{"id":22462,"date":"2020-04-18T12:35:20","date_gmt":"2020-04-18T12:35:20","guid":{"rendered":"http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=22462"},"modified":"2020-04-18T12:51:31","modified_gmt":"2020-04-18T12:51:31","slug":"o-que-o-tempo-leva-12","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/o-que-o-tempo-leva-12\/","title":{"rendered":"O que o tempo leva&#8230; (12)"},"content":{"rendered":"<p><strong>UMA NOVELA BLOGUEIRA &#8211; <\/strong><em>(Foto: Arquivo Pessoal)<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>&#8211; A vida do amigo Felisberto, o Fil\u00f3sofo, \u00e9 digna de um livro.<\/p>\n<p>&#8211; A nossa, compadre, a nossa&#8230;<\/p>\n<p>Falou e disse Carlos Art\u00falio \u00a0que se achega \u00e0 nossa conversa sem que nos d\u00e9ssemos conta.<\/p>\n<p>Como sempre, rouba a cena.<\/p>\n<p>Chega chegando \u2013 e dizendo:<\/p>\n<p>&#8211; Vou lhe dizer. At\u00e9 planejei uma miniss\u00e9rie. Me intriga: temos trajet\u00f3rias diversas e, por fim, t\u00e3o semelhantes. H\u00e1 um belo arcabou\u00e7o dramat\u00fargico nesse encontro. Um roteiro, sabe? Nossas andan\u00e7as por aqui, algumas reflex\u00f5es. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que o chamam de fil\u00f3sofo. Moinhos de ventos, e dulcineias a perderem-se de vista na linha dos sonhos e da mem\u00f3ria. At\u00e9 rabisquei uma sinopse.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>O Cavaleiro Andante e seu fiel escudeiro?<\/p>\n<p>Mostro interesse pelo tema.<\/p>\n<p>Sempre me interessou escrever reportagens na \u00e1rea do comportamento, entender o complexo tecer dos fios dessa intrincada teia social que chamam de sociedade, sem sociologismos que n\u00e3o sou desse porte. Encontros e desencontros, algo mais ch\u00e3o mesmo, o dia a dia, longe de qualquer tese acad\u00eamica. Ser assim uma esp\u00e9cie de historiador do cotidiano.<\/p>\n<p>Algo que a Literatura, a arte em si, capta, no meu modesto modo de pensar, mais do que qualquer ci\u00eancia social.<\/p>\n<p>&#8211; Dom Quixote e Sancho Pan\u00e7a, faz sentido.<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o ouse o sapateiro ir al\u00e9m das chinelas, diz Felisberto, o Fil\u00f3sofo, e eventual Sancho Pan\u00e7a da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Carlos Art\u00falio rebate:<\/p>\n<p>&#8211; Menos Italiano, menos \u00e9 mais, lembre-se. Nada tanto assim. Apenas homens comuns num lugar que o admir\u00e1vel mundo novo, tecnol\u00f3gico e brutalizado, esqueceu. At\u00e9 h\u00e1 pouco se dizia que viv\u00edamos a era dos sentimentos l\u00edquidos, fugazes. N\u00e3o \u00e9 assim?<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Gosto de ouvir o ator.<\/p>\n<p>&#8211; Por\u00e9m, e sempre existe um por\u00e9m, como dizia meu amigo Pl\u00ednio Marcos, o pessoal da TV n\u00e3o topou o projeto. Quer dizer, at\u00e9 topou. Mas, a proposta era nos juvenilizar. Dar a\u00e7\u00e3o \u00e0s loca\u00e7\u00f5es na Bocaina. Ser\u00edamos \u2013 eu e o Fil\u00f3sofo, os personagens \u2013 praticantes de esportes radicais. Rapel, alpinismo, trilhas, rafting \u2013 um Juba e Lula do s\u00e9culo 21. Ou seja, nada entenderam do que propus. Queria mostrar o resgate de valores como fraternidade, respeito \u00e0 natureza, coletivismo, a dimens\u00e3o do belo e do necess\u00e1rio nas coisas simples, sensatas e sinceras.<\/p>\n<p>Conclui, sem alterar o tom de voz:<\/p>\n<p>&#8211; Ent\u00e3o, foi minha vez de dizer n\u00e3o. Que sentido faria?<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Que pena, digo. Num recurso baixo para continuar a conversa.<\/p>\n<p>&#8211; E a\u00ed?<\/p>\n<p>&#8211; A\u00ed, nada, Italiano. Guardei a papelada no meio dos livros velhos e de outras poucas tranqueiras que guardo no chal\u00e9. Sinceramente, nem sei que fim levou. Lembra o que lhe falei da ilus\u00e3o de sermos relevantes para o mundo, para as pessoas? Tudo se resume \u00e0 consci\u00eancia em reconhecer as verdades que o tempo leva.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Reparo que o Fil\u00f3sofo se apoquenta com a nostalgia do amigo \u2013 e se adianta em melhorar o \u00e2nimo:<\/p>\n<p>&#8211; O compadre \u00e9 muito generoso. Um poeta que prefere os atos \u00e0s palavras. Viveu grandes amores, grandes personagens, grandes momentos. Dias de gl\u00f3rias. Depois veio pra c\u00e1 para repartir com a gente toda essa rica jornada, como um igual. A vida dele, sim, d\u00e1 um livro.<\/p>\n<p>&#8211; Est\u00e1 mais para um folhetim do tempo do Imp\u00e9rio, amigo Felisberto.<\/p>\n<p>Do nada, assim, o Ator com A mai\u00fasculo saiu-se com um lindo poema:<\/p>\n<p><em>Somos fi\u00e9is<\/em><\/p>\n<p><em>Aos amores imposs\u00edveis<\/em><\/p>\n<p><em>\u00c0s vozes de ontem<\/em><\/p>\n<p><em>\u00c0s promessas de eternidade<\/em><\/p>\n<p><em>\u00c0 m\u00e3o do companheiro<\/em><\/p>\n<p><em>E ao olhar da amiga<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>H\u00e1 sil\u00eancios que s\u00e3o reveladores.<\/p>\n<p>Aqueles breves segundos, por exemplo.<\/p>\n<p>Embevecimento.<\/p>\n<p>De repente, surpresos, ouvimos o romper de aplausos e mais aplausos.<\/p>\n<p>Como assim?<\/p>\n<p>Todos olhavam para n\u00f3s (para ele, no caso, mais especialmente).<\/p>\n<p>Gritinhos de uhuh!<\/p>\n<p>&#8211; Bravo!<\/p>\n<p>&#8211; Bis, bis, bis.<\/p>\n<p>Ele agradeceu cerimonioso \u2013 e disse o nome do poema e do autor:<\/p>\n<p><em>Fidelidade<\/em>, do amigo Mauro Salles, publicit\u00e1rio e sens\u00edvel poeta.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Fil\u00f3sofo me puxa pelo bra\u00e7o e diz baixinho:<\/p>\n<p>&#8211; \u00c9 sempre assim. O Compadre Tio Carlos sempre que aparece, \u00a0rouba a cena.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/iXrqys6fQtg\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><strong>UMA NOVELA BLOGUEIRA &#8211; <\/strong><em>(Foto: Arquivo Pessoal)<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>&#8211; A vida do amigo Felisberto, o Fil\u00f3sofo, \u00e9 digna de um livro.<\/p>\n<p>&#8211;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":21960,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[1207,1210,1211,1209,596,1208],"class_list":["post-22462","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-folhetim","tag-o-ator","tag-o-filosofo","tag-o-que-o-tempo-leva","tag-romance","tag-uma-novela-blogueira"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22462","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22462"}],"version-history":[{"count":5,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22462\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":22467,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22462\/revisions\/22467"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/21960"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22462"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22462"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22462"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}