{"id":22340,"date":"2020-03-31T12:50:36","date_gmt":"2020-03-31T12:50:36","guid":{"rendered":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=22340"},"modified":"2020-03-31T13:06:50","modified_gmt":"2020-03-31T13:06:50","slug":"fusca-70-anos-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/fusca-70-anos-no-brasil\/","title":{"rendered":"Fusca. 70 anos no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>Essa coisa de quarentena tem l\u00e1 seus achados.<\/p>\n<p>\u00c9 um tal de anda pra l\u00e1, anda pra c\u00e1 dentro de casa. Liga e desliga a TV. Mexe e cutuca o celular. Abre e fecha livros, pastas e gavetas \u2013 e foi numa dessas que encontrei um antigo recorte de jornal com uma reportagem que fiz ainda em 1974.<\/p>\n<p>A ilustra\u00e7\u00e3o original \u00e9 do cartunista Ayrton que colaborava com a gente l\u00e1 na velha reda\u00e7\u00e3o de piso assoalhado e grandes janel\u00f5es para a rua Bom Pastor.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Amigos e leitores, saibam, pois, que o jovem rep\u00f3rter que um dia eu fui teve a honrosa tarefa de entrevistar um dos primeiros brasileiros a montar o valente Volkswagem assim que o dito Fusca desembarcou em solo nativo.<\/p>\n<p>Ano santo de 1950.<\/p>\n<p>Ou seja,&#8230;<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 que o nosso destemido Fusca (quem nunca teve um?) completa 70 anos.<\/p>\n<p>Sei que n\u00e3o \u00e9 tempo prop\u00edcio para festas, mas creio que vale o registro.<\/p>\n<p>Vejam alguns trechos da reportagem com Sr. M\u00e1rio (M\u00e1rio Abido Calil) que, \u00e0 \u00e9poca da entrevista, tinha 52 anos, morava no bairro do Ipiranga e era taxista.<br \/>\n&#8230;<\/p>\n<p><em>\u201cDurante os dois primeiros anos, os Volkswagem eram montados sobre cavaletes de mandeira. Por mim e uma meia d\u00fazia de companheiros. Trabalh\u00e1vamos na Brasmotor que, at\u00e9 ent\u00e3o, era respons\u00e1vel pela montagem dos autom\u00f3veis da linha Chrysler, Dodge e De Sotto.\u201d<\/em><\/p>\n<p>\u2026<\/p>\n<p><em>\u201cNuma bela tarde, chegaram dois gringos (acho que eram americanos, s\u00f3 podiam ser), um engenheiro e um t\u00e9cnico sei-l\u00e1-do-qu\u00ea, para nos ensinar a montar aquele estranho ve\u00edculo de formas ovaladas e cores pouco atraentes \u2013 marrom, preto e cinza. Um olhou pro outro. O outro para o um, mas tocamos em frente. Servi\u00e7o \u00e9 servi\u00e7o.\u201d<\/em><\/p>\n<p>\u2026<\/p>\n<p><em>\u201cAinda como resqu\u00edcio da Segunda Grande Guerra, era proibida a instala\u00e7\u00e3o de f\u00e1bricas e qualquer empreendimento no Brasil origin\u00e1rios dos pa\u00edses pertencentes ao chamado Eixo do Mal \u2013 Alemanha, It\u00e1lia e Jap\u00e3o. Por isso, as pe\u00e7as dos Volks e de outros autom\u00f3veis eram enviadas aos Estados Unidos que assumiam o papel de intermedi\u00e1rios. Dali, os navios americanos, com livre acesso aos portos brasileiros, essas pe\u00e7as chegavam at\u00e9 n\u00f3s.\u201d<\/em><\/p>\n<p>\u2026<\/p>\n<p><em>\u201cMont\u00e1vamos cinco Volks todos os dias. Mas, quer saber? Os carros ficavam todos ali, largados no p\u00e1tio. A apar\u00eancia do carrinho parecia assustar, especialmente os compradores que moravam na Capital. Na \u00e9poca, s\u00f3 o Interior se apresentava com algum interesse e parecia ser um mercado pr\u00f3spero para o novo modelo. O pre\u00e7o era mais acess\u00edvel tamb\u00e9m. Menos que a metade do que era necess\u00e1rio para se comprar um Dodge sedam, por exemplo.\u201d<\/em><\/p>\n<p><em>\u2026<\/em><\/p>\n<p><em>\u201cQuando a Chrysler fechou a primeira f\u00e1brica por aqui, pois n\u00e3o houve acordo com o nosso governo, muitos dos meus colegas se transferiram para a rec\u00e9m-criada Volkswagem do Brasil em uma pequena oficina situada na rua do Manifesto, aqui, no Ipiranga. Pensei, pensei e achei melhor tocar minha vida como taxista. N\u00e3o reclamo da sorte. Gosto de ser motorista. E \u00e9 importante a gente fazer o que gosta, n\u00e3o?\u201d<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>&#8230;<iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/kuTCpocdQyQ\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Essa coisa de quarentena tem l\u00e1 seus achados.<\/p>\n<p>\u00c9 um tal de anda pra l\u00e1, anda pra c\u00e1 dentro de casa. 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