{"id":22126,"date":"2020-03-03T14:06:23","date_gmt":"2020-03-03T14:06:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=22126"},"modified":"2020-03-03T19:40:18","modified_gmt":"2020-03-03T19:40:18","slug":"santa-rita-olhai-por-nos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/santa-rita-olhai-por-nos\/","title":{"rendered":"Santa Rita, olhai por n\u00f3s!"},"content":{"rendered":"<p><em>Romeiros pelas ruas de S\u00e3o Jos\u00e9 do Barreiro\/Arquivo Pessoal<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Que bom ficar assim horas inteiras em dias lentos e vagos&#8230; A olhar a chuva fina que, pouco a pouco, engole as silhuetas das montanhas at\u00e9 chegar \u00e0 pacata aldeia com pingos que parecem n\u00e3o molhar. Mas silenciosamente encharcam as folhas, os bancos da pra\u00e7a, o teto do casario, as torres da igreja e a nossa roupa nesse fim de ver\u00e3o com jeito de inverno.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Busco abrigo ali no interior do templo centen\u00e1rio. Vazio e sombrio no fim de tarde igual a tantos outros por aqui.<\/p>\n<p>Cheiro de velas queimando a um canto.<\/p>\n<p>Me envolvem o sil\u00eancio e o semblante austero das imagens de Ant\u00f4nio, Benedito, Jos\u00e9 (que ocupa o altar-mor), \u00a0Maria, o Senhor na Cruz \u2013 e, de repente, paro diante de uma rara representa\u00e7\u00e3o de Santa Rita de C\u00e1ssia.<\/p>\n<p>Pode ser s\u00f3 impress\u00e3o minha, mas imagino que a santinha sorri diante da minha surpresa.<\/p>\n<p>Veste um manto marrom, com frisos dourados; em uma das m\u00e3os o crucifixo, na outra a rosa estilizada.<\/p>\n<p>Demorei a reconhec\u00ea-la.<\/p>\n<p>A chaga da coroa de Cristo na pequena testa \u00e9 o indicativo de ser Margheritta, da pequena cidade de C\u00e1ssia, norte da It\u00e1lia, onde ainda repousa seu corpo insepulto\u00a0 sob uma c\u00fapula de vidro.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Estive em C\u00e1ssia, vi a santa num ritual comum a tantos e tantos peregrinos.<\/p>\n<p>Mas, a cena que mais me comove \u00e9 a da m\u00e3e e o irm\u00e3o, o Tio Neno, a rezarem para \u201ca senhora das causas imposs\u00edveis\u201d. Que guardasse as crian\u00e7as dos males do mundo e lhes iluminasse o caminho do amor, da verdade e da vida.<\/p>\n<p>Foi h\u00e1 tantos e tantos anos.<\/p>\n<p>Eu era crian\u00e7a.<\/p>\n<p>Ainda me chamavam de Tchinim.<\/p>\n<p>E, confesso, n\u00e3o me sentia l\u00e1 muito \u00e0 vontade naqueles momentos.<\/p>\n<p>Temor do sobrenatural, talvez.<\/p>\n<p>Desde garoto, quase tudo me assombra.<\/p>\n<p>O que n\u00e3o entendo, estranho.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Havia uma imagem da santa num altar improvisado sobre uma camiseira em um dos c\u00f4modos na casa da v\u00f3 Ign\u00eas e do v\u00f4 Carlito.<\/p>\n<p>Era enorme. Acho que maior que esta que vejo agora.<\/p>\n<p>Diziam que o tio era um fervoroso devoto.<\/p>\n<p>Um homem de f\u00e9!<\/p>\n<p>Dia desses uma tropa de romeiros passou pelas estreitas ruas de S\u00e3o Jos\u00e9 do Barreiro. Iam para a Bas\u00edlica de Nossa Senhora Aparecida, tamb\u00e9m no Vale do Para\u00edba. Fizeram uma parada por aqui.<\/p>\n<p>Ao v\u00ea-los passar, algu\u00e9m na pra\u00e7a falou:<\/p>\n<p>-S\u00e3o homens de f\u00e9!<\/p>\n<p>Lembrei do tio.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Ao acaso, penso nessas recorda\u00e7\u00f5es na penumbra da igrejinha diante do pequeno altar lateral.<\/p>\n<p>Tento comparar a express\u00e3o das duas est\u00e1tuas. A da casa da v\u00f3 inspirava sofrimento. Talvez fosse essa a causa do meu desassossego. A que vejo hoje \u00e9 mais complacente, traz uma generosidade impl\u00edcita em suas fei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Sugere a transcend\u00eancia natural que nos prop\u00f5e a f\u00e9. No divino e nos homens &#8211; por que n\u00e3o?<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Volto a contempl\u00e1-la outras tantas vezes.<\/p>\n<p>Diante dela, fa\u00e7o uma brev\u00edssima ora\u00e7\u00e3o. Em agradecimento ao que vivi e ao que est\u00e1 por vir.<\/p>\n<p>Pe\u00e7o perd\u00e3o por, \u00e0s\u00a0vezes, faltar-me aquela f\u00e9 bendita que, dizem as escrituras, \u201cmove montanhas\u201d.<\/p>\n<p>Nesses tempos turvos, em que um opressor vale mais do que um professor, tento me valer da serenidade para seguir em frente\u00a0e ter a inating\u00edvel cordilheira ao alcance dos olhos e dos sonhos.\u00a0 Esse relampear de tristezas e mal-feitos \u00e9 passageiro, irm\u00e3os. Logo, logo, merc\u00ea de nossa luta, o sol a brilhar intenso, v\u00edvido&#8230; Para mim, para voc\u00ea, para todos os brasileiros.<\/p>\n<p>Que Santa Rita, olhe por n\u00f3s!<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/halYmwkfioc\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><em>Romeiros pelas ruas de S\u00e3o Jos\u00e9 do Barreiro\/Arquivo Pessoal<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Que bom ficar assim horas inteiras em dias lentos e vagos&#8230; A olhar a chuva fina que,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":22132,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[283,1072,1074,1071,956,1073],"class_list":["post-22126","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-memorias","tag-oracao","tag-romeiros","tag-santa-rita-de-cassia","tag-sao-jose-do-barreiro","tag-tio-neno"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22126","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22126"}],"version-history":[{"count":5,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22126\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":22137,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22126\/revisions\/22137"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/22132"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22126"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22126"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22126"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}