{"id":23426,"date":"2020-07-21T06:15:52","date_gmt":"2020-07-21T06:15:52","guid":{"rendered":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=23426"},"modified":"2020-07-20T21:59:46","modified_gmt":"2020-07-20T21:59:46","slug":"frases-e-lembrancas","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/frases-e-lembrancas\/","title":{"rendered":"Frases e lembran\u00e7as"},"content":{"rendered":"<p>Foto: J\u00f4 Rabelo<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><em>E eu corri pro viol\u00e3o num lamento<\/em><br \/>\n<em>e a manh\u00e3 nasceu azul<\/em><br \/>\n<em>Como \u00e9 bom poder tocar<\/em><br \/>\n<em>um instrumento<\/em><\/p>\n<p>Os versos de<em> Tigreza<\/em>, da m\u00fasica que Caetano Veloso fez para S\u00f4nia Braga em priscas eras, s\u00f3 fizeram real sentido quando os ouvi declamado por Raul Seixas.<\/p>\n<p>Eu explico.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s entrevista que concedeu a mim e ao amigo Cl\u00f3vis Naconecy de Souza na sede da WEA em Pinheiros, Raul perguntou como era tocar o nosso modesto<em> Jornal da Mooca<\/em>, um valente seman\u00e1rio que t\u00ednhamos e circulava naquele bairro paulistano em 77\/78.<\/p>\n<p>\u2014 S\u00e3o 12 p\u00e1ginas, formato tabloide, 10 mil exemplares\u2026<\/p>\n<p>Antes que termin\u00e1ssemos a descri\u00e7\u00e3o, Raulzito caetaneou:<\/p>\n<p>&#8220;<em>Como \u00e9 bom poder tocar um instrumento<\/em>.&#8221;<\/p>\n<p>Outra frase que Raul disse nesse mesmo dia, e que me \u00e9 inesquec\u00edvel:<\/p>\n<p><em>\u201c\u00c9 isso a\u00ed&#8230; O importante \u00e9 que a gente deixe nossa impress\u00e3o digital sobre o mundo.\u201d<\/em><br \/>\n\u2026<\/p>\n<p>Desconfio \u2013 tenho quase certeza \u2013 que j\u00e1 lhes falei desse causo no Blog.<\/p>\n<p>Creio que n\u00e3o se incomodam de, hoje, aqui reviv\u00ea-lo pra dar in\u00edcio \u00e0 esta cr\u00f4nica sem tema espec\u00edfico.<\/p>\n<p>Afinal, o exerc\u00edcio do Jornalismo \u00e9 um eterno revirar da mesma rotina.<\/p>\n<p>A cada manh\u00e3, enfrentamos <em>a vida como ela \u00e9.<\/em><\/p>\n<p>T\u00e3o surpreendente no varejo, e t\u00e3o igual no atacado.<\/p>\n<p>Somos o que os doutores em Comunica\u00e7\u00e3o chamam solenemente de <em>historiador do cotidiano<\/em>.<\/p>\n<p>Em outras palavras, Jornalismo \u00e9 reportagem.<\/p>\n<p>Esse refazer o que foi feito, reviver o que foi vivido, tamb\u00e9m nos proporciona um aprendizado raro.<br \/>\n&#8230;<\/p>\n<p>Querem um exemplo ?<\/p>\n<p>Quando escrevi o obitu\u00e1rio sobre o escritor Jorge Luis Borges para a <em>Revista Afinal<\/em>, em 1986, descobri uma frase que me tocou profundamente \u2013 e ainda hoje faz a minha cabe\u00e7a:<\/p>\n<p><em>\u201cA gente pode tudo nessa vida. S\u00f3 n\u00e3o pode \u00e9 fazer a si pr\u00f3prio infeliz\u201d.<\/em><br \/>\n&#8230;<\/p>\n<p>Em maio de 1998, dia em que Frank Sinatra morreu, ouvi contristado de um car\u00edssimo amigo que acab\u00e1ramos de assistir a um momento transcendental para a Humanidade.<\/p>\n<p>&#8211; Nada mais resta, disse desolado.<\/p>\n<p>Est\u00e1vamos na Reda\u00e7\u00e3o, e logo entendi o tamanho da tristeza do meu considerado, alguns pares de ano mais vivido do que eu. Ele lamentava os estertores de um tempo m\u00e1gico para a sua gera\u00e7\u00e3o. Um tempo que tinha como marco a explos\u00e3o dos sonhos no p\u00f3s-guerra. Um tempo emoldurado por ilus\u00f5es fugazes made in Hollywood, pelo apre\u00e7o ao estilo e eleg\u00e2ncia, por amores, densos exasperados e o sonho de sermos coletiva e individualmente verdadeiramente felizes.<\/p>\n<p>Da\u00ed em diante, diante de algumas estranhezas da vida, n\u00e3o tive (e n\u00e3o tenho) qualquer pudor em adaptar a observa\u00e7\u00e3o \u00e0 minha maneira de ser.<\/p>\n<p><em>\u201cO s\u00e9culo 20 acabou quando Frank Sinatra morreu\u201d<\/em>.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Hoje, tenho l\u00e1 minhas d\u00favidas. Mas, ainda n\u00e3o mudei de opini\u00e3o.<\/p>\n<p>Se meu interlocutor estranhar minha fala dist\u00f3pica, ent\u00e3o recorro inexor\u00e1vel ao grande Rubem Braga, jornalista e o cronista do Brasil l\u00edrico que ainda hoje almejamos:<\/p>\n<p><em>\u201cEu sou do tempo em que todas as geladeiras eram brancas e todos os telefones eram pretos.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Creio que, a partir da\u00ed, as d\u00favidas se esclarecem&#8230;<\/p>\n<p>Mas se precisar, de um refor\u00e7o, sapeco outra de Rubem Braga (foi ep\u00edgrafe da minha disserta\u00e7\u00e3o de mestrado):<\/p>\n<p><em>\u201cGl\u00f3ria ao padeiro que acredita no p\u00e3o.\u201d<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Um causo r\u00e1pido:<\/p>\n<p>Certa noite, l\u00e1 nos antigamente, ao participar de uma cola\u00e7\u00e3o de grau de formandos em jornalismo, fiquei feliz quando uma das oradoras da turma citou a dita-cuja frase em seu discurso de homenagem aos professores.<\/p>\n<p>Mil e tantas vezes repeti a cita\u00e7\u00e3o em sala de aula que, ao ouvi-la na voz da jovem formanda, fiquei todo orgulhoso e, juro, sinceramente, at\u00e9 pensei que fosse minha&#8230;<\/p>\n<p>(A frase, \u00f3bvio)<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Acho que j\u00e1 escrevi demais para quem n\u00e3o tinha assunto para o post de hoje.<\/p>\n<p>Termino, pois, com uma frase de S\u00e9rgio Porto, antes de virar o irreverente Stanislaw Ponte Preta:<\/p>\n<p><em>&#8220;A gente sempre se sente mais alegre da alegria que teve<\/em>.&#8221;<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/l9q8eVg2WtQ\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foto: J\u00f4 Rabelo<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><em>E eu corri pro viol\u00e3o num lamento<\/em><br \/>\n<em>e a manh\u00e3 nasceu azul<\/em><br \/>\n<em>Como \u00e9 bom poder tocar<\/em><br \/>\n<em>um instrumento<\/em><\/p>\n<p>Os versos de<em> Tigreza<\/em>,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":19157,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[450,321,44,591,885,1436,1435],"class_list":["post-23426","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-caetano-veloso","tag-frank-sinatra","tag-jornalismo","tag-raul-seixas","tag-rubem-braga","tag-sergio-porto","tag-tigreza"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23426","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23426"}],"version-history":[{"count":4,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23426\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":23430,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23426\/revisions\/23430"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/19157"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23426"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23426"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23426"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}