{"id":22253,"date":"2020-03-18T14:33:35","date_gmt":"2020-03-18T14:33:35","guid":{"rendered":"http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=22253"},"modified":"2020-03-19T18:09:33","modified_gmt":"2020-03-19T18:09:33","slug":"marcos-do-jornalismo-brasileiro-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/marcos-do-jornalismo-brasileiro-2\/","title":{"rendered":"Marcos do jornalismo brasileiro &#8211; 2"},"content":{"rendered":"<p><em>Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o do site Papo Cultura<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Continuemos com a aula \u2013 ops, a cr\u00f4nica de hoje que ainda tem como foco uma brev\u00edssima hist\u00f3ria do jornalismo brasileiro.<\/p>\n<p>Ontem paramos na decreta\u00e7\u00e3o do AI-5, dezembro de 68, que impactou fortemente a liberdade de express\u00e3o e, consequentemente, jornais e jornalistas.<\/p>\n<p>Pois, ent\u00e3o, meus caros, as duas d\u00e9cadas seguintes \u2013 os anos 70 e 80 \u2013 foram marcados por corajosa luta da Imprensa pela redemocratiza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds.<\/p>\n<p>De pronto, mesmo os ve\u00edculos que at\u00e9 ent\u00e3o davam apoio \u2013 ora constrangidos, ora abertamente \u2013 ao regime vigente passaram a lhe fazer oposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Estabeleceu-se a censura pr\u00e9via nos principais jornais e revistas.<\/p>\n<p>Como resposta, os dois jornais da fam\u00edlia Mesquita (inicialmente simp\u00e1tica ao Golpe de 64) passaram a se rebelar contra a a\u00e7\u00e3o dos censores instalados nas reda\u00e7\u00f5es. Tudo passava pelo crivo desses senhores. N\u00e3o concordavam com isto ou aquilo, tacavam o canet\u00e3o vermelho sobre o texto proibido.<\/p>\n<p>Como resposta \u00e0 devastadora a\u00e7\u00e3o,\u00a0 adotou-se a seguinte postura: toda vez que uma reportagem era vetada e cortada, em seu lugar os editores passaram a publicar versos de Cam\u00f5es (no<em> Estad\u00e3o<\/em>) e receita de bolo (no <em>Jornal da Tarde<\/em>).<\/p>\n<p>Era um tro\u00e7o um tanto surreal. Voc\u00ea estava lendo uma mat\u00e9ria normal; de repente, aparecia ali os ingredientes de um bolo de laranja e como fazer, tipo:<\/p>\n<p><em>&#8220;Bata por 20 minutos e leve ao fogo brando.&#8221;<\/em><\/p>\n<p>Para o leitor minimamente atento, estava claro o estrago da tesoura naquele trecho da reportagem.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Um marco tr\u00e1gico na hist\u00f3ria do Brasil e do jornalismo brasileiro.<\/p>\n<p>Outubro de 1975. S\u00e3o Paulo, Capital. Morre o jornalista Vladimir Herzog nos por\u00f5es do DOI-CODI vitimado por grupo paramilitares que se opunham \u00e0 ent\u00e3o chamada abertura democr\u00e1tica.<\/p>\n<p>\u00c9 a primeira arbitrariedade a escapulir da a\u00e7\u00e3o dos censores e dos c\u00e3es de guarda do que intitulavam de\u00a0 \u2018ordem p\u00fablica\u2019.<\/p>\n<p>O jornalista Mino Carta, ent\u00e3o diretor de Reda\u00e7\u00e3o da revista <em>Veja<\/em>, deixa o cargo e funda a\u00a0<em>Isto\u00e9:<\/em><\/p>\n<p>\u201cTive um grande envolvimento com este epis\u00f3dio (na tentativa de evitar o tr\u00e1gico desfecho). Entendi ali que o Pa\u00eds precisava de um jornalista e n\u00e3o apenas de um profissional de imprensa.\u201d<\/p>\n<p>No livro <em>Castelo de \u00c2mbar (2000)<\/em>, Mino escreve na pelo de seu <em>auter-ego<\/em> Perc\u00facio Parla:<\/p>\n<p>\u201cA morte de Vladimir Herzog \u00e9 o ponto de ruptura. Mino sabe que a sua concep\u00e7\u00e3o de jornalismo j\u00e1 n\u00e3o se justifica \u00e0 sombra da arvorezinha, s\u00edmbolo da Abril, e o impele na dire\u00e7\u00e3o de outras experi\u00eancias.\u201d<\/p>\n<p>Durante encontro com estudantes na Universidade Metodista, em 2005, o diretor de Reda\u00e7\u00e3o da Carta Capital retomou o tema e acrescentou:<\/p>\n<p>\u201cNaquele momento, apesar de tudo, apesar dos riscos, sent\u00edamos uma grande esperan\u00e7a. Acho que a morte do Herzog \u00e9 um ponto de partida muito importante. As contradi\u00e7\u00f5es da ditadura come\u00e7am efetivamente a se definir e a se revelar.\u201d<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Ainda nos anos 70, tivemos a atua\u00e7\u00e3o da chamada Imprensa Alternativa com a circula\u00e7\u00e3o de seman\u00e1rios combativos como<em> Ex<\/em>, <em>Opini\u00e3o<\/em>, <em>Movimento, <\/em>entre outros. Tinham fun\u00e7\u00e3o eminentemente pol\u00edtica \u2013 de den\u00fancia e oposi\u00e7\u00e3o ao militarismo \u2013 e eram feitos por jornalistas, intelectuais e ativistas pol\u00edticos.<\/p>\n<p>N\u00e3o se submetiam \u00e0 censura pr\u00e9via.<\/p>\n<p>E eram perseguidos ferozmente pelos grupos de apoio ao governo ditatorial.<\/p>\n<p>Como n\u00e3o tinham sede fixa e eram impressos em gr\u00e1ficas desconhecidas, a estrat\u00e9gia para dizim\u00e1-los foi explodir as bancas de jornais que se dispusessem a vend\u00ea-los e\/ou distribu\u00ed-los.<\/p>\n<p>N\u00e3o tiveram vida longa.<\/p>\n<p>A partir de 1979 \u2013 e at\u00e9 1984 \u2013 teve origem o abrandamento da censura pr\u00e9via nos jornais e revistas. O que s\u00f3 se configurou oficialmente em 1988 com o outorgamento da Constitui\u00e7\u00e3o Brasileira.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Os anos 80 chegam com a implementa\u00e7\u00e3o da chamada Era das M\u00eddias.<\/p>\n<p>Traduzindo: o jornalismo impresso come\u00e7a aqui a perder espa\u00e7os para a chamada m\u00eddia eletr\u00f4nica. At\u00e9 ent\u00e3o tendo como principais plataformas o R\u00e1dio e a TV.<\/p>\n<p>Os avan\u00e7os de novas tecnologias \u2013 mais leves e \u00e1geis \u2013 fazem com que esses dois ve\u00edculos se antecipem na divulga\u00e7\u00e3o das not\u00edcias do dia.<\/p>\n<p>Quando os jornais chegam \u00e0s bancas, o eventual leitor j\u00e1 est\u00e1 previamente informado do que aconteceu.<\/p>\n<p>Alguns pressupostos s\u00e3o fundamentais para tanto:<\/p>\n<ul>\n<li>a populariza\u00e7\u00e3o das FMs;<\/li>\n<li>as emissoras AMs, muitas, se assumem como prestadora de servi\u00e7o. Ou seja, mais espa\u00e7o para o jornalismo;<\/li>\n<li>a distens\u00e3o democr\u00e1tica;<\/li>\n<li>a dissemina\u00e7\u00e3o dos debates pol\u00edticos na TV;<\/li>\n<li>a retumbante audi\u00eancia do <em>Jornal Nacional<\/em>;<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u00d3bvio que este fen\u00f4meno toma fins mais contundentes com o <em>boom<\/em> da internet no decorrer dos anos 90.<\/p>\n<p>A web foi uma tijolada no mosaico do fazer jornalismo.<\/p>\n<p>E todos, desde ent\u00e3o, estamos aprendendo diariamente como faz\u00ea-lo.<\/p>\n<p>Se me permitem uma opini\u00e3o, menos opini\u00e3o e mais reportagens, amigos.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/uSiG6JXGQyo\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>Volto ao assunto proximamente&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><em>Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o do site Papo Cultura<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Continuemos com a aula \u2013 ops, a cr\u00f4nica de hoje que ainda tem como foco uma brev\u00edssima hist\u00f3ria do jornalismo brasileiro.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":22254,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[168,1141,74,1140,44,227,1139],"class_list":["post-22253","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-censura","tag-era-das-midias","tag-imprensa","tag-imprensa-alternativa","tag-jornalismo","tag-mino-carta","tag-vladimir-herzog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22253","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22253"}],"version-history":[{"count":4,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22253\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":22260,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22253\/revisions\/22260"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/22254"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22253"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22253"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22253"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}