{"id":22531,"date":"2020-04-28T07:14:42","date_gmt":"2020-04-28T07:14:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=22531"},"modified":"2020-04-28T18:06:41","modified_gmt":"2020-04-28T18:06:41","slug":"o-que-o-tempo-leva-22","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/o-que-o-tempo-leva-22\/","title":{"rendered":"O que o tempo leva&#8230; (22)"},"content":{"rendered":"<p>UMA NOVELA BLOGUEIRA &#8211; (Foto: Arquivo Pessoal)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><strong>Lorotas de um aloprado contra-regra e a revela\u00e7\u00e3o do palpitante romance, aquele que \u00e9 sem ainda nunca ter sido&#8230;<\/strong><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Foi num desses \u00eaxtases que o Sr. Camargo flagrou todo o lance.<\/p>\n<p>Entendeu o ululante do \u00f3bvio: a morena Lucilinda e o catat\u00f4nico funcion\u00e1rio caida\u00e7o por\u00a0 ela.<\/p>\n<p>Que hist\u00f3ria!<\/p>\n<p>Maldoso que s\u00f3.<\/p>\n<p>Bateu uma invejinha, creio.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Acontece que, al\u00e9m de dono do Gera Park Estacionamento, o Sr. Camargo era um inescrupuloso gozador, daqueles que se disp\u00f5e a perder o amigo (no caso, o funcion\u00e1rio) para n\u00e3o perder a piada.<\/p>\n<p>Embicando na curva derrapante dos 60, o tal \u00e9 cheio de contar causos.<\/p>\n<p>Guarda um jeito moleque de sacanear quem quer que seja.<\/p>\n<p>Quem o conhece mais \u00e0 vera diz que n\u00e3o faz por maldade e, sim, por instintiva divers\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 das antigas, n\u00e3o reparem, do tempo em que n\u00e3o havia o politicamente correto&#8221;.<\/p>\n<p>Trouxe este, digamos, pecadilho dos anos em que trabalhou de contra-regra na TV, nem sequer havia videotape e se fazia teleteatro na unha, ao vivo.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Todos na turma &#8211; inclusive o Felisberto &#8211; j\u00e1 sabiam de cor e salteado a lengalenga sobre o dia em que Camargo aprontou pra cima do grande Proc\u00f3pio Ferreira, ent\u00e3o o ator n\u00famero um da dramaturgia brasileira, aclamado e festejado at\u00e9 no continente europeu.<\/p>\n<p>&#8220;Morava numa mans\u00e3o, ali, perto do J\u00f3ckey Club&#8221; &#8211; cheio de querer mostrar intimidade.<\/p>\n<p>Ah, esse Sr. Camargo \u00e9 bom de conversa.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria \u00e9 a seguinte, vou lhes satisfazer a curiosidade:<\/p>\n<p>O personagem de Proc\u00f3pio Ferreira teria que, em cena, assassinar a mulher amada com dois tiros. Era o \u00e1pice da noite. TV ao vivo, como lhes disse, n\u00e3o permitia erros. Proc\u00f3pio, idem. Tomado de incontrol\u00e1vel ci\u00fames, o ator retiraria o rev\u00f3lver da gaveta de um dos m\u00f3veis do cen\u00e1rio e&#8230; bam! bam!&#8230; mataria Cleide Yaconis. Ou seria Lolita Rodrigues. Talvez fosse a Hebe Camargo. Ou mesmo a pr\u00f3pria filha, Bibi Ferreira.<\/p>\n<p>Nesse ponto, Sr. Camargo sempre muda o nome da atriz.<\/p>\n<p>Nosso indigesto contra-regra distraiu-se. Esqueceu e n\u00e3o colocou a arma no lugar combinado. E o grande Proc\u00f3pio n\u00e3o teve d\u00favidas. Tomado pelo fervor que a cena pedia &#8211; e com ganas de trucidar Camargo -, colocou dois dedos em riste mais o polegar para cima e acionou o imagin\u00e1rio gatilho&#8230; bam!bam!&#8230;executou M\u00e1rcia Real. Ou seria Nat\u00e1lia Thimberg, talvez fosse a Laura Cardoso.<\/p>\n<p>A coxia veio abaixo, tamanha gargalhada.<\/p>\n<p>A cena marcava o fim do segundo ato. Nunca ficou provado, mas \u00e9 bem prov\u00e1vel que o epis\u00f3dio determinou o adeus \u00e0 promissora carreira televisiva de Camargo. Ali\u00e1s, sempre que narra essa hist\u00f3ria, al\u00e9m de mudar o nome da atriz (&#8220;Acho que foi minha comadre Sonia Ribeiro?&#8221;), ele se autoproclama um injusti\u00e7ado:<\/p>\n<p>&#8211; Queiram ou n\u00e3o, merecia outra oportunidade. Afinal, protagonizei um dos cl\u00e1ssicos do improviso da TV brasileira.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Disposto a divertir-se como nos idos tempos, o Sr. Camargo ficou maquinando como poderia tirar proveito da situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>S\u00e1bado \u00e0 tarde seria uma boa ocasi\u00e3o, pensou.<\/p>\n<p>Os marmanjos v\u00e3o jogar um futebol-society e depois seguem para o\u00a0 Gera Park.<\/p>\n<p>L\u00e1 no fund\u00e3o armam a churrasqueira e comem e bebem e se espalham num papear at\u00e9 a madrugada de domingo. Bando de avulsos, sem fam\u00edlias&#8230;<\/p>\n<p>Pagode, n\u00e3o. A vizinhan\u00e7a reclama do batuque.<\/p>\n<p>Nem precisaria, a atra\u00e7\u00e3o j\u00e1 est\u00e1 programada:<\/p>\n<p>&#8220;Vamos zoar o Felisberto Carreiro.&#8221;<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/RhnTPYDhevQ\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>UMA NOVELA BLOGUEIRA &#8211; (Foto: Arquivo Pessoal)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><strong>Lorotas de um aloprado contra-regra e a revela\u00e7\u00e3o do palpitante romance, aquele que \u00e9 sem ainda nunca ter sido&#8230;<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":22570,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[1207,1210,1211,1209,596,1208],"class_list":["post-22531","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-folhetim","tag-o-ator","tag-o-filosofo","tag-o-que-o-tempo-leva","tag-romance","tag-uma-novela-blogueira"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22531","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22531"}],"version-history":[{"count":13,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22531\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":22608,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22531\/revisions\/22608"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/22570"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22531"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22531"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22531"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}