{"id":22505,"date":"2020-04-24T11:23:04","date_gmt":"2020-04-24T11:23:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=22505"},"modified":"2020-04-23T14:16:02","modified_gmt":"2020-04-23T14:16:02","slug":"o-que-o-tempo-leva-18","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/o-que-o-tempo-leva-18\/","title":{"rendered":"O que o tempo leva&#8230; (18)"},"content":{"rendered":"<p>UMA NOVELA BLOGUEIRA &#8211; (Foto: Walter Silva)<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>ENQUANTO ISSO, ao mesmo tempo, em algum lugar da metr\u00f3pole&#8230;<\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Lucilinda, o nome.<\/p>\n<p>Forte, sonoro, retumbante.<\/p>\n<p>Quase um t\u00edtulo de nobreza para quem nasceu, como ela, sob o escaldante sol do nordeste. Ali\u00e1s, o nome lhe faz inteira justi\u00e7a. \u00c9 literalmente uma Lucilinda e se outros nomes e sobrenomes possui, certamente, de nada lhe valem. Lucilinda, s\u00f3 e basta. Todos se encantam assim onde quer que chegue.<\/p>\n<p>Sorriso largo a expressar uma cativante simpatia. Mais para cheinha, de irresist\u00edveis formas arredondadas. Morenice arrebatadora.<\/p>\n<p>Pois esta \u00e9 a Lucilinda, de vestidinho branco, \u00f3culos escuros e sensualidade \u00e0 toda prova, que sai do interior abafado do Fusc\u00e3o 71, e que para como Deus quer, no port\u00e3o principal do \u201cGera Park\u201d, onde Felisberto trabalha l\u00e1 se v\u00e3o uma penca de anos.<\/p>\n<p>Depois dessa apari\u00e7\u00e3o, a vida do gerente geral, como se auto-anuncia Felisberto, nunca mais ser\u00e1 a mesma. Diante daquele mulher\u00e3o com jeito de menina, ele se descontrola, fica tenso e teso.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Antes de falarmos do turbilh\u00e3o de emo\u00e7\u00f5es e sentimentos que invade su\u2019alma, vale conhecer o pacato cidad\u00e3o que atende pelo carinhoso apelido de Felisba, o implac\u00e1vel.<\/p>\n<p>Est\u00e1 pr\u00f3ximo dos 40, n\u00e3o \u00e9 letrado, nem tem grandes ambi\u00e7\u00f5es. Sempre trabalhou duro para sobreviver. Quando veio dos confins do Vale do Para\u00edba, da hist\u00f3rica cidade de Bananal (onde pousou o Imperador antes de seguir viagem para S\u00e3o Paulo e proclamar a Independ\u00eancia), perdeu de vista os irm\u00e3os e com a m\u00e3e s\u00f3 fala mesmo por telefone nessas datas formais. Natal, Ano Novo, o dia da pr\u00f3pria, principalmente no dia da pr\u00f3pria.<\/p>\n<p>O \u201cGera Park\u201d da avenida D. Pedro, Ipiranga, \u00e9 sua vida. L\u00e1 ele mora num improvisado c\u00f4modo e cozinha e trabalha diuturnamente. L\u00e1 os amigos se re\u00fanem para por a conversa em dia, discutir futebol, pol\u00edtica e at\u00e9 religi\u00e3o.<\/p>\n<p>Felisba s\u00f3 n\u00e3o fala de mulher.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>\u00c9 uma quest\u00e3o \u201cfechada\u201d. Uma vez ou duas por m\u00eas (dependendo do montante das \u201ccaixinhas\u201d e do desejo), ele visita um \u201cinferninho\u201d na rua Domingos de Moraes, resolve o que tem para resolver, preferencialmente com Cidinha, que tem um jeitinho especial de tratar das coisas.<\/p>\n<p>\u00c9 vapt-vupt.<\/p>\n<p>Volta depois para a rotina do estacionamento, sem altos nem sobressaltos, a bem da verdade como lhe conv\u00e9m e gosta.<\/p>\n<p>Apaixonou-se uma vez. \u201cSolamente una vez\u201d, como diz a can\u00e7\u00e3o, \u201cy nada mas\u201d. Tinha 25 anos e se enrabichou por Silmara, oito anos mais nova que ele. Foi coisa de meses \u2013 tr\u00eas ou quatro. Mas, o suficiente para lhe trincar a alma e a vida. Imaginava-se correspondido, pensava em casar, filhos, esses badulaques todos do mundo e da vida.<\/p>\n<p>Estava entusiasmado quando soube pela pr\u00f3pria sogra que Silmara, a meiga e angelical Sil, e o padrasto fugiram sem deixar vest\u00edgios, paradeiro e esperan\u00e7as.<\/p>\n<p>A coroa ainda tentou uma aproxima\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2014 Eles l\u00e1 e n\u00f3s aqui. Podemos tentar nos consolar, o que acha?<\/p>\n<p>Felisba balangou a cabe\u00e7a.<\/p>\n<p>Fez que n\u00e3o entendeu \u2013 ou n\u00e3o entendeu mesmo. Mas, em quest\u00e3o de dias, assimilou o golpe. Resignou-se ao imaginar o desespero da ex-sogra que perdeu a filha e o marido.<\/p>\n<p>\u2014 Essa coisa de amor n\u00e3o \u00e9 para mim. N\u00e3o sei lidar com isso. Se cuidar da minha vida do meu jeito.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Sem correr riscos de qualquer outra desilus\u00e3o amorosa seguiu em frente. Os anos se passaram, ele nem percebeu. Ganhou alguns quilos, perdeu o topete \u00e0 la Elvis. Mas n\u00e3o tinha do qu\u00ea e o porqu\u00ea se queixar.<\/p>\n<p>Isto at\u00e9 Lucilinda aparecer.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/R55k5m_y_x4\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>UMA NOVELA BLOGUEIRA &#8211; (Foto: Walter Silva)<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>ENQUANTO ISSO, ao mesmo tempo, em algum lugar da metr\u00f3pole&#8230;<\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":20829,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[1207,1210,1211,1209,596,1208],"class_list":["post-22505","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-folhetim","tag-o-ator","tag-o-filosofo","tag-o-que-o-tempo-leva","tag-romance","tag-uma-novela-blogueira"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22505","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22505"}],"version-history":[{"count":7,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22505\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":22527,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22505\/revisions\/22527"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/20829"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22505"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22505"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22505"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}