211; Um pa\u00eds sem mem\u00f3ria, replico. &#8211; Um pa\u00eds que, a cada dia, fica mais distante dos seus verdadeiros valores culturais e cidad\u00e3os.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Ainda ontem escrevi sobre a Era do R\u00e1dio&#8230;<\/p>\n<p>Pura coincid\u00eancia.<\/p>\n<p>Luiz Vieira era desse tempo.<\/p>\n<p>Natural de Caruraru (PE), veio cedo para o Rio de Janeiro (anos 40) em busca das ent\u00e3o poderosas ondas sonoras do r\u00e1dio.<\/p>\n<p>Fez e aconteceu.<\/p>\n<p>Deixa um legado de mais 500 can\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Ele se dizia um cantador.<\/p>\n<p>A bem da verdade, era bem mais do que int\u00e9rprete.<\/p>\n<p>M\u00fasico, compositor, poeta, prosador, apresentador de r\u00e1dio e de TV, entre outras.<\/p>\n<p>Um artista fincado nas nossas tradi\u00e7\u00f5es. De voz forte, independente, marcante.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Lembro que, l\u00e1 pelos idos dos anos 60, comandou um programa pr\u00f3prio na TV Excelsior. Cantava, declamava versos, trazia convidados para mostrar as novidades musicais e terminava, sempre, com uma can\u00e7\u00e3o de sucesso<strong> (<\/strong><em>Menino de Bra\u00e7an\u00e3, Menino passarinho, Paz do meu amor, <\/em>entre outras) e se despedia com a seguinte frase:<\/p>\n<p>\u201cAt\u00e9 a pr\u00f3xima semana, e continue me querendo bem que n\u00e3o custa nada\u201d.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Seu auge foi antes da Jovem Guarda, dos Festivais, da MPB estourarem e, no ato, relegarem ao esquecimento tudo o que se fazia musicalmente at\u00e9 ent\u00e3o.<\/p>\n<p>A tal da ruptura para abrir espa\u00e7o para o novo.<\/p>\n<p>Nessa levada, tiraram de cartaz outros tantos nomes do nosso cancioneiro. Luiz Vieira foi um deles.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Mesmo quando, ao fim da d\u00e9cada, o Tropicalismo e uma onda de resgate \u00e0s nossas origens recuperam toda uma gera\u00e7\u00e3o de autores e int\u00e9rpretes (a TV Record chega a ter um programa s\u00f3 para os velhinhos de ent\u00e3o, o Bossaudade, cria\u00e7\u00e3o de Manoel Carlos, com Elizeth Cardoso e Ciro Monteiro no comando); nem assim Vieira volta \u00e0 chamada grande m\u00eddia.<\/p>\n<p>Prefere trilhar um caminho \u00fanico. Estabelece ra\u00edzes em seu Nordeste querido com um programa de r\u00e1dio que passa \u00e0 margem dos modismos e das apela\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-21902 alignleft\" src=\"http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/luizvieira2.jpg\" alt=\"\" width=\"225\" height=\"225\" srcset=\"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/luizvieira2.jpg 225w, http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/luizvieira2-150x150.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 225px) 100vw, 225px\" \/>O legado de Luiz Vieira se preserva tamb\u00e9m nas vozes de Caetano Veloso, Taiguara, Pery Ribeiro, Nara Le\u00e3o, Agnaldo Rayol, Elba Ramalho, Luiz Gonzaga, Rita Lee, Maria Bet\u00e2nia, e tantos outros.<\/p>\n<p>Em 2018, realizou-se em S\u00e3o Paulo um tributo aos 90 anos do artista. Posteriormente, em maio de 2019, saiu um disco do espet\u00e1culo. O \u00faltimo registro, em vida, de sua bel\u00edssima obra.<\/p>\n<h6><em><strong>Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/strong><\/em><\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/s0t8GHtMp-U\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fico surpreso com a pergunta que o amigo me faz:<\/p>\n<p>&#8211; Por que n\u00e3o escreveu sobre Luiz Vieira?<\/p>\n<p>No mesmo instante, a surpresa se transforma em espanto.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":21901,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[967,135,969,539,968,970],"class_list":["post-21900","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-luiz-vieira","tag-memoria","tag-menino-passarinho","tag-musica-popular","tag-paz-do-meu-amor","tag-preludio-pra-ninar-gente-grande"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21900","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21900"}],"version-history":[{"count":3,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21900\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":21905,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21900\/revisions\/21905"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/21901"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21900"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21900"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21900"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}