{"id":22430,"date":"2020-04-12T12:35:40","date_gmt":"2020-04-12T12:35:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=22430"},"modified":"2020-04-12T12:44:31","modified_gmt":"2020-04-12T12:44:31","slug":"o-que-o-tempo-leva-6","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/o-que-o-tempo-leva-6\/","title":{"rendered":"O que o tempo leva&#8230; (6)"},"content":{"rendered":"<p><strong>UMA NOVELA BLOGUEIRA &#8211;<\/strong><em> (Foto: Wilson Luque)<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>O tal de Fil\u00f3sofo \u00e9 um bom cora\u00e7\u00e3o, interveio em meu favor.<\/p>\n<p>Ou est\u00e1 me tirando?<\/p>\n<p>N\u00e3o sei se devo, mas fico de sobreaviso<\/p>\n<p>Deixa ver se euzinho aqui entendeu (que \u00e0s vezes vario e dou defeito).<\/p>\n<p>Na idade em que estou aparecem os tiques, eu sei.<\/p>\n<p>Mas, pera\u00ed, chamar um tioz\u00e3o pra cuidar de outro tioz\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>\u00c9 preocupante.<\/p>\n<p>Tudo no mundo, pra valer uma conclus\u00e3o, tem \u201cum por exemplo\u201d.<\/p>\n<p>Ou n\u00e3o?<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Era redator do jornal.<\/p>\n<p>No lusco-fusco de um macio fim de tarde, sobrou para mim a aspereza da transcri\u00e7\u00e3o da palestra do professor Rubem Alves. Uma m\u00e3o de obra legal, decupar fitas de grava\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Encarei que n\u00e3o sou de rejeitar trabalho.<\/p>\n<p>No final, at\u00e9 gostei &#8211; e muito &#8211; do que ouvi.<\/p>\n<p>Alves encontrou-se com professores da rede p\u00fablica de Educa\u00e7\u00e3o do Estado de S\u00e3o Paulo, acho.<\/p>\n<p>Foi mais uma conversa gostosa bem a seu (dele) feitio, dessas que educam sem a pretens\u00e3o e o tom de Aula Magna.<\/p>\n<p>Tratou, como de h\u00e1bito, sobre o homem, esse ser vivente, e sua passagem pelo Planeta Terra.<\/p>\n<p>Saiu l\u00e1 dos prim\u00f3rdios da Humanidade e veio vindo, saboreando as palavras num tom de saga e destino.<\/p>\n<p>De tudo, um pouco.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Come\u00e7ou citando Albert Camus, o escritor:<\/p>\n<p>\u201cS\u00f3 tardiamente ganhamos coragem de assumir o que somos e o que sabemos\u201d.<\/p>\n<p>Tardiamente, ressaltou. Na velhice.<\/p>\n<p>&#8211; Como estou velho \u2013 disse. &#8211; Ganhei coragem pra dizer algumas impertin\u00eancias.<\/p>\n<p>&#8211; Exemplo, continuou. &#8211; N\u00e3o acredito nessa hist\u00f3ria de \u201co povo unido jamais ser\u00e1 vencido\u201d.<\/p>\n<p>Deu pra ouvir o \u201c\u00f3\u00f3\u00f3\u00f3\u00f3\u00f3\u201d da plateia.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>N\u00e3o tenho as loas e proas do venerando e saudoso professor.<\/p>\n<p>Mas, tamb\u00e9m posso me considerar rodado o suficiente para me comprazer com algumas impertin\u00eancias.<\/p>\n<p>A verdade \u2013 escreveu Rubem Braga, o Rei dos Reis da cr\u00f4nica nativa \u2013 n\u00e3o \u00e9 o tempo que passou. A verdade \u00e9 o instante.<\/p>\n<p>(Vou tascar essa quando reencontrar o dito Fil\u00f3sofo.<\/p>\n<p>Acho que ele n\u00e3o conhece \u2013 e vai me respeitar como bom fraseador.<\/p>\n<p>Que bobagem.)<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>N\u00e3o importa.<\/p>\n<p>Pretendo mesmo \u00e9 ficar aqui. De boa, num canto ensolarado qualquer a olhar as montanhas, o c\u00e9u&#8230;<\/p>\n<p>Essas riquezas que pouco se tem na Metr\u00f3pole onde insisto em viver e, com a gra\u00e7a divina, sobreviver.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o acredito nessa hist\u00f3ria de \u201cpovo unido\u201d.<\/p>\n<p>Quantos povos existem dentro do que se imagina ser um s\u00f3 povo? Sonhos, aspira\u00e7\u00f5es, h\u00e1bitos, culturas, virtudes, mazelas &#8211; cada tribo tem as suas.<\/p>\n<p>Olho a movimenta\u00e7\u00e3o dos mochileiros, dos funcion\u00e1rios, dos bocaneiros (ou bocainenses), eu mesmo&#8230; Somos iguais, mas diferentes.<\/p>\n<p>Ou n\u00e3o?<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>A vida, por vezes, precisa de uma pausa.<\/p>\n<p>Se o dito compadre Tio Carlos, me procurar, n\u00e3o lhe dou muita conversa. Invento uma desculpa na hora, desbaratino. Prometo prometido n\u00e3o baixar o Carcamano.<\/p>\n<p>\u00c9 prov\u00e1vel que seja mais f\u00e1cil do que subir e descer esses nacos de terra por aqui, trilhas \u00edngremes, atravessar riachos em pinguelas improvisadas e ouvir as palavras de ordem dos prestativos guias.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Al\u00e9m do que, logo, logo, tudo isso aqui fica em sil\u00eancio.<\/p>\n<p>O pessoal j\u00e1 me esqueceu entretido com a partida para os tais passeios.<\/p>\n<p>Todos est\u00e3o ruidosamente euf\u00f3ricos. Parece que v\u00e3o escalar o Everest ou desvendar os mist\u00e9rios da Arca Perdida, tamanha a movimenta\u00e7\u00e3o dos arremedos de Indiana Jones.<\/p>\n<p>Eu, hein!<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>\u00c0 francesa, aproveito para dar um perdido at\u00e9 o casar\u00e3o do s\u00e9culo 19, \u00e9poca dos prim\u00f3rdios do plantio do caf\u00e9 no Brasil.<\/p>\n<p>(Algu\u00e9m me disse isso.)<\/p>\n<p>Se o Tio Carlos, aquele que \u00e9 bacana, \u00e9 legal, procurar por mim na Pousada, j\u00e1 era.<\/p>\n<p>Vai ficar no vazio.<\/p>\n<p>Trata-se, pois, de mais uma brev\u00edssima impertin\u00eancia que hoje pretendo perpetrar.<\/p>\n<p>Nada tanto assim, convenhamos.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/g_tx-qfOeDU\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><em><strong>Feliz e Santa P\u00e1scoa, amigos!<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><strong>UMA NOVELA BLOGUEIRA &#8211;<\/strong><em> (Foto: Wilson Luque)<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>O tal de Fil\u00f3sofo \u00e9 um bom cora\u00e7\u00e3o, interveio em meu favor.<\/p>\n<p>Ou est\u00e1 me tirando?<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":22431,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[1207,1210,1211,1209,596,1208],"class_list":["post-22430","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-folhetim","tag-o-ator","tag-o-filosofo","tag-o-que-o-tempo-leva","tag-romance","tag-uma-novela-blogueira"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22430","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22430"}],"version-history":[{"count":3,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22430\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":22434,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22430\/revisions\/22434"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/22431"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22430"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22430"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22430"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}