{"id":22577,"date":"2020-05-03T07:20:58","date_gmt":"2020-05-03T07:20:58","guid":{"rendered":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=22577"},"modified":"2020-05-03T12:46:28","modified_gmt":"2020-05-03T12:46:28","slug":"o-que-o-tempo-leva-27","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/o-que-o-tempo-leva-27\/","title":{"rendered":"O que o tempo leva&#8230; (27)"},"content":{"rendered":"<p>UMA NOVELA BLOGUEIRA &#8211; (Foto: Arquivo Pessoal)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><strong>DAY AFTER, a consagra\u00e7\u00e3o do inevit\u00e1vel. O cora\u00e7\u00e3o empedrado, aos pinotes: a vida pelo avesso. Felisberto decide partir&#8230;<\/strong><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Logo cedo quem aparece no Gera Park?<\/p>\n<p>Ele pr\u00f3prio: o Sr. Camargo que, diga-se, veio\u00a0 dirigindo o inef\u00e1vel XR-3 preto, o pomo da disc\u00f3rdia (seja l\u00e1 o que isso queira dizer).<\/p>\n<p>Tem a express\u00e3o de quem passou a noite em claro, mas vem decidido a enfrentar a fera ferida.<\/p>\n<p>Concordou com Lulu (para ele, sempre foi s\u00f3 Lulu) quando soube da hist\u00f3ria toda.<\/p>\n<p>N\u00e3o se imagina viver sem ela, por isso, a partir daquela manh\u00e3, n\u00e3o esconderia nada de ningu\u00e9m. Ao menos, naquelas redondezas.<\/p>\n<p>(Explica-se : a fam\u00edlia Camargo tem resid\u00eancia fixa em Campos Novos Paulista, longe pra ded\u00e9u.\u00a0 Raramente a Sra. Camargo e os filhos v\u00eam para Capital, n\u00e3o seria agora. Mas, esta \u00e9 outra quest\u00e3o que n\u00e3o conv\u00e9m meter o bedelho. Cada qual com seus problemas.)<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Ainda bem que Felisberto compreendeu o insustent\u00e1vel da situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Foi breve:<\/p>\n<p>&#8211; Quero acertar minhas contas.<\/p>\n<p>Sr. Camargo tamb\u00e9m foi ligeiro.<\/p>\n<p>Fez os acertos necess\u00e1rios\u00a0 &#8211; e logo telefonou para o futuro cunhado, o ca\u00e7ula L\u00facio Mauro, para assumir o cargo de gerente geral e \u00fanico funcion\u00e1rio do Gera Park, <em>agora em fase de expans\u00e3o<\/em>.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Para n\u00e3o lhe empedrar o cora\u00e7\u00e3o de vez, Felisberto decidiu n\u00e3o ficar ali nem mais um instante. N\u00e3o teria como olhar para os camaradas. N\u00e3o teria como topar, frente a frente, com o novo gerente geral. Verdade verdadeira: o insuport\u00e1vel mesmo seria ver Lucilinda e ter de encarar aquele sorriso e todos os sonhos abalroados impiedosamente numa imprevista curva do destino.<\/p>\n<p>Basta lembrar o dia de ontem, o cora\u00e7\u00e3o pinoteia a lhe revirar a vida pelo avesso.<\/p>\n<p>Vida? O que seria agora da sua vida? Sem emprego, sem casa pra morar e&#8230;<\/p>\n<p>N\u00e3o chegou sequer a concluir o racioc\u00ednio.<\/p>\n<p>Mas, o atento leitor sabe bem em quem o rapazola pensava.<\/p>\n<p>Lucilinda, o tremendo, o lastim\u00e1vel e o definitivo engano.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Juntou as tralhas numa mochila de pano, conferiu o tanto de economias que guardara de olho nas necessidades do ex-futuro casamento (mais a indeniza\u00e7\u00e3o que seria depositada em conta, no prazo m\u00e1ximo de 10 dias, tem o suficiente para os <em>por-enquantos<\/em>) e se manda sem olhar para tr\u00e1s e se despedir de quem quer que seja.<\/p>\n<p>N\u00e3o tem rumo, \u00e9 um po\u00e7o de d\u00favidas.<\/p>\n<p>Para no ponto de \u00f4nibus que v\u00ea na movimentada avenida D. Pedro, est\u00e1 decidido a subir no primeiro \u00f4nibus que aparecer. N\u00e3o interessa o destino.<\/p>\n<p>Lembra um aut\u00f4mato. N\u00e3o consegue pensar em nada. S\u00f3 quer sumir daquele lugar.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>N\u00e3o foi l\u00e1 t\u00e3o longe quanto imaginou.<\/p>\n<p>O ponto final do coletivo \u00e9 em frente \u00e0 esta\u00e7\u00e3o do Metr\u00f4 do Parque D. Pedro.<\/p>\n<p>Desce com a convic\u00e7\u00e3o de que a cidade n\u00e3o lhe quer. Nunca lhe quis. Essa gente disforme, opaca. Apressada. Tosca de sentimentos. Esse c\u00e9u acinzentado que parece querer desabar em cima da gente. Esse calor abafado. \u00c9 mesmo uma metr\u00f3pole in\u00f3spita onde tudo e todos o escorra\u00e7am para longe dali.<\/p>\n<p>Pensa e pensa e conclui:<\/p>\n<p>&#8220;A vida, por vezes, se transforma num tremendo e lament\u00e1vel engano&#8221;.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/eR7gUtW21LU\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>UMA NOVELA BLOGUEIRA &#8211; (Foto: Arquivo Pessoal)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><strong>DAY AFTER, a consagra\u00e7\u00e3o do inevit\u00e1vel. O cora\u00e7\u00e3o empedrado, aos pinotes: a vida pelo avesso. 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