{"id":22770,"date":"2020-05-21T06:55:41","date_gmt":"2020-05-21T06:55:41","guid":{"rendered":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=22770"},"modified":"2020-05-21T12:30:26","modified_gmt":"2020-05-21T12:30:26","slug":"o-que-o-tempo-leva-44","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/o-que-o-tempo-leva-44\/","title":{"rendered":"O que o tempo leva&#8230; (44)"},"content":{"rendered":"<p>UMA NOVELA BLOGUEIRA &#8211; (Foto: Arquivo Pessoal)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><strong>Ser\u00e1 que um dia eu habitei mesmo o improv\u00e1vel Planeta Sonho? Ou sou mero personagem de mim mesmo? Hoje me vejo tal e qual o Felisberto&#8230;<\/strong><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o lembro bem qual das Dulcineias foi a que um dia me alertou:<\/p>\n<p>&#8211; Cara, quer a real? N\u00e3o estamos sozinhos no mundo!<\/p>\n<p>N\u00e3o sei, n\u00e3o lembro.<\/p>\n<p>Sou egoc\u00eantrico, reconhe\u00e7o. Vaidoso.<\/p>\n<p>(Um desvio da profiss\u00e3o.)<\/p>\n<p>N\u00e3o vivia um bom momento, creio. A carreira tem altos e baixos, j\u00e1 disse. Barulha tudo.<\/p>\n<p>A Deusa Hindu tamb\u00e9m chamou minha aten\u00e7\u00e3o em outra ocasi\u00e3o:<\/p>\n<p>&#8211; Voc\u00ea \u00e9 muito disperso. Precisa ter foco. Quer aprender a meditar? Eu lhe ensino.<\/p>\n<p>Sou uno e indiz\u00edvel, respondi. Senhor do meu fad\u00e1rio e das bobagens que digo antes de pensar.<\/p>\n<p>Inexor\u00e1vel.<\/p>\n<p>O tempo a tudo transforma.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Por instantes, hoje, me vejo tal e qual o Felisberto.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que um dia eu habitei mesmo o improv\u00e1vel Planeta Sonho?<\/p>\n<p>Fui o que imaginei ter sido?<\/p>\n<p>Ou sou um mero personagem de mim mesmo que, diga-se de passagem, interpretei l\u00e1 sem grande convic\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>O vazio pode nos enlouquecer.<\/p>\n<p>Melhor do que aqueles dias dolorosos, conversas \u00e1cidas, dif\u00edceis. Farpas, culpas, m\u00e1goas. A voca\u00e7\u00e3o de ser ator (somos capazes de viver uma exist\u00eancia inteira em tr\u00eas atos, pouco mais de duas horas) e o amor propriamente dito (e s\u00f3 o ardentemente vivido) t\u00eam muito a ver. Permanecem intactos em mim.<\/p>\n<p>Os dias, a vida em si os fez so\u00e7obrar.<\/p>\n<p>Quem sabe ainda eu retome a carreira?<\/p>\n<p>N\u00e3o tenho como hoje prever.<\/p>\n<p>Quanto a ela &#8211; de quem estou falando mesmo? -, marcamos o tal encontro, definitivo.<\/p>\n<p>Ela n\u00e3o veio.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>&#8220;Porteiraaaaa!!!&#8221;<\/p>\n<p>Fusc\u00e3o parado, eis que Felisberto anuncia com voz de locutor de rodeio.<\/p>\n<p>Deixa o ritual para depois.<\/p>\n<p>Antes de descer, tal e qual um guia tur\u00edstico, apresenta a grande atra\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>&#8211; Estamos diante da Pedra Azul, aquele morro \u00e0 direita. Repare que os raios solares, nessa hora, deixam toda a vegeta\u00e7\u00e3o coberta de uma cor alaranjada que \u00e9 uma belezura de se ver. Pela manh\u00e3, a luz tem outra tonalidade, faz o verde apresentar varia\u00e7\u00f5es que cintilam e, muitas vezes, se confundem com o azul do c\u00e9u.<\/p>\n<p>Vou conferir amanh\u00e3.<\/p>\n<p>Felisberto continua. Sabe de cor o que tem a declamar neste ponto:<\/p>\n<p>&#8211; Dizem, n\u00e3o sei se \u00e9 verdade, que o lugar \u00e9 encantado. Quem penetrar na mata, percorrer a trilha e chegar ao topo, se gritar o nome da mulher amada, ela ser\u00e1 sua para sempre.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Olho desconfiado para o meu interlocutor.<\/p>\n<p>Ele entende e se explica. Sempre no mesmo tom. Como se fossem muitos os presentes:<\/p>\n<p>&#8211; Aviso aos navegantes em terra: comigo, n\u00e3o funcionou. Gritei, berrei e cheguei a me esgani\u00e7ar. Tudo o que consegui foi um baita susto. Vi o arbusto mexer forte, era um dia sem vento. Arregalei os olhos pensando que era on\u00e7a (que tem uma ou outra por aqui), mas era cobra mesmo, e das grandes.<\/p>\n<p>Melhor n\u00e3o insistir, ok?<\/p>\n<p>Rimos do nosso infort\u00fanio amoroso-sentimental.<\/p>\n<p>S\u00f3 faltou um vinho para brindarmos:<\/p>\n<p>\u00c0 arte de viver e amar!<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Olho ao redor.<\/p>\n<p>Estou diante de um bosque irregular, de arauc\u00e1rias que tomam todo o vale entre a tal Pedra Azul e o amea\u00e7ador Bico do Gavi\u00e3o, em perspectiva e bem distante.<\/p>\n<p>(Umas tr\u00eas horas e meia de caminhada, soube depois.)<\/p>\n<p>Conclus\u00e3o imediata: n\u00e3o ser\u00e1 f\u00e1cil habituar-me ao novo mundo.<\/p>\n<p>\u00c0 primeira vista, de uma beleza singular.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, e sempre existe um por\u00e9m, absolutamente estranho a um ser urban\u00f3ide como eu.<\/p>\n<p>Valei-me!<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Pensando bem, bancando o sincer\u00e3o comigo mesmo. Que o Felisberto n\u00e3o me ou\u00e7a:<\/p>\n<p>Sempre fui ponte &#8211; nunca, destino<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/FTtZV0jMK6c\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8211;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>UMA NOVELA BLOGUEIRA &#8211; (Foto: Arquivo Pessoal)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><strong>Ser\u00e1 que um dia eu habitei mesmo o improv\u00e1vel Planeta Sonho? 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