{"id":22142,"date":"2020-03-04T15:14:49","date_gmt":"2020-03-04T15:14:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=22142"},"modified":"2020-03-04T19:43:40","modified_gmt":"2020-03-04T19:43:40","slug":"futebol-ontem-hoje-e-sempre","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/futebol-ontem-hoje-e-sempre\/","title":{"rendered":"Futebol. Ontem, hoje &#8211; e sempre"},"content":{"rendered":"<p><em>Quem a\u00ed se lembra do velho Palestra It\u00e1lia, o Jardim Suspenso?\/Arquivo Pessoal<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Meus caros,<\/p>\n<p>Tenho o privil\u00e9gio de conhecer as tr\u00eas vers\u00f5es do est\u00e1dio do Palmeiras: o Parque Ant\u00e1rctica, onde fui pela primeira vez aos 9 anos com o pai; o Palestra It\u00e1lia, conhecido como<em> Jardim Suspenso<\/em>, a segunda vers\u00e3o inaugurada na d\u00e9cada de 60 e agora o Allianz Parque onde vou sempre que posso e l\u00e1 estarei no pr\u00f3ximo s\u00e1bado, com meu filho, meu sobrinho Gui e o sobrinho-neto, o Bernardo.<\/p>\n<p>Pois assim \u00e9 que \u00e9 &#8211; ou deveria ser o futebol.<\/p>\n<p>Uma confraterniza\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Amigos,<\/p>\n<p>Eu vi o Palmeiras de Humait\u00e1 e Becec\u00ea enfrentar o Santos de Pel\u00e9, Coutinho e Cia.<\/p>\n<p>Podem imaginar o que seja isso?<\/p>\n<p>Desconfio que n\u00e3o.<\/p>\n<p>O cearense Becec\u00ea era um ponta esquerda de chute forte. Humait\u00e1, um centro-avante ga\u00facho que chegou ao Palmeiras tamb\u00e9m nos idos dos anos 60. N\u00e3o eram l\u00e1 um primor de craques, n\u00e3o fizeram hist\u00f3ria, n\u00e3o foram campe\u00f5es por aqui.\u00a0 Mas, nem por isso me fizeram menos feliz dentro de campo ou fora dele.<\/p>\n<p>Eu era moleque, da turma da Muniz de Souza, no bairro oper\u00e1rio do Cambuci, em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>T\u00ednhamos o futebol como vida, arte e engenho.<\/p>\n<p>(Nunca como um embate de for\u00e7as, um enfrentamento, um guerrear.)<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Para n\u00f3s, era uma grande epopeia, eu diria.<\/p>\n<p>Peg\u00e1vamos o (\u00f4nibus) el\u00e9trico, ali, nas quebradas do Jardim da Aclima\u00e7\u00e3o, desc\u00edamos pela porta traseira no centro paulistano.<\/p>\n<p>(Cont\u00e1vamos com a camaradagem de motorista e cobrador.)<\/p>\n<p>Dali, bat\u00edamos no \u2018p\u00e9 dois\u2019 para o Pacaembu, onde era liberada a entrada para menores de 12 anos.<\/p>\n<p>\u00cdamos todos. Palmeirenses, corintianos, s\u00e3o-paulinos, um ou outro santista de \u00faltima hora e at\u00e9 o Andr\u00e9, torcedor da Portuguesa.<\/p>\n<p>Juntos, volt\u00e1vamos.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Pura divers\u00e3o.<\/p>\n<p>Ali no raiar dos anos 60, o Santos era mesmo um time arrasador. Com o melhor ataque de todos os tempos: Durval, Mengalvio, Coutinho, Pel\u00e9 e Pepe.<\/p>\n<p>Foi mesmo um privil\u00e9gio v\u00ea-los em a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Mas, o que me leva, mais esta vez, a escrever sobre essas lembran\u00e7as?<\/p>\n<p>Parto de uma refer\u00eancia que o craque Tost\u00e3o fez em uma de suas colunas na <em>Folha de S. Paulo<\/em>. Disse o tamb\u00e9m diligente cronista sobre a diferen\u00e7a entre nostalgia (\u201clembran\u00e7a doce\u201d) e saudosismo (\u201capego exagerado \u00e0s coisas do passado, como se aquele fosse o mundo ideal\u201d).<\/p>\n<p>Fazia uma \u00f3bvia alus\u00e3o ao diz-que-diz que inevitavelmente cerca o Planeta Futebol.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Ele escreveu tal coluna no final do ano passado.<\/p>\n<p>Mas, confesso que&#8230;<\/p>\n<p>Sinceramente, me fez e ainda faz pensar.<\/p>\n<p>Dia vai, dia vem. Ainda agora n\u00e3o sei em que categoria devo me incluir como aficionado do futebol.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Talvez em ambas?<\/p>\n<p>Humildemente, preferiria me enquadrar como nost\u00e1lgico. Confesso, que n\u00e3o raras vezes, tanto no futebol como nas nuances da vida, derrapo feio num arrebatador saudosismo.<\/p>\n<p>Espero que me entendam.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>\u00d3bvio que o futebol continua como uma grande paix\u00e3o; certamente, a mais antiga e nobre que vivi \u2013 e vivo \u2013 nessa minha longa jornada.<\/p>\n<p>Antiga, pois desde que me entendo por gente me envolve este sentimento imprevis\u00edvel, delirante \u2013 e passional.<\/p>\n<p>Nobre, pois, penso eu, nada pe\u00e7o em troca. Sequer a gratuidade para os idosos em jogos no Pacaembu que, por for\u00e7a da privatiza\u00e7\u00e3o, acabou de acabar.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Deixem eu lhes dizer o que penso.<\/p>\n<p>Os jogadores do passado estavam mais para artistas do que atletas. Talentos natos, feitos na v\u00e1rzea, com caracter\u00edsticas espec\u00edficas e, n\u00e3o raras vezes, de natureza \u00fanica.<\/p>\n<p>Os boleiros de hoje invertem a ordem das coisas. S\u00e3o mais atletas do que propriamente um criador. Eles v\u00eam das &#8216;escolinhas&#8217; e s\u00e3o orientados pelos tais &#8216;professores&#8217;.<\/p>\n<p>Talento, talento, h\u00e1 quem o tenha.<\/p>\n<p>Mas, via de regra, s\u00e3o todos bem parecidos se levarmos em conta a bolinha em que jogam.<\/p>\n<p>As exce\u00e7\u00f5es (que fazem a diferen\u00e7a \u2013 Messi, CR-7, Neymar e outros raros) s\u00f3 confirmam a regra.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Qual o melhor futebol?<\/p>\n<p>Depende do olhar, das lembran\u00e7as e do sentido que cada um de n\u00f3s d\u00e1 ao esporte-rei.<\/p>\n<p>Em ess\u00eancia, t\u00e1 certo o Luxa, o futebol n\u00e3o mudou.<\/p>\n<p>Perdeu certo encanto, eu diria.<\/p>\n<p>Hoje pretendem cientific\u00e1-lo \u2013 e a\u00ed, ao meu ver, acaba a magia, o l\u00fadico, o art\u00edstico.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Talvez fossem meus olhos de menino.<\/p>\n<p>Futebol, fosse qual fosse o resultado, tinha o gosto de festa.<\/p>\n<p>Entr\u00e1vamos e sa\u00edamos do est\u00e1dio, juntos, com um sorriso no rosto, em meio a brincadeiras, zoeiras e muita expectativa.<\/p>\n<p>Uma confraterniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>\u00c9 o que sinto falta, meus caros.<\/p>\n<p>E lamento.<\/p>\n<p>Porque a vida \u00e9 muito mais \u2013 e al\u00e9m.<\/p>\n<p>E o futebol \u00e9 s\u00f3 um sonhar inebriante, coletivo &#8211; e, se me permitem, necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/5X2QSlcK5jM\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><em>Quem a\u00ed se lembra do velho Palestra It\u00e1lia, o Jardim Suspenso?\/Arquivo Pessoal<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Meus caros,<\/p>\n<p>Tenho o privil\u00e9gio de conhecer as tr\u00eas vers\u00f5es do est\u00e1dio do Palmeiras: o Parque Ant\u00e1rctica,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":22143,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[612,75,1081,135,1082,52,1083],"class_list":["post-22142","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-allianz-parque","tag-futebol","tag-futebol-arte","tag-memoria","tag-nostalgia","tag-palmeiras","tag-saudosismo"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22142","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22142"}],"version-history":[{"count":6,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22142\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":22150,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22142\/revisions\/22150"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/22143"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22142"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22142"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22142"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}