{"id":22736,"date":"2020-05-19T07:08:17","date_gmt":"2020-05-19T07:08:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=22736"},"modified":"2020-05-18T14:42:44","modified_gmt":"2020-05-18T14:42:44","slug":"o-que-o-tempo-leva-42","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/o-que-o-tempo-leva-42\/","title":{"rendered":"O que o tempo leva&#8230; (42)"},"content":{"rendered":"<p>UMA NOVELA BLOGUEIRA &#8211; (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><strong>FOI EXATAMENTE naquele dia, o come\u00e7o do fim.\u00a0O encanto havia se quebrado.\u00a0O amor, por certo, persistiria. Sabe-se l\u00e1 por quanto tempo&#8230;<\/strong><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8211; O doutor permite o pitaco?<\/p>\n<p>&#8211; Claro.<\/p>\n<p>&#8211; Desculpe falar. Foi mal. Foi mal na fala. Um balde de \u00e1gua fria, doutor. Essa coisa de ser m\u00e3e t\u00e1 dentro delas, doutor. Vixi. Que vespeiro!<\/p>\n<p>&#8211; Tenho plena convic\u00e7\u00e3o, amigo. N\u00e3o dava pra ser diferente. Ali\u00e1s, o pacote todo dos tais relacionamentos ditos mais est\u00e1veis sempre me assustou.<\/p>\n<p>&#8211; Cada um, cada um, n\u00e9, doutor? A gente pede a m\u00e3o da mo\u00e7a e leva todo o resto. A parte boa que \u00e9 a mo\u00e7a inteira. Vem de contrapeso o sogro, a sogra, os cunhados, os tios da mo\u00e7a que agora passam a ser seus tamb\u00e9m. N\u00e3o vivi isso, n\u00e3o. N\u00e3o posso falar, mas \u00e9 o que ou\u00e7o por a\u00ed&#8230;<\/p>\n<p>&#8211; J\u00e1 vi que esse Fusca por vezes funciona como um consult\u00f3rio sentimental.<\/p>\n<p>N\u00e3o disse a ele, mas pensei c\u00e1 comigo.<\/p>\n<p>Foi exatamente naquele dia, naquela resposta, o come\u00e7o do fim.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Numa noite de ter\u00e7a-feira, com a lua fora de curso, aquele prazo dos \u00edndios mais do que vencido, o papo n\u00e3o rolou como de h\u00e1bito depois do amor. Ficamos enroscados por algum tempo. N\u00e3o percebi que chorava \u00e0s escondidas com o rosto apoiado ao meu peito.<\/p>\n<p>S\u00f3 me toquei das l\u00e1grimas quando me encarou. Olhos vermelhos:<\/p>\n<p>&#8211; Precisamos conversar, disse.<\/p>\n<p>O encanto havia se quebrado. O amor, por certo, resistiria. Sabe-se l\u00e1 por quanto tempo.<\/p>\n<p>Sempre soube da onipot\u00eancia do ef\u00eamero. Um dia se chega, n&#8217;outro vai se embora.<\/p>\n<p>N\u00e3o lembro de como se tocou a conversa. Se \u00e9 que houve conversa.<\/p>\n<p>Sei que, quando a deixei, a sensa\u00e7\u00e3o era de que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9ramos mais os mesmos. N\u00e3o habit\u00e1vamos mais o tal Planeta Sonho.<\/p>\n<p>N\u00e3o havia mais cumplicidade.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Continuamos a nos ver.\u00a0Mais espor\u00e1dica e friamente.<\/p>\n<p>Est\u00e1vamos em outra dimens\u00e3o. Ou seja, n\u00e3o \u00e9ramos mais plenos.<\/p>\n<p>Come\u00e7aram as desculpas que, bem sab\u00edamos, protelavam o desenlace.<\/p>\n<p>Na verdade,\u00a0 est\u00e1vamos a cada dia mais distantes um do outro.<\/p>\n<p>Eu estava atarantado, confuso. Queria e n\u00e3o queria.<\/p>\n<p>Numa dessas, foi quando entrei pela primeira vez naquele apartamento. Tive o impulso de compr\u00e1-lo e lhe fazer uma surpresa.<\/p>\n<p>Comentei com ela a possibilidade. Na verdade, era uma v\u00e3 tentativa de reconquist\u00e1-la.<\/p>\n<p>Ela se empolgou, rimos muito. Fomos felizes por instantes.<\/p>\n<p>O vinho ajudou nos planos de um futuro que n\u00e3o viver\u00edamos.<\/p>\n<p>Uma noite inesquec\u00edvel.<\/p>\n<p>Sab\u00edamos sem saber que era o adeus.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Ainda tentei novos encontros.<\/p>\n<p>Eu a percebia reticente ao telefone, uma estrat\u00e9gia de quem me parecia decidida pelo fim.<\/p>\n<p>Forcei um novo encontro.<\/p>\n<p>N\u00e3o veio.<\/p>\n<p>Dias depois, viajou para almejada bolsa de\u00a0 estudos em Londres.<\/p>\n<p>Entendi que as verdades, muitas vezes, se imp\u00f5em. N\u00e3o precisam ser ditas.<\/p>\n<p>O homem \u00e9 bobo nessas horas. Insisti. Perguntei quando voltaria.<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o sei, disse.<\/p>\n<p>Pedinchei:<\/p>\n<p>&#8211; E n\u00f3s?<\/p>\n<p>&#8211; Um dia, quem sabe?<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/SEYVxUS67uQ\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>UMA NOVELA BLOGUEIRA &#8211; (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><strong>FOI EXATAMENTE naquele dia, o come\u00e7o do fim.\u00a0O encanto havia se quebrado.\u00a0O amor, por certo, persistiria.<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":21513,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[1210,1211,1209,596,1208],"class_list":["post-22736","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-o-ator","tag-o-filosofo","tag-o-que-o-tempo-leva","tag-romance","tag-uma-novela-blogueira"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22736","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22736"}],"version-history":[{"count":12,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22736\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":22889,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22736\/revisions\/22889"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/21513"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22736"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22736"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22736"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}