{"id":22712,"date":"2020-05-04T16:39:41","date_gmt":"2020-05-04T16:39:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=22712"},"modified":"2020-05-04T21:34:53","modified_gmt":"2020-05-04T21:34:53","slug":"aldir-blanc-1947-2020","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/aldir-blanc-1947-2020\/","title":{"rendered":"Aldir Blanc (1946\/2020)"},"content":{"rendered":"<p><em>Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o do Twitter<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Estava prestes a completar 30 anos.<\/p>\n<p>Fim dos anos 70.<\/p>\n<p>Escrevia para tr\u00eas ou quatros pasquins que se pretendiam porta-vozes das novidades do mundo da Cultura e das Artes no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Pagavam pouco, quando pagavam. N\u00e3o tinham futuro (como eu n\u00e3o me imaginava ter como escrevinhador), de iniciativa independente, mambembes de tiragem baixa pra \u00e9poca ( 5, 10 mil exemplares) e circula\u00e7\u00e3o inconstante.<\/p>\n<p>Mas, faziam a alegria de quem l\u00e1 podia se expressar &#8211; a minha, pelo menos..<\/p>\n<p>Havia o sonho sonhado de estarmos na lida e na luta. Tamb\u00e9m nos sent\u00edamos porta-vozes dos extraordin\u00e1rios talentos que n\u00e3o tinham espa\u00e7o e vez e voz na chamada grande m\u00eddia.<\/p>\n<p>(Qualquer semelhan\u00e7a com os dias atuais n\u00e3o \u00e9 mera coincid\u00eancia.)<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Eu, man\u00e9zinho que s\u00f3, era metido a cobrir a \u00e1rea de m\u00fasica popular brasileira. (Olhem a pretens\u00e3o e o privil\u00e9gio.) E assim pude, como rep\u00f3rter, conhecer e entrevistar um punhado de nomes importantes, nomes que s\u00e3o parte da hist\u00f3ria deste paiz\u00e3o descarrilado, insano e odiento, mas que tem obriga\u00e7\u00e3o de olhar solidariamente para o futuro. E lutar para n\u00e3o chafurdar no <em>militarismo-miliciano<\/em> e nas trevas do atraso..<\/p>\n<p>Pois foi por esta \u00e9poca, olhem a pretens\u00e3o e o privil\u00e9gio, que pude conhecer pessoalmente a dupla Jo\u00e3o Bosco e Aldir Blanc, entrevist\u00e1-los, me encantar \u2013 e consolidar a certeza de que a constru\u00e7\u00e3o de um Brasil verdadeiramente de todos os brasileiros \u00e9 obriga\u00e7\u00e3o de todos n\u00f3s, os que ainda \u2013 e apesar de tudo \u2013 se d\u00e3o ao direito inalien\u00e1vel de acreditar e sonhar o sonho que se sonha juntos.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Foi por esses idos que um daqueles \u00e9picos jornalecos me pediu que escrevesse sobre o melhor trabalho daquela tresloucada d\u00e9cada. Fim de ano, fim de d\u00e9cada, tempo de listas e tolos balan\u00e7os. Tempo de quem foi quem.<\/p>\n<p>N\u00e3o tive d\u00favidas.<\/p>\n<p>Olhem a pretens\u00e3o e o privil\u00e9gio!<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Eis um trecho do meu artigo:<\/p>\n<p>\u201cConsiderados, com absoluta justi\u00e7a, como respons\u00e1veis pela obra mais admir\u00e1vel do p\u00f3s-tropicalismo, o mineiro de Ponte Nova, formado em engenharia, Jo\u00e3o Bosco de Freitas Mucci, e o carioca do Est\u00e1cio, psiquiatra diplomado, Aldir Blanc Mendes formaram, ao longo dos obscuros anos 70, uma dupla de autores t\u00e3o harmoniosa quanto merecidamente bem-sucedida.<\/p>\n<p>Na verdade, o providencial encontro desses not\u00e1veis talentos sugere uma dessas remotas venturas que, de tempos em tempos, v\u00eam \u00e0 tona com o objetivo supremo de induzir a uma reavalia\u00e7\u00e3o de tudo o que estiver previamente estabelecido e, por vezes at\u00e9, fundamentado em s\u00f3lidos conceitos, ideias e valores.<\/p>\n<p>Para tanto, possuem, como armas eficazes e demolidoras, uma contundente irrever\u00eancia (presente nos versos de Aldir e na \u00e1gil interpreta\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o), uma saud\u00e1vel avers\u00e3o ao lugar-comum, boa dose de ousadia, al\u00e9m do discernimento adequado para transformar, via de regra, em can\u00e7\u00f5es de raro bom gosto suas observa\u00e7\u00f5es do cotidiano \u2013 por mais impiedosas que sejam.<\/p>\n<p>A tem\u00e1tica \u00e9 a de sempre: um bem engendrado mostru\u00e1rio da vida do brasileiro com crendices, paix\u00f5es, ironias, aspira\u00e7\u00f5es e trag\u00e9dias.\u201d<\/p>\n<p>Aqui, a <strong><a href=\"http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/joao-bosco-e-aldir-blanc-parceria-de-talento\/\">\u00cdNTEGRA<\/a><\/strong> do artigo:<\/p>\n<p><strong>Jo\u00e3o Bosco e Aldir Blanc: parceria de talentos<\/strong><\/p>\n<p><strong>&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Ao mestre sala dos mares, o c\u00e9tico Aldir Blanc, que partiu nessa madrugada, minha rever\u00eancia, gratid\u00e3o pela luta por um Brasil indiscriminado e fraternamente com <strong>S\u00a0<\/strong>dos humildeS, dos desvalidoS, dos iguaiS, al\u00e9m de uma do\u00edda e imensa saudade.<\/p>\n<p>Ficamos lhe devendo esta e outras tantas querelas&#8230;<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/f27iTlUpQjY\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>*Meu registro de adeus\/saudade tamb\u00e9m &#8211; e tristemente &#8211; para o ator Fl\u00e1vio Migliaccio, eterno Xerife de todos os Shazans que imaginamos ser. Outro querido militante das artes e cultura que se foi&#8230;<\/p>\n<p>Ah, Brazil quando tu vai conhecer e valorizar o Brasil?<\/p>\n<p>Quanto desconsolo!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><em>Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o do Twitter<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Estava prestes a completar 30 anos.<\/p>\n<p>Fim dos anos 70.<\/p>\n<p>Escrevia para tr\u00eas ou quatros pasquins que se pretendiam porta-vozes das novidades do mundo da Cultura e das Artes no pa\u00eds.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":22714,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[1213,1216,1214,135,97,1215],"class_list":["post-22712","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-aldir-blanc","tag-flavio-migliaccio","tag-joao-bosco","tag-memoria","tag-mpb","tag-o-bebado-e-a-equilibrista"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22712","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22712"}],"version-history":[{"count":7,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22712\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":22730,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22712\/revisions\/22730"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/22714"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22712"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22712"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22712"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}