{"id":22151,"date":"2020-03-05T14:09:40","date_gmt":"2020-03-05T14:09:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=22151"},"modified":"2020-03-05T17:51:49","modified_gmt":"2020-03-05T17:51:49","slug":"monteiro-lobato-em-areias","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/monteiro-lobato-em-areias\/","title":{"rendered":"Monteiro Lobato em Areias"},"content":{"rendered":"<p><em>Fotos: Reprodu\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Esque\u00e7o a tortura dos notici\u00e1rios em tempos obl\u00edquos.<\/p>\n<p>\u00c9 uma op\u00e7\u00e3o que fa\u00e7o consciente de que meus am\u00e1veis cinco ou seis leitores merecem e precisam de uma tr\u00e9gua. Mesmo que seja por poucos instantes.<\/p>\n<p>Que tenham, neste espa\u00e7o, um breve respiro de poesia (nas vozes de Rolando Boldrin e Milton Nascimento) e sonhar.<\/p>\n<p>\u00c0s bordas das manh\u00e3s, que tenham acolhimento e ainda que leve soprar do vento da esperan\u00e7a a lhes arejar rostos, mentes e cora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Por isso, creiam, recolho hist\u00f3rias e est\u00f3rias (lembram quando os doutos propuseram a diferen\u00e7a entre as palavras?) em que acredito e almejo: sejam partes de nossas vidas.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-22153 alignright\" src=\"http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/monteiro2-300x141.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"141\" srcset=\"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/monteiro2-300x141.jpg 300w, http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/monteiro2-263x124.jpg 263w, http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/monteiro2.jpg 327w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Esta, eu lhes trago de Areias, cidade hist\u00f3rica do Vale do Para\u00edba, onde o escritor Monteiro Lobato foi promotor p\u00fablico no in\u00edcio do s\u00e9culo 20.<\/p>\n<p>Ou\u00e7o que Lobato escolheu a cidade \u201cpara por em dia a leitura\u201d, pois, acreditava ele, por aqueles cantos \u201cn\u00e3o haveria criminosos em n\u00famero suficiente a lhe tirar o almejado sossego\u201d.<\/p>\n<p>Assim, o fez.mais<\/p>\n<p>Ficou por ali por um bom tempo. De l\u00e1 trouxe as anota\u00e7\u00f5es e a inspira\u00e7\u00e3o que lhe renderam o livro de contos <em>Cidades Mortas, <\/em>publicado em 1919, em que narra o apogeu e a decad\u00eancia daquele peda\u00e7o de terra, incrustado na divisa dos estados de S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Dizem que l\u00e1 tamb\u00e9m escreveu outro cl\u00e1ssico, <em>Urup\u00eas<\/em> (1918), enquanto degustava os cl\u00e1ssicos e os tomos processuais.<\/p>\n<p>Inspira\u00e7\u00e3o n\u00e3o lhe faltava.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>O cotidiano de um Brasil provinciano lhe deu o mote.<\/p>\n<p>Um olhar mais alongado, sens\u00edvel, para os dias quentes, de c\u00e9u azulado, e a lida da caboclada aos p\u00e9s da Serra da Bocaina determinou o registro daqueles dias como obra liter\u00e1ria.<\/p>\n<p>O plantio do caf\u00e9 no Brasil se iniciou por aquelas bandas, ainda no tempo do Imp\u00e9rio. O que trouxe certa riqueza para as cidades locais \u2013 Bananal, Arape\u00ed, S\u00e3o Jos\u00e9 do Barreiro, Areias, Queluz e Cachoeira Paulista.<\/p>\n<p>Mas, logo o ciclo se encerrou \u2013 e os cafezais se bandearam para outras \u00e1reas mais quentes da regi\u00e3o central do estado.<\/p>\n<p>Por ali, ficaram a estagna\u00e7\u00e3o e o dito Caminho Real \u2013 hoje, ainda que parcialmente, rota de turismo para ecoturistas e afins -, tempos depois substitu\u00eddo pela Via Dutra.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>N\u00e3o sei se s\u00f3 por isso, mas tamb\u00e9m por isso, Lobato \u00e9 autor imprescind\u00edvel para que possamos entender mais nitidamente nossa identidade cultural.<\/p>\n<p>Que o digam os 23 volumes do\u00a0<em>S\u00edtio do Picapau Amarelo <\/em>(publicado entre 1920 e 1947)! <strong>(*)<\/strong><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Outro exemplo?<\/p>\n<p>Anos mais tarde, em 1938, j\u00e1 em S\u00e3o Paulo, ele \u00e9 um dos grandes incentivadores do ent\u00e3o jovem poeta ga\u00facho M\u00e1rio Quintana.<\/p>\n<p>Como v\u00eaem, n\u00e3o h\u00e1 barreiras para a grandeza d\u2019alma.<\/p>\n<p>Ao tomar conhecimento dos poemas de Quintana \u2013 ainda um autor restrito \u00e0s lides portalegrenses\u00a0 e \u00e0s p\u00e1ginas da revista liter\u00e1ria <em>Ibirapuit\u00e3<\/em> -, o paulista de Taubat\u00e9 lhe escreve uma carta de apoio e abrindo-lhe \u00e0s portas de futuras publica\u00e7\u00f5es \u2013 estas, sim, em \u00e2mbito nacional.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Leiam a \u00edntegra da carta:<\/p>\n<p><em>Prezado Sr. M\u00e1rio Quintana:<\/em><\/p>\n<p><em>N\u00e3o resisto ao prazer de lhe endere\u00e7ar esta, de agradecimento pelo fino prazer mental que atrav\u00e9s da IBIRAPUIT\u00c3, me t\u00eam proporcionado seus versos. Que novidade eles representam no nosso mar\u00e9 magnum de poesias puramente sentimentais ou descritivas, sem uma sombra de ideia filos\u00f3fica dentro! Cada conjunto de quatro versos seus constitue uma perfeita j\u00f3ia de forma e filosofia da mais alta qualidade \u2013 a que paira no Olimpo do humour . Tanto me t\u00eam encantado, que j\u00e1 despertei a aten\u00e7\u00e3o de meus amigos, e muitos andam com c\u00f3pias \u00e0 maquina no bolso. E os jornais da UJB tamb\u00e9m andam a espalh\u00e1-los pelo mundo.<\/em><\/p>\n<p><em>Que coisa bonita o verdadeiro talento! Como vence, como se imp\u00f5e \u2013 como se mostra, por mais escondido que comece&#8230;<\/em><\/p>\n<p><em>Queira meu caro poeta-fil\u00f3sofo aceitar a sincer\u00edssima homenagem de minha enorme admira\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><em>Monteiro Lobato<\/em><\/p>\n<p><em>P.S. N\u00e3o tem j\u00e1 mat\u00e9ria desse g\u00eanero que d\u00ea para um livro? Se tem, \u00e9 com prazer que me empenharei para que a Editora Nacional o lance com todas as honras.<\/em><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/xW1w5yYd3cY\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><strong>(*)\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>O conto <em>A Menina do Narizinho Arrebitado<\/em> foi publicado em 1920, ainda quando o autor vivia em Areias. O primeiro da cole\u00e7\u00e3o que, conclu\u00edda em 1947, resultou no S<em>\u00edtio do Picapau Amarelo<\/em>, cl\u00e1ssico da literatura infanto-juvenil brasileira. Que, neste 2020, portanto, completa 100 anos. Mas isto \u00e9 uma outra hist\u00f3ria que fica para uma pr\u00f3xima vez.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><em>Fotos: Reprodu\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Esque\u00e7o a tortura dos notici\u00e1rios em tempos obl\u00edquos.<\/p>\n<p>\u00c9 uma op\u00e7\u00e3o que fa\u00e7o consciente de que meus am\u00e1veis cinco ou seis leitores merecem e precisam de uma tr\u00e9gua.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":22152,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[480,1085,513,996,1084,1088,1087,1086],"class_list":["post-22151","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-areias","tag-cidades-mortas","tag-mario-quintana","tag-milton-nascimento","tag-monteiro-lobato","tag-rolando-boldrin","tag-sitio-do-picapau-amarelo","tag-urupes"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22151","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22151"}],"version-history":[{"count":3,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22151\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":22156,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22151\/revisions\/22156"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/22152"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22151"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22151"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22151"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}