{"id":22388,"date":"2020-04-05T13:26:54","date_gmt":"2020-04-05T13:26:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=22388"},"modified":"2020-04-05T13:36:31","modified_gmt":"2020-04-05T13:36:31","slug":"o-que-o-tempo-leva","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/o-que-o-tempo-leva\/","title":{"rendered":"O que o tempo leva&#8230;"},"content":{"rendered":"<p><em>Foto: Arquivo Pessoal<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Amigos&#8230;<\/p>\n<p>Havia planejado publicar um novo livro ainda neste ano. Seria o s\u00e9timo de autoria deste maljambrado escrevinhador.<\/p>\n<p>N\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel, por \u00f3bvios motivos.<\/p>\n<p>Entonces&#8230;<\/p>\n<p>Quero promover aqui uma enquetizinha b\u00e1sica.<\/p>\n<p>Motivo: tenho em m\u00e3os os originais impressos dos primeiros cap\u00edtulos de um livro que escrevi, mas dava por esquecido e perdido. Visto que desapareceu entre o f\u00edgado e alma do meu primeiro notebook.<\/p>\n<p>O que pretendo saber de voc\u00eas \u00e9 o seguinte:<\/p>\n<p>Me arrisco \u00e0 proeza de\u00a0 tentar aqui public\u00e1-lo em cap\u00edtulos ou esque\u00e7o? Para o bem da literatura, e da paci\u00eancia de voc\u00eas.<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Vou lhes contar a minha saga.<\/p>\n<p>Alguns muitos anos atr\u00e1s, \u00e0s v\u00e9speras de come\u00e7ar o mestrado, empolguei-me com a aquisi\u00e7\u00e3o de um computador port\u00e1til. Antes do in\u00edcio das aulas propriamente ditas, passei todo um ver\u00e3o posando de romancista. Nada a fazer naquela pacata cidade do interior onde me refugiei, \u00a0ent\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>Vamos brincar de ser Deus, pensei.<\/p>\n<p>Para dar um cunho de mist\u00e9rio \u2013 e import\u00e2ncia, por que n\u00e3o &#8211; \u00e0 coisa, redigi tudo no compartimento secreto da engenhoca. Uma bobagem rodolfiana.<\/p>\n<p>Vieram as aulas na Universidade, o mestrado, o risca-faca das pesquisas e da disserta\u00e7\u00e3o, a qualifica\u00e7\u00e3o, a banca. Enfim, quando me lembrei do livro, havia inexoravelmente esquecido a senha.<\/p>\n<p>(Bem, acho que voc\u00eas j\u00e1 deviam estar imaginando\u2026)<\/p>\n<p>Fiz mais e pior.<\/p>\n<p>Nas idas e vindas do mestrado, um descuido, um tombo. E quebrou o tal do HD da jabirosca.<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>Para encurtar a hist\u00f3ria da hist\u00f3ria do livro perdido, uns 10 anos depois, numa arruma\u00e7\u00e3o qualquer, dei de cara com algumas dezenas de folhas amareladas pelo tempo e pelo descaso. Custei um tanto a reconhecer ali as anota\u00e7\u00f5es dos primeiros cap\u00edtulos, al\u00e9m de uma esquematiza\u00e7\u00e3o tosca, provavelmente a base do roteiro.<\/p>\n<p>Que, ali\u00e1s, \u00e9 bem simples.<\/p>\n<p>Baseia-se na trajet\u00f3ria de dois homens diferentes, mas iguais no jeito de amar \u2013 talvez, todos n\u00f3s sejamos assim.<\/p>\n<p>Ou n\u00e3o?<\/p>\n<p>A inspira\u00e7\u00e3o surgiu ap\u00f3s a leitura de uma entrevista de um famoso artista que, \u00e0 \u00e9poca, com sessenta anos, se prop\u00f4s a largar tudo e morar sozinho na montanha. Achei corajoso, e lindo.<\/p>\n<p>Imaginei ent\u00e3o um personagem com essa \u2018pegada\u2019 que havia amado todas as mulheres, mas agora n\u00e3o esquecia uma.<\/p>\n<p>Ou seja, acrescentei-lhe, ao meu bel prazer, uma paix\u00e3o imorredoura.<br \/>\nPor isso, e outras tantas coisas, a fuga para a montanha.<\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m conheci um figura que s\u00f3 fazia frequentar casas, digamos, assim-assim. De quando em quando.<\/p>\n<p>Um solit\u00e1rio.<\/p>\n<p>Um belo dia esse jovem senhor se apaixonou perdidamente por uma mo\u00e7a que (<em>de_sa_vi_sa_da_ men_te) <\/em>\u00a0cruzou o seu caminho num estacionamento da vida.<\/p>\n<p>Ele pirou.<\/p>\n<p>A mo\u00e7a, uma baiana sestrosa (seja l\u00e1 o que isso quer dizer), ficou com pena do rapaz e sempre lhe tratou com aten\u00e7\u00e3o e tal. O suficiente para que ele \u2018viajasse\u2019 de vez<\/p>\n<p>Claro que os amigos logo perceberam e passaram a incentivar a mentira como se fosse verdade.<\/p>\n<p>O mo\u00e7o chegou a tal grau de del\u00edrio que at\u00e9 o nome dos filhos j\u00e1 havia escolhido.<\/p>\n<p>Pois \u00e9\u2026<\/p>\n<p>Um dia a casa caiu.<\/p>\n<p>Caiu, n\u00e3o!<\/p>\n<p>Desabou ruidosamente.<\/p>\n<p>V.<\/p>\n<p>S\u00e3o esses dois personagens que se encontram numa viagem para o alto da Serra da Mantiqueira, onde ambos buscam ref\u00fagio da vida e das dores de amor.<\/p>\n<p>\u00c9 mais ou menos isso.<\/p>\n<p>Escrevi essa hist\u00f3ria em 98\/99, n\u00e3o lembro bem. Sei que foi em S\u00e3o Jos\u00e9 do Barreiro, ao p\u00e9 da Serra da Bocaina.<\/p>\n<p>Agora nesses dias de distanciamento social tive um impulso de resgat\u00e1-la e public\u00e1-la no Blog em forma de folhetim.<\/p>\n<p>Olhem a ousadia!<\/p>\n<p>Antes, por\u00e9m, precisaria do aval dessa ilustre bancada.<\/p>\n<p>Pronunciem-se, pois\u2026<br \/>\nVI.<\/p>\n<p>Aguardo a decis\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas, n\u00e3o demorem.<\/p>\n<p>Porque o que se demora \u00e9 o que o tempo leva\u2026<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 nada dif\u00edcil eu esquecer que havia me lembrado do livro que havia esquecido.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/_h-DkxBtnoI\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><em>Foto: Arquivo Pessoal<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Amigos&#8230;<\/p>\n<p>Havia planejado publicar um novo livro ainda neste ano. 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