{"id":23283,"date":"2020-07-03T17:00:19","date_gmt":"2020-07-03T17:00:19","guid":{"rendered":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=23283"},"modified":"2020-07-03T14:41:45","modified_gmt":"2020-07-03T14:41:45","slug":"democracia","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/democracia\/","title":{"rendered":"Democracia"},"content":{"rendered":"<p>Trechos de artigo an\u00f4nimo publicado em <em><strong>Almanaque para a Democracia Portuguesa<\/strong><\/em> Ano 1, Lisboa, 1870, pp. 41-44, atribu\u00eddo a Antero de Quental (1842\/1891). Que consta da colet\u00e2nea <strong><em>As Utopias Est\u00e3o \u00e0 Solta Por A\u00ed<\/em><\/strong>, organizada pelo publicit\u00e1rio e escritor Carlito Maia (1924\/2002).<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p><em>A democracia n\u00e3o \u00e9 uma palavra v\u00e3: o que tem sido \u00e9 uma palavra mal compreendida.<\/em><\/p>\n<p><em>Filha das revolu\u00e7\u00f5es, a democracia n\u00e3o \u00e9 contudo a anarquia: \u00e9, pelo contr\u00e1rio, a ordem e o direito. Sa\u00edda dum impulso de nivelamento,ela n\u00e30 \u00e9 todavia a espolia\u00e7\u00e3o, mas sim a igualdade rigorosa e ajusti\u00e7a distributiva aplicadas ao trabalho dos homens e \u00e0 sua retribui\u00e7\u00e3o. Erguendo-se, enfim, nem nossa reivindica\u00e7\u00e3o natural contra as velhas legisla\u00e7\u00f5es opressoras, a democracia n\u00e3o vem abolir as leis, mas reform\u00e1-la segundo um modelo ideal de verdade e de raz\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><em>Como a defineremos?<\/em><\/p>\n<p><em>\u00c9 a igualdade social e econ\u00f4mica, tendo por instrumento a liberdade pol\u00edtica. \u00c9 a partilha justa, entre todos os membros da sociedade, dos bens materiais, como garantia duma igual distribui\u00e7\u00e3o dos bens morais entre todos.\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>\u00c9 a pondera\u00e7\u00e3o das for\u00e7as sociais, feita pela lei ou pelo pacto livre, em vez de ser feita pelo acaso cego, pela luta fraticida, pelo equil\u00edbrio, a cada momento instant\u00e1vel, da concorr\u00eancia.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00c9 o trabalho considerado, definitivamente e realmente, a \u00fanica base do Estado.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00c9 a lei feita, enfim, por todos, em servi\u00e7o de todos.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00c9 o povo chamado ao banquete ol\u00edmpico d instru\u00e7\u00e3o, da prosperidade e da moralidade.<\/em><\/p>\n<p><em>O que h\u00e1 mil e oitocentos anos exclamou da sua cruz um m\u00e1rtir a liberdade, cravando no c\u00e9u os olhos cheios de f\u00e9, a democracia, alargando por sobre a terra, patrim\u00f4nio da humanidade, os seus olhos cheios de ci\u00eancia e verdade, repete-o hoje com mais for\u00e7a ainda: paz aos homens de boa vontade.<\/em><\/p>\n<p><em>(&#8230;)<\/em><\/p>\n<p><em>Nesta luta quem \u00e9 o culpado? Quem \u00e9 o agressor?<\/em><\/p>\n<p><em>O povo, que s\u00f3 pede aos que o exploram que se convertam, que queiram viver na paz fraternal da lei e da justi\u00e7a, ou as realezas, as oligarquias, os governos dom privil\u00e9gio, que se recusama ouvir estas palavras de conc\u00f3rdia, que se recusam a toda concilia\u00e7\u00e3o, a toda a arbitragem, e s\u00f3 sabem responder aos argumentos dos tribunos populares com golpes de Estado, com embustes e viol\u00eancia?<\/em><\/p>\n<p><em>A Hist\u00f3ria julgar\u00e1<\/em><\/p>\n<p><em>A imparcialHist\u00f3ria dir\u00e1 que, nesta luta travada entre o povo que trabalha e \u00e9 espezinhado, e os governos que o exploram e triunfam, quem realmente \u00e9 o agressor, quem \u00e9 o quebrantador da paz p\u00fablica, quem ateia a guerra civil, e leva as na\u00e7\u00f5es a virarem-se contra si mesmas nas convuls\u00f5es fren\u00e9ticas da revolu\u00e7\u00e3o social.<\/em><\/p>\n<p><em>(,,,)<\/em><\/p>\n<p><em>Quanto a n\u00f3s, antes do ju\u00edzo da Hist\u00f3ria, somos pelo povo, porque a causa dele, julgada pela nossa consci\u00eancia, foi achada boa e santa.<\/em><\/p>\n<p><em>O que pedem n\u00e3o \u00e9 o \u00f3cio doirado, as pompas cortes\u00e3s, os deleites, as opul\u00eancias: nada disso.\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>O povo pede simplesmente o p\u00e3o do corpo e do esp\u00edrito em retribui\u00e7\u00e3o do seu suor. Pede garantias para que o fruto de seu trabalho n\u00e3o seja absorvido pelos ociosos. Pede o agasalho e a instru\u00e7\u00e3o para os seus filhos, e para si a liberdade de dispor da sua pesssoa e do produto integral da sua atividade.<\/em><\/p>\n<p><em>Em duas palavras: o povo pede que o deixem ser homem.<\/em><\/p>\n<p><em>(&#8230;)<\/em><\/p>\n<p><em>\u00c9 o que significa a palavra &#8211; democracia.<\/em><\/p>\n<p><em>Que esta revolu\u00e7\u00e3o se possa fazer pacificamente, \u00e9 o voto mais \u00edntimo dos nossos cora\u00e7\u00f5es.<\/em><\/p>\n<p><em>Sen\u00e3o, que a responsabilidade recaia toda sobre os que desencadearem as tempestades!<\/em><\/p>\n<p><em>Quanto a n\u00f3s, queremos a Paz &#8211; mas tamb\u00e9m queremos a Justi\u00e7a.<\/em><\/p>\n<p><em>(&#8230;)<\/em><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/oVZzzOwylwk\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Trechos de artigo an\u00f4nimo publicado em <em><strong>Almanaque para a Democracia Portuguesa<\/strong><\/em> Ano 1, Lisboa, 1870, pp. 41-44, atribu\u00eddo a Antero de Quental (1842\/1891). Que consta da colet\u00e2nea <strong><em>As Utopias Est\u00e3o \u00e0 Solta Por A\u00ed<\/em><\/strong>,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":22175,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[1371,1370,1258,38,1372],"class_list":["post-23283","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-almanaque-para-a-democracia-portuguesa","tag-antero-de-quental","tag-carlito-maia","tag-democracia","tag-o-que-e-democracia"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23283","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23283"}],"version-history":[{"count":3,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23283\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":23287,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23283\/revisions\/23287"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/22175"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23283"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23283"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23283"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}