{"id":22723,"date":"2020-05-17T06:50:40","date_gmt":"2020-05-17T06:50:40","guid":{"rendered":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=22723"},"modified":"2020-05-17T14:46:14","modified_gmt":"2020-05-17T14:46:14","slug":"o-que-o-tempo-leva-40","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/o-que-o-tempo-leva-40\/","title":{"rendered":"O que o tempo leva&#8230; (40)"},"content":{"rendered":"<p>UMA NOVELA BLOGUEIRA &#8211; (Foto: Arquivo Pessoal)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><strong>N\u00c3O SEI QUEM \u00e9 Camarguinho, e da\u00ed? Um mar de montanhas nos rodeia. Misteriosas e belas. Soa anos 70, por vezes.\u00a0Easy Rider caboclo, assim que me sinto&#8230;<\/strong><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o, companheiro, n\u00e3o conheci nenhum Sr. Camargo, Camarguinho ou outro nome que o valha. Seja na Record, seja na Tupi, seja na Excelsior. A Globo nem sequer existia \u00e0 \u00e9poca. Portanto, n\u00e3o fa\u00e7o a menor ideia de quem seja o fulano. Menos ainda de que seja ele o protagonista de um grande momento da TV brasileira. Penso que essa hist\u00f3ria est\u00e1 \u00e9 mal contada.<\/p>\n<p>N\u00e3o quis ser grosseiro com o meu simp\u00e1tico motorista.<\/p>\n<p>Mas&#8230;<\/p>\n<p>Ele insiste tanto nessa quest\u00e3o do tal Camargo que preferi responder com a verdade. Que me desculpe se for algum velho companheiro, mas \u00e9 prov\u00e1vel que o dito-cujo inventou uma falseta para animar a roda de desocupados que ambos frequentavam.<\/p>\n<p>Nada al\u00e9m do que isso.<\/p>\n<p>Felisberto me parece ing\u00eanuo, de boa f\u00e9. Deve ter acreditado piamente.<\/p>\n<p>Enfim, n\u00e3o o conhe\u00e7o &#8211; e ponto final.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Posso estar enganado, mas o cabr\u00e3o gostou da minha resposta.<\/p>\n<p>Desconfio at\u00e9 que n\u00e3o ia l\u00e1 com a fu\u00e7a do gajo e a pergunta tinha, na verdade, outros prop\u00f3sitos.<\/p>\n<p>A impress\u00e3o que tenho \u00e9 a de que se sente, de algum modo, vingado saboreando minha resposta nua e crua.<\/p>\n<p>Ops.<\/p>\n<p>L\u00e1 vai ele novamente, gaitinha em punho.<\/p>\n<p>N\u00e3o tem escapat\u00f3ria. Sapeca uma modinha de doer os t\u00edmpanos.<\/p>\n<p>\u00c0 essa altura da viagem, o sil\u00eancio e a paisagem me bastariam.<\/p>\n<p>Melhor ouvir isso do que ser surdo, n\u00e3o?<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Um mar de montanhas nos rodeia. Misteriosas e belas.<\/p>\n<p>Vi as fotos da cordilheira. Imensa, onipresente. Amanh\u00e3 logo pela manh\u00e3, com mais calma, as verei plenas ao nascer do sol.<\/p>\n<p>Quando crian\u00e7a, sempre me fascinou a ideia de ser dono de um morro.<\/p>\n<p>Doidice?<\/p>\n<p>Influ\u00eancia dos filmes de faroeste, prov\u00e1vel.<\/p>\n<p>Sempre havia uma casinha l\u00e1 no alto, uma chamin\u00e9 fumegante, a paisagem buc\u00f3lica.<\/p>\n<p>Isso, antes que a a\u00e7\u00e3o propriamente dita come\u00e7asse.<\/p>\n<p>\u00c9 mais ou menos isso que agora busco.\u00a0Se bem que me falte a mulher amada.<\/p>\n<p>Nem tudo poder ser perfeito.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Quando disse aos amigos sobre a ideia do auto-ex\u00edlio, sumir por uns tempos, quase todos sugeriram cidades europeias, Londres, Paris, Madri. Uma temporada em Nova York era &#8211; e ainda \u00e9 &#8211; o objeto de desejo de outros tantos.<\/p>\n<p>Percebi que ningu\u00e9m, absolutamente ningu\u00e9m, entendeu o que se passa comigo.<\/p>\n<p>Se lhes dissesse o que penso, ficariam magoados, certamente.<\/p>\n<p>N\u00e3o quero mais me sentir preso \u00e0s engrenagens, \u00e0 tal roda-viva, \u00e0 compuls\u00e3o do ter antes do ser. De passar uma imagem de vitorioso mesmo que esteja com o &#8216;eu&#8217; em pandarecos.<\/p>\n<p>Soa anos 70, n\u00e3o?<em> Easy Rider caboclo<\/em>, mas \u00e9 assim que me sinto na virada do s\u00e9culo.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>O que seria de um ator sem os seus fracassos?<\/p>\n<p>Como ele entenderia o lado &#8216;perdedor&#8217; da vida se s\u00f3 vivesse de temporadas de sucesso, personagens cl\u00e1ssicos, protagonistas das novelas mais bem sucedidas, letreiros luminosos?<\/p>\n<p>Assim como o poder exacerbado, a fama e o sucesso mal-administrados tamb\u00e9m corrompem, devastam.<\/p>\n<p>Poder e sucesso, a dupla explosiva. E pessoalmente implosiva.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que ainda h\u00e1 quem se sinta um semideus, o predestinado, capaz de reger o pr\u00f3prio destino e o de todos que est\u00e3o ao redor e al\u00e9m?<\/p>\n<p>Para os amigos (e puxa-sacos), tudo! Para os demais, os nublados (como um c\u00e9u noturno sem estrelas), o limbo dos corredores \u00e0 espera do chamado que nunca vem.<\/p>\n<p>&#8211; Quem sabe na outra novela, teremos a honra de t\u00ea-lo no elenco. Mas, por enquanto&#8230;<\/p>\n<p>Dizem com ares de sacerdote supremo.<\/p>\n<p>&#8211; Quero que se fodam!<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>&#8211; Disse alguma coisa, doutor?<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o, companheiro, pensei alto. Estava imaginando por onde anda a minha Dulcineia?<\/p>\n<p>&#8211; Qual delas? Foram tantas que eu at\u00e9 me confundo. Lembro mais daquela, a Cigana, que lhe roubou o rel\u00f3gio e a carteira.<\/p>\n<p>&#8211; E o trof\u00e9u que pensou fosse de ouro.<\/p>\n<p>&#8211; Vai entender. O senhor aparece na TV, nas novelas, nos filmes&#8230; Sempre imaginei a mulherada caindo em cima e o doutor s\u00f3 administrando.<\/p>\n<p>&#8211; J\u00e1 fui bom nisso, amigo. Agora estou como voc\u00ea, sozinho. E, vou lhe dizer, sentido uma saudade danada do meu enrosco. Pensei que fosse o definitivo, o fim da procura. Mas, a vida \u00e9 assim, n\u00e3o \u00e9? \u00c9 jogo jogado, n\u00e3o tem volta.<\/p>\n<p>&#8211; Aqui, a gente diz: o jogo \u00e9 jogado e o lambari \u00e9 pescado&#8230;<\/p>\n<p>&#8211; Tem raz\u00e3o, Felisberto. \u00c9 por a\u00ed&#8230;<\/p>\n<p>Onde andar\u00e1 aquela doce encrenca? Que vacilo!<\/p>\n<p>&#8211; Mas, doutor, qual delas \u00e9 que \u00e9? O senhor me confunde com tantas\u00a0<em>Dulce-sei-l\u00e1-o-qu\u00ea<\/em>&#8230;<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/HjUUvfSgO6c\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>UMA NOVELA BLOGUEIRA &#8211; (Foto: Arquivo Pessoal)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><strong>N\u00c3O SEI QUEM \u00e9 Camarguinho, e da\u00ed? 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