{"id":22548,"date":"2020-04-30T11:49:05","date_gmt":"2020-04-30T11:49:05","guid":{"rendered":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=22548"},"modified":"2020-04-29T21:48:05","modified_gmt":"2020-04-29T21:48:05","slug":"o-que-o-tempo-leva-24","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/o-que-o-tempo-leva-24\/","title":{"rendered":"O que o tempo leva&#8230; (24)"},"content":{"rendered":"<p>UMA NOVELA BLOGUEIRA &#8211; (Foto: ARQUIVO PESSOAL)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><strong>O AMOR, sentimento que contagia, e essa tal felicidade que sempre incomoda \u00e0queles que n\u00e3o sabem amar e, portanto, n\u00e3o sabem viver&#8230;<\/strong><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Rolam as pedras e os dias.<\/p>\n<p>Quase todas, mais dias, menos dias, despencam montanha abaixo.<\/p>\n<p>Os dias, enigmas a decifrar, tamb\u00e9m rolam s\u00f3 que \u00e0 pr\u00f3pria maneira, silenciosos ou n\u00e3o; transformadores, sempre. Mudam a vida, as fei\u00e7\u00f5es, os sentimentos. Nem sempre n\u00f3s, os passageiros da agonia, nos damos conta que, inclusive, transformam a n\u00f3s tamb\u00e9m &#8211; e como!<\/p>\n<p>O que n\u00e3o conseguiram mudar, creiam, foi o romance imagin\u00e1rio de Felisba e Lu.<\/p>\n<p>Novidade, novidade mesmo, Lucilinda trocou o Fusc\u00e3o verde 71 por um Ford Escort XR-3 preto turbinado.<\/p>\n<p>&#8220;Carro de cafa&#8221; no vatic\u00ednio de Tonh\u00e3o, o tal da chapa quente, aquele mesmo, quando v\u00ea o carango pela primeira vez.<\/p>\n<p>&#8211; Sei n\u00e3o, viu, a\u00ed tem&#8230;<\/p>\n<p>Novamente, \u00e9 o atento Sr. Camargo que interv\u00e9m em nome do funcion\u00e1rio e a favor da mo\u00e7a:<\/p>\n<p>&#8211; Tem o qu\u00ea, santo Deus? Se o nosso Berto Carreiro ouve, voc\u00ea vai ficar com a cara mais achatada do que j\u00e1 \u00e9. S\u00f3 v\u00ea maldade nas coisas. N\u00e3o conhece a mo\u00e7a, deixe implica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Lucilinda, convenhamos, tem l\u00e1 a vida fechada a sete chaves.<\/p>\n<p>\u00c9 simp\u00e1tica, mas n\u00e3o permite qualquer tipo de aproxima\u00e7\u00e3o. Trabalha num escrit\u00f3rio de contabilidade, d\u00e1 um duro danado para pagar o aluguel do espa\u00e7oso sobrado onde mora, pertinho do Gera Park, com a m\u00e3e e mais quatro irm\u00e3os.<\/p>\n<p>L\u00facio Mauro \u00e9 o ca\u00e7ula, nome de artista, de vez em quando aparece no estacionamento pra ver o carro da irm\u00e3.<\/p>\n<p>\u00c9 s\u00f3 o que se sabe.<\/p>\n<p>\u00c9 s\u00f3 o que ela permite aos outros saberem.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m nunca tocou no assunto do suposto romance com ela.<\/p>\n<p>Vez ou outra, Felisba lhe telefona sempre com uma desculpa. Um vazamento de \u00f3leo que ele, atento, detectou. Um esquecido farol aceso ou se quer que providencie a lavagem completa. Coisas que, a bem da verdade, um gerente geral zeloso nunca deixa escapar, especialmente se estiver apaixonado pela propriet\u00e1ria do autom\u00f3vel.<\/p>\n<p>\u00c9 tamb\u00e9m verdade que, por vezes, quase sempre, ele tenta esticar o assunto. Mas, n\u00e3o consegue engatar uma frase atr\u00e1s da outra quando sai do tem\u00e1rio que domina &#8211; carro, estacionamento, vazamento, farol&#8230;<\/p>\n<p>Ela mostra-se educada. Ouve, faz perguntas, agradece, despede-se.<\/p>\n<p>N\u00e3o quer mago\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Ele n\u00e3o merece.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Sempre que ouve a voz da mulher amada, a mo\u00e7a do XR-3 preto (assim \u00e9 agora conhecida no peda\u00e7o), Felisba fica euf\u00f3rico, digamos assim. Sonha com a vida comum, os filhos, os olhos invejosos da turma toda.<\/p>\n<p>Estranha s\u00f3 que, ultimamente, o pessoal anda com risinhos bobos, de canto de boca, quando o veem. Um cochichar daqui, outro dali. Bando de alcoviteiros, isto sim. N\u00e3o acreditam num grande amor.<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o suportam ver ningu\u00e9m feliz, conclui.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Sr. Camargo, n\u00e3o. Sempre que fala no assunto \u00e9 cordial, respeitoso. Um homem de classe.<\/p>\n<p>Outro dia mesmo sugeriu que Felisba mandasse flores para a amada.<\/p>\n<p>Disp\u00f4s-se at\u00e9 mesmo a lhe adiantar uns cobres para dar conta do ramalhete. Ali\u00e1s, nada de adiantamento, vale. Seria um presente da casa, afinal Felisba era um exemplar gerente-geral e, convenhamos, foi l\u00e1 que tudo come\u00e7ou.<\/p>\n<p>Sugeriu inclusive algumas frase de efeito r\u00e1pido no cora\u00e7\u00e3o das mo\u00e7as, tipo &#8220;vida da minha vida&#8221;, sonho do meu sonho&#8221;, &#8220;raz\u00e3o de viver&#8221;.<\/p>\n<p>Felisba s\u00f3 teria que entregar o buqu\u00ea em m\u00e3os \u00e0 frente de todos- e esperar o pr\u00eamio que, \u00f3bvio, viria, ah, se viria.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>O gerente geral topou na hora. Felic\u00edssimo.<\/p>\n<p>E todos os presentes &#8211; aqueles a quem, imaginou, minutos antes, uns alcoviteiros &#8211; agora brindam a felicidade do casal.<\/p>\n<p>O amor \u00e9 mesmo contagiante.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/lGnz0D9bofg\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>UMA NOVELA BLOGUEIRA &#8211; (Foto: ARQUIVO PESSOAL)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><strong>O AMOR, sentimento que contagia, e essa tal felicidade que sempre incomoda \u00e0queles que n\u00e3o sabem amar e,<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":22599,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[1207,1210,1211,1209,596,1208],"class_list":["post-22548","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-folhetim","tag-o-ator","tag-o-filosofo","tag-o-que-o-tempo-leva","tag-romance","tag-uma-novela-blogueira"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22548","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22548"}],"version-history":[{"count":10,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22548\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":22645,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22548\/revisions\/22645"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/22599"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22548"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22548"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22548"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}