{"id":22731,"date":"2020-05-18T07:16:09","date_gmt":"2020-05-18T07:16:09","guid":{"rendered":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=22731"},"modified":"2020-05-18T01:47:25","modified_gmt":"2020-05-18T01:47:25","slug":"o-que-o-tempo-leva-41","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/o-que-o-tempo-leva-41\/","title":{"rendered":"O que o tempo leva&#8230; (41)"},"content":{"rendered":"<p>UMA NOVELA BLOGUEIRA &#8211; (Foto: Arquivo Pessoal)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><strong>DIZ A LENDA: O amor, em seu estado latente e inspirador, n\u00e3o dura mais do que 40 luas. Ou seja, tr\u00eas anos, um m\u00eas e onze dias&#8230;<\/strong><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Entendi que n\u00e3o poderia viver mais daquela forma, algo desesperada, a deixar os anos que me restam passar por passar.<\/p>\n<p>N\u00e3o foi dif\u00edcil chegar a conclus\u00e3o de que nada mais me prendia \u00e0quele mundo artificial, virulento, de valores alterados.<\/p>\n<p>N\u00e3o vou agora esconjurar a metr\u00f3pole, o pa\u00eds, o mundo em raz\u00e3o das minhas idiossincrasias.<\/p>\n<p>Sempre fui movido \u00e0 paix\u00e3o. No trabalho, no amor, na vida.<\/p>\n<p>Decididamente n\u00e3o era o que estava acontecendo &#8211; e ponto e basta.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>O trabalho andava pelas tabelas, como j\u00e1 disse.<\/p>\n<p>No amor, intu\u00ed que t\u00ednhamos, eu e ela, expectativas inversas. Naturais, hoje vejo, \u00e0 idade e aos projetos de cada um.<\/p>\n<p>Ela me conheceu no palco.<\/p>\n<p>Como me veria fora dele? Longe de toda essa entourage que nos mitifica sem distin\u00e7\u00e3o se somos artistas ou arteiros.<\/p>\n<p>Ela tamb\u00e9m tinha seus desejos em v\u00e1rios n\u00edveis &#8211; e muitos e imensos. Profissionais, pessoais.<\/p>\n<p>Sejamos realistas.<\/p>\n<p>Certamente, meu plano de voo n\u00e3o tinha o mesmo alcance.<\/p>\n<p>De repente, eu iria ser um entrave, uma \u00e2ncora.<\/p>\n<p>Eu me conhe\u00e7o, possessivo que s\u00f3.<\/p>\n<p>Vem a mim o vosso reino.<\/p>\n<p>A vida, portanto e resumindo, assim como a Lua, andava fora de curso.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>H\u00e1 uma velha lenda ind\u00edgena que afirma:<\/p>\n<p>O amor, em seu estado latente e inspirador, n\u00e3o dura mais do que 40 luas.<\/p>\n<p>Para o leigo, vamos \u00e0 tradu\u00e7\u00e3o: tr\u00eas anos, um m\u00eas e onze dias.<\/p>\n<p>(Uns quebradinhos pra mais ou pra menos.)<\/p>\n<p>O que vem depois \u00e9 amizade, h\u00e1bito, conviv\u00eancia, aceita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O tema sempre gera pol\u00eamica &#8211; e eu saio da roda rapidinho.<\/p>\n<p>N\u00e3o tenho a proced\u00eancia, nem qualquer convic\u00e7\u00e3o sobre o que digo.<\/p>\n<p>Sei que assim garanto minha fama de Don Juan ao dileto p\u00fablico que tem o desplante de me ouvir.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, bem que gostaria de fazer um Don Giovanni no teatro, mas fiquei s\u00f3 no projeto.<\/p>\n<p>Agora, sejamos sinceros, n\u00e3o tenho mais idade.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Como a conheci, Felisberto?<\/p>\n<p>Era um jogo da Copa do Mundo.<\/p>\n<p>O Brasil enfrentaria a Su\u00e9cia, lembro bem, pois havia uma discuss\u00e3o sobre qual time deveria jogar de camisa amarela. Os uniformes s\u00e3o bem parecidos. Algu\u00e9m achou por bem levar um televisor enorme para o Cultura Art\u00edstica e assim a turma toda trocaria o ensaio para ver nossos craques em a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Pensei em dar uma escapada.<\/p>\n<p>N\u00e3o sou exatamente um fan\u00e1tico por futebol, menos ainda pela tal sele\u00e7\u00e3o canarinho que, neste dia, jogaria de azul.<\/p>\n<p>Acabei ficando por falta de op\u00e7\u00e3o e coragem.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>O pessoal se reunindo, e chegando gente. Fulano convidou Beltrano que trouxe um conhecido que veio com um primo e a namorada. Aquela hist\u00f3ria de sempre. Cora\u00e7\u00e3o de m\u00e3e. Numa dessas levas, ela chegou convidada por n\u00e3o lembro quem &#8220;para uma passadinha r\u00e1pida&#8221;.<\/p>\n<p>N\u00e3o saiu mais da minha vida.<\/p>\n<p>Com idas e vindas, estouramos a validade das luas dos amigos ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>No in\u00edcio, ningu\u00e9m acreditou que pudesse dar certo.<\/p>\n<p>\u00c1gua e \u00f3leo, sabe como?<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m n\u00f3s est\u00e1vamos, a princ\u00edpio, conscientes.<\/p>\n<p>N\u00e3o haveria envolvimento.<\/p>\n<p>Pois sim&#8230;<\/p>\n<p>Pegamos gosto em ser felizes juntos. At\u00e9 inventamos um tal Planeta Sonho. Onde, a bem da verdade, s\u00f3 cabiam eu e ela e ela e eu.<\/p>\n<p>Nele, rein\u00e1vamos absolutos, distante de invas\u00f5es de hunos, godos e visigodos.\u00a0Acesso restrito, sem cl\u00e1usula de negocia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Criamos at\u00e9 uma senha, pessoal e intransfer\u00edvel:<\/p>\n<p>Noites com Sol<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Claro que tamanha felicidade incomoda os arredores.<\/p>\n<p>Isolados em n\u00f3s. Cada vez mais e mais radiantes.<\/p>\n<p>De um lado e de outro, come\u00e7aram as press\u00f5es.<\/p>\n<p>Na boa, n\u00e3o vou culpar ningu\u00e9m.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m dei minha colabora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Andava reticente. Fiz e desfiz tantas casas com aqueles aborrecimentos de praxe. O livro \u00e9 meu, o CD \u00e9 seu, o sof\u00e1 fica com quem? Que besteirada. Fique com tudo, pronto.<\/p>\n<p>S\u00f3 que havia dado um jeito legal na minha vida. Um est\u00fadio maneiro, nos arredores do antigo Centro paulistano. Me sentia bem instalado, dono do meu lugar, dono do mundo.<\/p>\n<p>Acho que fui ego\u00edsta. Acho, n\u00e3o. Tenho certeza.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Para n\u00e3o falar nas conversas sobre filhos, quantos eu gostaria de ter?<\/p>\n<p>Desconversava:<\/p>\n<p>&#8211; T\u00f4 mais pra vovozinho.<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o fale assim, respondeu. &#8211; Sabe que eu n\u00e3o gosto.<\/p>\n<p>Fez-se um tonitruante sil\u00eancio. Daqueles que precedem aos vendavais.<\/p>\n<p>Vendavais que estouram janelas, estilha\u00e7am sentimentos.<\/p>\n<p>Cada qual a ruminar o pr\u00f3prio desv\u00e3o, o segredo que n\u00e3o se disse&#8230;<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/o5JaLrvRr7I\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>UMA NOVELA BLOGUEIRA &#8211; (Foto: Arquivo Pessoal)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><strong>DIZ A LENDA: O amor, em seu estado latente e inspirador, n\u00e3o dura mais do que 40 luas.<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":22812,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[1210,1211,1209,596,1208],"class_list":["post-22731","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-o-ator","tag-o-filosofo","tag-o-que-o-tempo-leva","tag-romance","tag-uma-novela-blogueira"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22731","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22731"}],"version-history":[{"count":11,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22731\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":22886,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22731\/revisions\/22886"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/22812"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22731"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22731"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22731"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}