{"id":22468,"date":"2020-04-19T13:05:45","date_gmt":"2020-04-19T13:05:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=22468"},"modified":"2020-04-19T13:25:59","modified_gmt":"2020-04-19T13:25:59","slug":"o-que-o-tempo-leva-13","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/o-que-o-tempo-leva-13\/","title":{"rendered":"O que o tempo leva&#8230; (13)"},"content":{"rendered":"<p><strong>UMA NOVELA BLOGUEIRA &#8211; <\/strong><em>(Leila Cunha)<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Algu\u00e9m \u2013 n\u00e3o sei se foi algum funcion\u00e1rio \u2013 ligou o som da Pousada.<\/p>\n<p>A voz de Fl\u00e1vio Venturini ecoou a conhecida toada mineira:<\/p>\n<p>\u201cE l\u00e1 se vai mais um dia&#8230;\u201d<\/p>\n<p>Por conta e risco, junto para mim mesmo dois outros trechos a rememorar o l\u00fadico <em>Clube da Esquina<\/em>:<\/p>\n<p>\u201cQue a chama n\u00e3o tem pavio, pois&#8230;\u201d<\/p>\n<p>Os sonhos n\u00e3o envelhecem\u201d<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Ainda por conta e risco, penso reverente em Carlos Art\u00falio e Felisberto, dois sonhadores.<\/p>\n<p>Quem mais assim haver\u00e1 por aqui?<\/p>\n<p>Dif\u00edcil dizer a luz e os mist\u00e9rio que cada um traz dentro de si.<\/p>\n<p>Talvez \u2013 e humildemente \u2013 eu poderia me incluir entre os tais. Com minhas limita\u00e7\u00f5es e parvo ceticismo.<\/p>\n<p>H\u00e1 um tempo para ler &#8211; e outro para reler.<\/p>\n<p>Assim s\u00e3o os livros, a vida, os amores.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 que se faz hora de ir.<\/p>\n<p>Reparo o vaiv\u00e9m de todos \u2013 e do Felisberto, o fil\u00f3sofo-motorista em especial.<\/p>\n<p>Vim com ele, acredito que devo voltar no mesmo carro.<\/p>\n<p>Foi um dia e tanto.<\/p>\n<p>Acertei em ficar.<\/p>\n<p>Por falar em ficar, e se o Degas aqui esticasse a estada por mais uns dois ou tr\u00eas dias na Pousada Estrela dos Bo\u00eamios?\u00a0 (Eita nome lindo, inspirador!)<\/p>\n<p>Seria uma trabalheira e tanto.<\/p>\n<p>V\u00e3o me chamar de turr\u00e3o de novo \u2013 e sempre. Estou s\u00f3 com a roupa do corpo e (que os novos amigos n\u00e3o nos ou\u00e7a) o celular descarregado&#8230;<\/p>\n<p>Deixa pra l\u00e1.<\/p>\n<p>Um dia eu volto.<\/p>\n<p>Assim como voltei para o para\u00edso da praia de Maria Gorda na acolhedora Ilha de Cuba, para Brugges \u2013 a cidade onde se imagina estar dentro de um pres\u00e9pio, para Sorrento, o sol de Sorrento&#8230;<\/p>\n<p>Sou um tratante.<\/p>\n<p>Sempre submisso ao autoengano.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Carlos Art\u00falio continua por a\u00ed. A divertir-se e divertir os convivas. D\u00e1 para perceber que ganhou um ruidoso f\u00e3 clube. Lembro que, quando na ativa, um de seus (dele) espet\u00e1culos mais aplaudidos foi um recital a partir da obra de Fernando Pessoa. Era um tempo dif\u00edcil, dos horrores ditatoriais. Sua arte representou um b\u00e1lsamo para nosso desalento, de ent\u00e3o:<\/p>\n<p><em>N\u00e3o sou nada.<\/em><\/p>\n<p><em>Nunca serei nada.<\/em><\/p>\n<p><em>Nunca posso querer ser nada.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00c0 parte isso, tenho em mim<\/em><\/p>\n<p><em>Todos os sonhos do mundo<\/em><\/p>\n<p>Agora, por\u00e9m e adequadamente, est\u00e1 mais ameno.<\/p>\n<p>Ouvi a pouco ele declamar Mario Quintana, a frase poema que em si s\u00f3 se basta:<\/p>\n<p><em>O tempo \u00e9 um ponto de vista do rel\u00f3gio.<\/em><\/p>\n<p><em>&#8230;<\/em><\/p>\n<p>O tempo e a dist\u00e2ncia, eu diria.<\/p>\n<p>Ainda e a prop\u00f3sito daqueles idos em que cismei de percorrer o Caminho de Santiago, uma amiga, a esot\u00e9rica Solange K (nunca descobri o nome verdadeiro), ao saber das minhas v\u00e3s inten\u00e7\u00f5es, foi direta e reta:<\/p>\n<p>&#8211; Pra que ir t\u00e3o longe? Se mesmo por aqui temos a oportunidade reveladora da peregrina\u00e7\u00e3o nossa de cada dia. Dar conta dos afazeres e compromissos di\u00e1rios a cumprir, eis o passo que faz o caminho.<\/p>\n<p>Confesso. Num primeiro momento, eu a vi como uma grand\u00edssima estraga-prazer. S\u00f3 me conformei, quando deu o veredicto:<\/p>\n<p>&#8211; Mago n\u00e3o \u00e9 quem quer. \u00c9 quem se d\u00e1 ao trabalho.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Melhor acompanhar a movimenta\u00e7\u00e3o da turma.<\/p>\n<p>Come\u00e7aram as despedidas.<\/p>\n<p>Aceno para Carlos Art\u00falio:<\/p>\n<p>&#8211; Prazer conhec\u00ea-lo. Eu volto&#8230;<\/p>\n<p>Ele sorri, retribui a promessa com as m\u00e3os espalmadas para o alto.<\/p>\n<p>N\u00e3o preciso dizer, mas digo.<\/p>\n<p>N\u00e3o lhe deixam em paz.<\/p>\n<p>Pedem, suplicam o n\u00famero do celular que ele n\u00e3o tem, garante.<\/p>\n<p>&#8211; Por isso, gente boa, estou fora das tais redes sociais. N\u00e3o me ver\u00e3o no Face, no Instagran, no WhatSaap&#8230;<\/p>\n<p>\u00d3 indigna\u00e7\u00e3o de todos e todas!<\/p>\n<p>Mas, qual a raz\u00e3o, perguntam.<\/p>\n<p>&#8211; Perdoem-me a franqueza. N\u00e3o gostaria que me seguissem. N\u00e3o tenho para onde ir. Estarei sempre por aqui. Voltem quando quiser. De resto, nessa altura da vida, estou dispensado de\u00a0 seguir quem quer que seja.<\/p>\n<p>Nada de adeus, portanto.<\/p>\n<p>&#8211; S\u00f3 cafezinho, com p\u00e3o de queijo. Sirvam-se&#8230;<\/p>\n<p>Oba!<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/4RWMzcRgYsc\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><strong>UMA NOVELA BLOGUEIRA &#8211; <\/strong><em>(Leila Cunha)<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Algu\u00e9m \u2013 n\u00e3o sei se foi algum funcion\u00e1rio \u2013 ligou o som da Pousada.<\/p>\n<p>A voz de Fl\u00e1vio Venturini ecoou a conhecida toada mineira:<\/p>\n<p>\u201cE l\u00e1 se vai mais um dia&#8230;\u201d<\/p>\n<p>Por conta e risco,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":20613,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[1207,1210,1211,1209,596,1208],"class_list":["post-22468","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-folhetim","tag-o-ator","tag-o-filosofo","tag-o-que-o-tempo-leva","tag-romance","tag-uma-novela-blogueira"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22468","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22468"}],"version-history":[{"count":5,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22468\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":22473,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22468\/revisions\/22473"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/20613"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22468"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22468"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22468"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}