{"id":22034,"date":"2020-02-07T18:54:49","date_gmt":"2020-02-07T18:54:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=22034"},"modified":"2020-02-07T20:23:55","modified_gmt":"2020-02-07T20:23:55","slug":"entre-o-jornalismo-e-a-literatura-a-cronica","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/entre-o-jornalismo-e-a-literatura-a-cronica\/","title":{"rendered":"Jornalismo e literatura &#8211; eis a cr\u00f4nica"},"content":{"rendered":"<h6><em><strong>Foto: Leila Kiyomura\/Paris<\/strong><\/em><\/h6>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Renan, o jovem leitor, me faz duas perguntas a partir do texto de ontem.<\/p>\n<p>Algu\u00e9m se lembra?<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/escrever-e-envolver-se\/\"><strong>Escrever \u00e9 envolver-se&#8230;<\/strong><\/a><\/p>\n<p>Ele cursa jornalismo &#8211; \u00e9 curioso, portanto.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Antes das respostas &#8211; se \u00e9 que as tenho a contento do leitor, explico:<\/p>\n<p>Ele elogiou a cr\u00f4nica\/post.<\/p>\n<p>Diz que a narrativa tamb\u00e9m o envolveu.<\/p>\n<p>Mas, ao final, se sentiu confuso com as pr\u00f3prias ideias.<\/p>\n<p>Enfim, n\u00e3o sabe se entendeu direito a mensagem que pretendi passar.<\/p>\n<p>E deixou no ar uma terceira provoca\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>&#8220;Nem sempre podemos estar no comando. \u00c9 dif\u00edcil, no in\u00edcio da carreira, ser dono e senhor do pr\u00f3prio destino.&#8221;<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Mil desculpas, Renan.<\/p>\n<p>Faz quase dois anos que deixei a sala de aula.<\/p>\n<p>Acho que, como dizem os trompetistas, perdi a embocadura.<\/p>\n<p>Ademais, reconhe\u00e7o que o eu\/cronista, por vezes, se enrosca em digress\u00f5es, exemplos vagos, lembran\u00e7as e, concordo, poetiza demais.<\/p>\n<p>Veja, futuro colega jornalista, esta subjetividade \u00e9 na verdade uma caracter\u00edstica da cr\u00f4nica como g\u00eanero em si. Um desv\u00e3o na narrativa que pretende humanizar o texto, a mensagem que se quer passar.<\/p>\n<p>\u00c9, na verdade, o grande trunfo. Que diferencia a cr\u00f4nica do notici\u00e1rio do dia, das manchetes dilacerantes, da frieza dos fatos. Para estes, temos os rep\u00f3rteres. Para a an\u00e1lise fria e contundente, os colunistas, os editorialistas e articulistas. Para o que h\u00e1 de sens\u00edvel no correr dos dias, o olhar do cronista.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Penso que assim respondo a uma de suas quest\u00f5es:<\/p>\n<p>&#8220;Aprendi logo nas primeiras aulas que jornalismo \u00e9 clareza, objetividade e coes\u00e3o no texto. a cr\u00f4nica, como g\u00eanero, pertence ao jornalismo ou \u00e0 literatura?&#8221;<\/p>\n<p>Em resumo, Renan, a cr\u00f4nica, por hist\u00f3ria e tradi\u00e7\u00e3o, \u00e9, sim, um g\u00eanero jornal\u00edstico, mas flerta com a literatura &#8211; e vice-versa.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Permita-me outra digress\u00e3o:<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, esta \u00e9 uma quest\u00e3o que tamb\u00e9m comecei a discutir ainda quando frequentava as aulas do curso de jornalismo na Escola de Comunica\u00e7\u00e3o e Artes da Universidade de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Faz tempo, hein!<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>A outra quest\u00e3o requer um, digamos, embasamento filos\u00f3fico:<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 correto dizer que todo autor est\u00e1 sempre em busca de um personagem, seja no jornalismo, seja na literatura?&#8221;<\/p>\n<p>Uia.<\/p>\n<p>Talvez o Woody Allen possa lhe responder com mais precis\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas, vou me arriscar por aqui&#8230;<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>No jornalismo, creio, sempre corremos atr\u00e1s de uma boa hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Ao menos no meu tempo de rep\u00f3rter, era assim.<\/p>\n<p>J\u00e1 na literatura, no cinema, teatro, na arte em si, essa postura fa\u00e7a mais sentido.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, tempos atr\u00e1s escrevi algo sobre o tema.<\/p>\n<p>Lancei m\u00e3o, para tanto de minha experi\u00eancia, como rep\u00f3rter e (supostamente) cronista.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Basicamente, escrevi o seguinte:<\/p>\n<p><em>N\u00e3o s\u00e3o poucos os autores de quem ouvi e me garantiram:<\/em><\/p>\n<p><em>\u2013 H\u00e1 um bom naco autobiogr\u00e1fico em cada uma das linhas que escrevo.<\/em><\/p>\n<p><em>Se n\u00e3o \u00e9 exata e precisamente sobre aquilo que viveram, muito do que contam nasce de observa\u00e7\u00f5es feitas ao redor. Ou de alguma causa que lhes impressiona sobremaneira. Leituras essas que, invariavelmente, passam pelo filtro da pr\u00f3pria interpreta\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00c9 da natureza humana olhar, ver, interpretar, vivenciar e, sobretudo, eis\u00a0 a proposta dos tempos atuais, ser tamb\u00e9m um narrador\u00a0das coisas do cotidiano.<\/em><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>A quem interessar, aqui vai a \u00edntegra da cr\u00f4nica:<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/o-autor-em-busca-da-personagem\/\"><strong><em>O Autor em Busca da Personagem<\/em><\/strong><\/a><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 terceira provoca\u00e7\u00e3o, Renan, fique tranquilo.<\/p>\n<p>Sempre que somos sinceros com nossos sentimentos, estamos no comando dos nossos passos.<\/p>\n<p>Caetano tem uma linda can\u00e7\u00e3o que diz:<\/p>\n<p>\u201cCoragem grande \u00e9 poder dizer sim.\u201d<\/p>\n<p>Pra vida e pros amores&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/3dfCfRfa4rQ\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><em><strong>Foto: Leila Kiyomura\/Paris<\/strong><\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Renan, o jovem leitor, me faz duas perguntas a partir do texto de ontem.<\/p>\n<p>Algu\u00e9m se lembra?<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/escrever-e-envolver-se\/\"><strong>Escrever \u00e9 envolver-se&#8230;<\/strong><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":22035,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[90,1035,1034,44,808,1033],"class_list":["post-22034","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-cronica","tag-generos-jornalisticos","tag-generos-literarios","tag-jornalismo","tag-literatura","tag-renan"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22034","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22034"}],"version-history":[{"count":5,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22034\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":22040,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22034\/revisions\/22040"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/22035"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22034"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22034"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22034"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}