{"id":22528,"date":"2020-04-27T08:07:02","date_gmt":"2020-04-27T08:07:02","guid":{"rendered":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=22528"},"modified":"2020-04-27T12:47:00","modified_gmt":"2020-04-27T12:47:00","slug":"22528-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/22528-2\/","title":{"rendered":"O que o tempo leva&#8230; (21)"},"content":{"rendered":"<p>UMA NOVELA BLOGUEIRA &#8211; (Foto: Arquivo Pessoal)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><strong>FELISBERTO n\u00e3o \u00e9 mais o mesmo, ok! Mas, e Lucilinda? Eis a quest\u00e3o&#8230;<\/strong><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na verdade, n\u00e3o haveria de ser diferente.<\/p>\n<p>&#8220;Temos tantas coisas em comum&#8221; &#8211; diz para si mesmo o gerente geral enquanto acaricia a enorme fivela do cinto que traz a \u00e9pica inscri\u00e7\u00e3o <em>I Love Barretos<\/em>.<\/p>\n<p>Todos j\u00e1 perceberam que Felisba n\u00e3o \u00e9 mais o mesmo. Os conhecidos (amigos, v\u00e1 l\u00e1!), Sr. Camargo e, acreditem, a pr\u00f3pria Lucilinda.<\/p>\n<p>Que bicho lhe mordeu? &#8211; perguntam os mais enxeridos.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Felisba \u00e9 outro.<\/p>\n<p>N\u00e3o frequenta mais as bocas, nem os becos.<\/p>\n<p>N\u00e3o vai ao futebol.<\/p>\n<p>O carteado, ent\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>Diz que falta cabe\u00e7a pra por tento no ritmo das cartas.<\/p>\n<p>O que ele n\u00e3o diz \u00e9 que basta aparecer uma dama de copas, pronto, j\u00e1 associa a imagem \u00e0 da amada Lu e n\u00e3o a descarta nem com reza braba.<\/p>\n<p>Pode at\u00e9 perder o jogo.<\/p>\n<p>Abrir m\u00e3o da mulher da sua vida? Nem pensar.<\/p>\n<p>Todos concordam que a\u00ed tem &#8211; e \u00e9 m_u_l_h_e_r. S\u00f3 pode ser.<\/p>\n<p>Houve um gaiato que ousou fazer uma analogia:<\/p>\n<p>&#8211; O Ronaldo que \u00e9 o fen\u00f4meno n\u00e3o aguentou aquela loura\u00e7a e abriu o bico em plena final da Copa do Mundo da Fran\u00e7a, lembra? Como \u00e9 que o Felisba vai se segurar?<\/p>\n<p>Paciente, de bem consigo mesmo, deixa que a turma pense o que quiser. N\u00e3o lhe interessa sair por a\u00ed a cantar de galo porque as coisas n\u00e3o s\u00e3o definitivas ainda, embora estejam muito bem encaminhadas.<\/p>\n<p>Afinal, nasceram um para o outro.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Num dia de inspe\u00e7\u00e3o rotineira, Sr. Camargo estranha o jeit\u00e3o, digamos, intr\u00e9pido do dubl\u00ea de <em>cowboy<\/em> e funcion\u00e1rio.<\/p>\n<p>&#8211; Est\u00e1 tudo bem com voc\u00ea? &#8211; pergunta desconfiado.<\/p>\n<p>&#8211; \u00d3quei, chefe &#8211; responde Felisba entortando a boca e com indisfar\u00e7\u00e1vel alegria.<\/p>\n<p>Ao longe, ele v\u00ea o Fusc\u00e3o de Lu se aproximar. O cora\u00e7\u00e3o do caboclo (recente na indument\u00e1ria, mas as origens bananalescas podem dirimir qualquer d\u00favida) bate descompassado.<\/p>\n<p>Lucilinda nota &#8211; e, diga-se, n\u00e3o \u00e9 de hoje &#8211; que o<em> senhorzinho-malta<\/em> ali est\u00e1 com barulho de carro\u00e7a na cabe\u00e7a, e sup\u00f5e ser ela o motivo do ranger de rodas. Nota tamb\u00e9m que n\u00e3o h\u00e1 maldade e mal\u00edcia na figura que agora parece mais uma caricatura do Beto Carreiro.<\/p>\n<p>Ela o v\u00ea com apre\u00e7o, algo trapalh\u00e3o, generoso, ing\u00eanuo mesmo. Um forasteiro nos sinuosos caminho do amor, a tal flor roxa que nasce no cora\u00e7\u00e3o dos trouxas.<\/p>\n<p>Prefere ser cuidadosa no trato da quest\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o quer mago\u00e1-lo.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>A bem da verdade, n\u00e3o lhe incomoda em nada tais salamaleques.<\/p>\n<p>Por vezes, s\u00e3o divertidos.<\/p>\n<p>Ademais, sempre soube manter distantes os homens que n\u00e3o lhe interessaram.<\/p>\n<p>Lembrou o Patr\u00edcio, que se dizia presidente de uma escola de samba n\u00e3o sabe bem de onde.<\/p>\n<p>Era cheio das hist\u00f3rias. Pelejou, pelejou &#8211; e nada conseguiu.<\/p>\n<p>Chegou at\u00e9 a oferecer a fantasia de destaque principal pra ela desfilar no Carnaval. Disse mais: se ela quisesse, sairia de porta-bandeira, batuqueira, rainha da bateria, princesa, do que bem entendesse. At\u00e9 no lugar do pr\u00f3prio presidente.<\/p>\n<p>Reconhece que ficou um tanto inclinada a aceitar.<\/p>\n<p><em>Gurugudum<\/em>, oba! A avenida toda iluminada, olhares, aplausos, c\u00e2meras de TV&#8230;<\/p>\n<p>Mas, por fim, relevou e deixou o presidente bab\u00e3o babando. At\u00e9 porque a escola nem era do grupo especial. Ou seja, sem transmiss\u00e3o da Globo.<\/p>\n<p>N\u00e3o valia o sacrif\u00edcio.<\/p>\n<p>&#8211; Carnaval de S\u00e3o Paulo \u00e9 muito fub\u00e1, desprezou.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Felisba, n\u00e3o. Sol\u00edcito, prestativo, respeitoso. Fica todo tr\u00eamulo, sem jeito, quando ela o encara. E, malandramente, n\u00e3o lhe tira os olhos.<\/p>\n<p>Ele sua frio, tenta disfar\u00e7ar.<\/p>\n<p>&#8211; Dia lindo, n\u00e9, madame? Quer que eu guarde o carro? Assim a madame ganha uns minutinhos a mais no almo\u00e7o.<\/p>\n<p>A saber. Se Felisba pudesse editar os melhores momentos da sua humilde exist\u00eancia, incluiria sem vacilar todas as vezes que caminhou, lado a lado, com a amada Lu.<\/p>\n<p>Ela manobra o carro na vaga, l\u00e1 vai Felisba busc\u00e1-la. Sabe de cor. S\u00e3o 28 passos de pura magia do box que ocupa at\u00e9 o port\u00e3o do Gera Park. Ele saboreia cada vez que p\u00f5e e tira o p\u00e9 do ch\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 o seu nectar.<\/p>\n<p>Sente-se pleno, poderoso, feliz<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/qRHAVGQ2dxg\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>UMA NOVELA BLOGUEIRA &#8211; (Foto: Arquivo Pessoal)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><strong>FELISBERTO n\u00e3o \u00e9 mais o mesmo, ok! Mas, e Lucilinda? 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