{"id":22177,"date":"2020-03-08T21:39:57","date_gmt":"2020-03-08T21:39:57","guid":{"rendered":"http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=22177"},"modified":"2020-03-09T12:22:10","modified_gmt":"2020-03-09T12:22:10","slug":"o-que-faltou-dizer-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/o-que-faltou-dizer-2\/","title":{"rendered":"O que faltou dizer&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>&#8230; <strong>a respeito de Inezita<\/strong><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>\u00c9 algo bem pessoal.<\/p>\n<p>Permitam-me lhes contar:<\/p>\n<p>Dona Yolanda, minha m\u00e3e, se sentia amiga de Inezita.<\/p>\n<p>Identificava-se com ela.<\/p>\n<p>Eram contempor\u00e2neas.<\/p>\n<p>Talvez, por isso.<\/p>\n<p>A m\u00e3e era de 1924. Inezita, 1925.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Explico logo para evita mal-entendidos:<\/p>\n<p>Elas n\u00e3o eram parceiras de trocar confid\u00eancias.<\/p>\n<p>Na verdade, n\u00e3o se falavam.<\/p>\n<p>Quando havia o encontro semanal, a m\u00e3e s\u00f3 ouvia. Em respeitoso e indecifr\u00e1vel sil\u00eancio.<\/p>\n<p>Talvez rememorasse a juventude de tecel\u00e3 nos teares da Ramenzzoni. Talvez os bailicos que a f\u00e1brica promovia no sal\u00e3o social onde conheceu o Ald\u00e3o, meu pai.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei em que pensava. Nunca falou. Mas, desconfio, era por a\u00ed.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Esses encontros eram sempre nas manh\u00e3s de domingo.<\/p>\n<p>Como aconteciam?<\/p>\n<p>Diante da TV.<\/p>\n<p>Dona Yolanda, na sala do pequeno apartamento onde viveu os \u00faltimos 30 anos de vida.<\/p>\n<p>Inezita, na apresenta\u00e7\u00e3o do programa <em>Viola Minha Viola<\/em>.<\/p>\n<p>A m\u00e3e gostava de ouvi-la cantar <em>Lampi\u00e3o de G\u00e1s.<\/em><\/p>\n<p>Mas o que valia mesmo era a boa companhia que, dizia, Inezita lhe fazia naquela hora e tanto.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Depois que o pai se foi (setembro 1999), a m\u00e3e insistiu em permanecer no apartamento da Avenida \u00c1lvaro Guimar\u00e3es. Queria o seu espa\u00e7o, mesmo que sozinha e com os avn\u00e7os da degenera\u00e7\u00e3o da retina que lhe complicava &#8211; e muito &#8211; a vis\u00e3o dos dois olhos.<\/p>\n<p>Ali, era o seu lugar, dizia.<\/p>\n<p>Ali, se dizia feliz.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Eu morava perto.<\/p>\n<p>Todas as manh\u00e3s, antes de ir para o trabalho, passava por l\u00e1 para bate o ponto e saber se estava tudo nos conformes.<\/p>\n<p>Ela me esperava com o caf\u00e9 j\u00e1 estava pronto, bem do jeito que eu gosto. Coado, mais pra forte.<\/p>\n<p>Nas manh\u00e3s de domingo, por\u00e9m, t\u00ednhamos um ritual diferente.<\/p>\n<p>A m\u00e3e acordava cedo &#8211; e ligava a TV na missa transmitida pela Cultura diretamente do Santu\u00e1rio de Nossa Senhora Aparecida &#8211; uma das devo\u00e7\u00f5es da m\u00e3e.<\/p>\n<p>Eu chegava depois das nove horas.<\/p>\n<p>Ela j\u00e1 estava no sof\u00e1 quietinha, mais ouvindo do que vendo Inezita e os convidados.<\/p>\n<p>Pouco convers\u00e1vamos.<\/p>\n<p>Pontu\u00e1vamos alguns assuntos e simplesmente deix\u00e1vamos correr os minutos, as horas\u00a0 na companhia um do outro.<\/p>\n<p>Na sequ\u00eancia, v\u00edamos o programa do Rolando Boldrin &#8211; e s\u00f3 a\u00ed, l\u00e1 pelas onze, pens\u00e1vamos como e onde seria o almo\u00e7o e o restante do nosso domingo.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Ontem escrevi uma cr\u00f4nica sobre Inezita aproveitando o ensejo do 8 de mar\u00e7o &#8211; Dia Internacional da Mulher. Recebi muitos coment\u00e1rios e elogios pela lembran\u00e7a &#8211; aos quais agrade\u00e7o de todo cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Enquanto lia cada um deles, as recorda\u00e7\u00f5es daquelas aben\u00e7oadas manh\u00e3s de domingos me invadiam na mesma propor\u00e7\u00e3o que a imensa saudade da Dona Yolanda.<\/p>\n<p>Olai\u00e1&#8230;<\/p>\n<p>Preciso escrev\u00ea-la, pensei.<\/p>\n<p>\u00c9 justo compartilha-las com meus am\u00e1veis cinco ou seis leitores.<\/p>\n<p>Afinal, o tempo, algu\u00e9m j\u00e1 disse, pode ser absolutamente igual para os rel\u00f3gios. Mas, nunca \u00e9 o mesmo para cada um de n\u00f3s.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Ambas se foram em 2015.<\/p>\n<p>Inezita, em mar\u00e7o.<\/p>\n<p>A m\u00e3e, em junho, tr\u00eas meses depois&#8230;<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/wbW37kEErwY\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8230; <strong>a respeito de Inezita<\/strong><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>\u00c9 algo bem pessoal.<\/p>\n<p>Permitam-me lhes contar:<\/p>\n<p>Dona Yolanda, minha m\u00e3e, se sentia amiga de Inezita.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":22180,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[278,1097,1102,135,1098],"class_list":["post-22177","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-dona-yolanda","tag-inezita-barroso","tag-manhas-de-domingo","tag-memoria","tag-viola-minha-viola"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22177","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22177"}],"version-history":[{"count":7,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22177\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":22186,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22177\/revisions\/22186"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/22180"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22177"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22177"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22177"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}