{"id":23042,"date":"2020-06-08T06:15:33","date_gmt":"2020-06-08T06:15:33","guid":{"rendered":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=23042"},"modified":"2020-06-08T14:35:36","modified_gmt":"2020-06-08T14:35:36","slug":"para-que-vivi","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/para-que-vivi\/","title":{"rendered":"Para que vivi *"},"content":{"rendered":"<p>Foto: Arquivo Pessoal<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><em>Tr\u00eas paix\u00f5es, simples mas avassaladoras, me dominaram a vida: o desejo do amor, a busca do saber e a insuport\u00e1vel piedade pelo sofrimento humano. Tr\u00eas paix\u00f5es, como vendavais, me lan\u00e7aram aqui e ali, em rumo desordenado, sobre as profundezas de um mar de ang\u00fastias beirando o desespero.<\/em><\/p>\n<p><em>Busquei o amor, primeiro, por trazer consigo o \u00eaxtase &#8211; \u00eaxtase t\u00e3o imenso que, muitas vezes, teria de bom grado sacrificado todo o resto de meus dias por algumas horas de felicidade.\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Busquei-o depois para al\u00edvio da solid\u00e3o &#8211; a terr\u00edvel solid\u00e3o na qual tr\u00eamula consci\u00eancia v\u00ea, dos confins do mundo, o frio, imponder\u00e1vel e inerme abismo. <\/em><\/p>\n<p><em>Busquei-o, enfim, porque, na uni\u00e3o do amor vislumbrei, em m\u00edstica miniatura, um esbo\u00e7ar da vis\u00e3o do para\u00edso imaginada por santos e poetas. <\/em><\/p>\n<p><em>Foi o que busquei e, embora talvez pare\u00e7a bom demais para o ser humano, foi &#8211; finalmente &#8211; o que encontrei.<\/em><\/p>\n<p><em>Com id\u00eantica paix\u00e3o, busquei o saber. Quis entender os cora\u00e7\u00f5es dos homens. Quis saber porque brilham as estrelas. E tentei captar o significado da pot\u00eancia pitag\u00f3rica na qual o n\u00famero sobrepuja o fluxo. <\/em><\/p>\n<p><em>Disso, um pouco, n\u00e3o muito, consegui.<\/em><\/p>\n<p><em>Amor e saber, no que me foi poss\u00edvel, elevaram-me aos c\u00e9us.<\/em><\/p>\n<p><em>Mas, sempre, tristeza e pena traziam-me de volta \u00e0 terra.\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Ecos dos gritos de dor reverberam em meu cora\u00e7\u00e3o. Crian\u00e7as famintas, v\u00edtimas torturadas pelo opressor, velhos indefesos &#8211; cargas odiadas pelos filhos &#8211; e todo um mundo de solid\u00e3o, pobreza e dor, caricatura do que deveria ser a vida humana.<\/em><\/p>\n<p><em>Desejo aliviar o mal mas n\u00e3o consigo, e tamb\u00e9m eu sofro.<\/em><\/p>\n<p><em>Foi essa minha vida.<\/em><\/p>\n<p><em>Valeu a pena viv\u00ea-la e a viveria novamente, se me fosse dada a oportunidade.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>** Autobiografia de BERTRAND RUSSELL, <strong>Pr\u00f3logo<\/strong>.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Udv7iI1K1dg\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>Estava no Teatro Tupi, ali na avenida Brigadeiro Luiz Ant\u00f4nio, quando Paulinho da Viola apresentou, pela primeira vez em p\u00fablico, esse dolente samba em uma das eliminat\u00f3rias da Feira Permanente da M\u00fasica Popular Brasileira&#8230;<\/p>\n<p>Um privil\u00e9gio, e uma emo\u00e7\u00e3o inesquec\u00edvel.<\/p>\n<p>A um canto do teatro, tamb\u00e9m na plateia, o produtor da Feira, Fernando Faro, estava embevecido &#8211; e dizia (referindo-se a Paulinho):<\/p>\n<p>&#8211; Como consegue? Ele \u00e9 t\u00e3o jovem&#8230; \u00c9 o herdeiro de Cartola, sem d\u00favida.<\/p>\n<p>Isso foi em 1969. Paulinho acabara de mostrar, no programa da semana anterior, outro samba in\u00e9dito:<\/p>\n<p><em>Foi Um Rio Que Passou Em Minha Vida.<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foto: Arquivo Pessoal<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><em>Tr\u00eas paix\u00f5es, simples mas avassaladoras, me dominaram a vida: o desejo do amor, a busca do saber e a insuport\u00e1vel piedade pelo sofrimento humano.<\/em><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":22366,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[597,1272,440,1274,1273,312,1275],"class_list":["post-23042","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-amor","tag-autobiografia","tag-bertrand-russell","tag-conhecimento","tag-para-que-vvi","tag-paulinho-da-viola","tag-sofrimento-humano"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23042","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23042"}],"version-history":[{"count":6,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23042\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":23053,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23042\/revisions\/23053"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/22366"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23042"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23042"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23042"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}