{"id":22503,"date":"2020-04-23T12:08:37","date_gmt":"2020-04-23T12:08:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=22503"},"modified":"2020-04-23T14:10:08","modified_gmt":"2020-04-23T14:10:08","slug":"o-que-o-tempo-leva-17","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/o-que-o-tempo-leva-17\/","title":{"rendered":"O que o tempo leva&#8230; (17)"},"content":{"rendered":"<p>UMA NOVELA BLOGUEIRA &#8211; (Foto: J\u00f4 Rabelo)<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>O ATOR em algum momento antes da <\/em><\/strong><strong><em>virada do s\u00e9culo. 1996 ou 97. 98, talvez&#8230;<\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ela n\u00e3o veio. E n\u00e3o vir\u00e1.<\/p>\n<p>Sei bem que \u00e9 assim e assim implacavelmente ser\u00e1\u2026<\/p>\n<p>Pior para mim, catat\u00f4nico Don Juan das quebradas desse mundar\u00e9u. Fim de linha. Estilha\u00e7os de bobeiras que arranham e machucam alma e cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, quer saber\u2026<\/p>\n<p>Sempre soube que n\u00e3o viria mesmo quando ela tentava firmemente me convencer de que estava enganado.<\/p>\n<p>Havia qualquer coisa em seu olhar, em sua proximidade que nos fazia iguais, c\u00famplices, comum de dois. Enrolados nas tais ondas eletromagn\u00e9ticas dos sentimentos que n\u00e3o se explicam.<\/p>\n<p>Mas perturbam, ofuscam, dominam.<\/p>\n<p>Tentei chamar pela raz\u00e3o. Bobagem. Queria mais. Achei que poderia. Que merecia. Velas ao vento. Soltei as amarras e deixei me levar mar afora. Ondas, vagas, vagalh\u00f5es. Furac\u00f5es e tornados. Rumo ao desconhecido (que todos conhecemos t\u00e3o bem).<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Sonho ou fantasia.<\/p>\n<p>Naufr\u00e1gio \u00e0 vista. Exagerei. A paix\u00e3o, puro af\u00e3. Valeu o nada, o vazio. Pouco importa. Navegar \u00e9 preciso. Viver tamb\u00e9m \u2013 e principalmente. Meio-amor, meio sentimento n\u00e3o existem.<\/p>\n<p>Metade de uma grande paix\u00e3o n\u00e3o \u00e9 nem metade, nem grande, muito menos paix\u00e3o.<\/p>\n<p>Mesmo agora, quando sei o que sei, olho para o port\u00e3o de acesso ao pr\u00e9dio, o estacionamento, os jardins, o sagu\u00e3o. Olho para todos os lugares. Procuro e procuro algum vest\u00edgio, a miragem ilus\u00e3o de v\u00ea-la chegando como tantas vezes chegou sem que eu a esperasse.<\/p>\n<p>\u00c9 como rezar por um milagre.<\/p>\n<p>S\u00f3 que anjos e santos, querubins e serafins t\u00eam mais o que fazer do que dar ouvido \u00e0s minhas veleidades de pretenso Casanova que sequer gondolou pelos canais e becos de Veneza.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>N\u00e3o sei explicar.<\/p>\n<p>N\u00e3o sem fugir do \u00f3bvio das emo\u00e7\u00f5es prim\u00e1rias.<\/p>\n<p>Parece que, por todo o corpo, corre em vasos e art\u00e9rias um sangue envenenado que arde e queima e pressiona. Faz o cora\u00e7\u00e3o bater acelerado, como dizem mesmo\u2026 \u2018saltando pela boca\u2019.<\/p>\n<p>Como disse, n\u00e3o sei explicar \u2014 e h\u00e1 quem consiga?<\/p>\n<p>Mas queria muito entender o sim e o n\u00e3o desses romances tortos, como o anjo de Drummond.<\/p>\n<p>Amea\u00e7am, insinuam. Mas, n\u00e3o se completam.<\/p>\n<p>Talvez ela n\u00e3o tivesse nada melhor para fazer naquelas breves noites. O que se falou, o que se prop\u00f4s, o que se fez e o que se deixou de fazer. Jogo de sedu\u00e7\u00e3o. Toques sutis. Um jeito de corpo para acomodar o desejo que amea\u00e7ava transbordar.<\/p>\n<p>Quer\u00edamos demais ser felizes \u2013 s\u00f3 que cada um a seu modo, em seu mundo.<\/p>\n<p>Quem sabe seja por a\u00ed.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Representamos o tudo, o tudo que gostar\u00edamos de ser e ter \u2013 e n\u00e3o somos e n\u00e3o temos mais.<\/p>\n<p>Autoengano, duplo.<\/p>\n<p>Depois o reencontro sempre adiado.<\/p>\n<p>Ou seria o verdadeiro encontro?<\/p>\n<p>As desculpas, ao telefone.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o quero mudar minha decis\u00e3o.<\/p>\n<p>Voc\u00ea sabe embarco para Londres na outra sexta\u201d.<\/p>\n<p>O recado no e-mail, dias depois.<\/p>\n<p>\u201cQuero lhe ver\u2026<\/p>\n<p>Se tiver coragem, apare\u00e7o a\u00ed amanh\u00e3\u201d.<\/p>\n<p>Ela sempre soube que n\u00e3o viria. Mesmo assim acreditou na possibilidade.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Fez quest\u00e3o de insinuar que sim.<\/p>\n<p>Da intensidade do n\u00e3o, eu bem sabia.<\/p>\n<p>Era como zerar nossas vidas.<br \/>\nInsistimos em nos enganar.<\/p>\n<p>Mas, reconhe\u00e7o: fui eu o boneco jo\u00e3o-teimoso da trama. Imaginei: tinha tudo para dar certo. Motivos, ali\u00e1s, n\u00e3o faltavam.<\/p>\n<p>Enganei-me desde o primeiro momento.<\/p>\n<p>Assimilei como absoluta a tal hist\u00f3ria que ela contou sobre a outra metade da laranja. Acreditei em alma g\u00eamea, ponto luminoso, reencontro c\u00f3smico e outros ledos enganos.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m pudera.<\/p>\n<p>Se eu a tivesse projetado, poderia usar todos os requintes das novas tecnologias, reunir ingredientes das sete maravilhas, girar ao redor do Planeta em nome da ci\u00eancia e, estou certo, n\u00e3o sairia t\u00e3o perfeita, t\u00e3o linda. O contato foi imediato. Tudo levava crer que sim. Luz e mist\u00e9rio.<\/p>\n<p>De que tela de cinema, ela saiu?<\/p>\n<p>Puxo pela mem\u00f3ria. Busco o insond\u00e1vel. Olho para o c\u00e9u. Corta os ares um jato que logo imagino ser da British Air Line. Naquele quase impercept\u00edvel ponto do infinito pode estar ela, a que n\u00e3o veio.<\/p>\n<p>N\u00e3o vir\u00e1.<\/p>\n<p>Algu\u00e9m a espera em Londres \u2013 ou em qualquer canto deste mund\u00e3o de meu Deus? \u00c9 prov\u00e1vel.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>S\u00f3 agora me dou conta que tamb\u00e9m andei nas nuvens.<\/p>\n<p>Como aqueles bimotores antigos, ali\u00e1s.<\/p>\n<p>Dei piruetas e rasantes, desenhei cora\u00e7\u00f5es de fuma\u00e7a e mergulhei em arriscados loopings. Tudo para encantar olhos que, a bem da verdade, j\u00e1 n\u00e3o me viam. Um baita equ\u00edvoco.<\/p>\n<p>Qualquer coisa como ir ao Iraque lutar por algo que, sempre soube, nunca seria meu.<\/p>\n<p>Ironia das ironias.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei o porqu\u00ea agora me veio a fala de uma personagem de Mill\u00f4r Fernandes que representei tantas vezes, h\u00e1 tantos e tantos anos:<\/p>\n<p><em>Melhor cair das nuvens\u2026<\/em><br \/>\n<em>\u2026 do que se estatelar do quarto anda<\/em>r.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><em><strong>23 de abril. Um canto. A ora\u00e7\u00e3o&#8230;<\/strong><\/em><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/lGtVjIUHgLw\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>UMA NOVELA BLOGUEIRA &#8211; (Foto: J\u00f4 Rabelo)<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>O ATOR em algum momento antes da <\/em><\/strong><strong><em>virada do s\u00e9culo.<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":20223,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[1207,1210,1211,1209,596,1208],"class_list":["post-22503","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-folhetim","tag-o-ator","tag-o-filosofo","tag-o-que-o-tempo-leva","tag-romance","tag-uma-novela-blogueira"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22503","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22503"}],"version-history":[{"count":8,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22503\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":22525,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22503\/revisions\/22525"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/20223"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22503"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22503"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22503"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}