{"id":24669,"date":"2020-11-26T12:00:21","date_gmt":"2020-11-26T12:00:21","guid":{"rendered":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=24669"},"modified":"2020-11-25T18:44:54","modified_gmt":"2020-11-25T18:44:54","slug":"a-cor-da-vida-14-e-15","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/a-cor-da-vida-14-e-15\/","title":{"rendered":"A Cor da Vida (14 e 15)"},"content":{"rendered":"<p><em>Foto: J\u00f4 Rabelo<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><strong>14 &#8211; CHORAR OU N\u00c3O CHORAR<\/strong><\/p>\n<p>Naquele dia, lembro bem, eu estava quieto quando o Enzo voltou da sua bate\u00e7\u00e3o de pernas.<\/p>\n<p>Queria mesmo era ficar longe de todos.<\/p>\n<p>Ele sentou bem perto de mim. Na areia mesmo. Naquele tempo, podia. Hoje, minha m\u00e3e diz que \u00e9 melhor evitar:<\/p>\n<p>&#8211; Sabe-se l\u00e1, Mingo?<\/p>\n<p>Como dizia, eu estava juntando areia, sem forma e sem nada.<\/p>\n<p>N\u00e3o estava construindo um castelo, era s\u00f3 para passar o tempo mesmo.<\/p>\n<p>Ele tamb\u00e9m ficou em sil\u00eancio, cabisbaixo como eu. Pegou um palito de sorvete (naquele tempo, podia; hoje, melhor evitar, j\u00e1 sei!) e se p\u00f4s a riscar uma frase na areia:<\/p>\n<p><em>F e l i c i d a d e , t e u\u00a0 n o m e\u00a0 \u00e9 &#8230;<\/em><\/p>\n<p>Achei que ele escreveria um nome para completar a frase. Seria algum time de futebol? Ou seria a marca de uma roupa nova. Ou o nome daquela paulistinha bonita?<\/p>\n<p>Ele ficou olhando o mar, a linha do horizonte, olhando, olhando&#8230;<\/p>\n<p>Depois apagou tudo com o p\u00e9. Passou a m\u00e3o na minha cabe\u00e7a e disse:<\/p>\n<p>&#8211; \u00c9 bom ser crian\u00e7a e chorar a hora que bem quiser, a hora que bem entender. Se quiser chorar de novo, chore \u00e0 vontade.<\/p>\n<p>*<\/p>\n<p>N\u00e3o sei, desconfiei que o Enzo estava triste, triste.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que ele j\u00e1 sabia mais coisa do que n\u00f3s sobre a pandemia que logo viria?<\/p>\n<p>Acho que n\u00e3o.<\/p>\n<p>Ou sim?<\/p>\n<p>Dizem que os artistas t\u00eam uma antena que capta tudo o que ainda vai acontecer.<\/p>\n<p>T\u00eam o dom de preparar as pessoas ao que est\u00e1 por vir.<\/p>\n<p>N\u00e3o lembro quem falou isso.<\/p>\n<p>Escritor \u00e9 artista, n\u00e9?<\/p>\n<p>Vai ver que \u00e9 isso.<\/p>\n<p>Ou foi a lembran\u00e7a da mulher paulista mesmo?<\/p>\n<p>Olhos de ressaca, ele disse.<\/p>\n<p>A vida \u00e9 mesmo um espantar-se!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>15 &#8211; O TAMANHO DA TRISTEZA<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Acho que foi naquele dia mesmo ou no outro ou ainda no outro que desabafei para o Enzo e para mim mesmo.<\/p>\n<p>O que que h\u00e1?<\/p>\n<p>Chorar eu choro mesmo e forte quando reencontro o meu pai. Quando ele vem para o Brasil ou eu vou para a Argentina. A gente fica uns 20, 30 dias juntos. Pouco mais, pouco menos que n\u00e3o sou bom de conta. Depois na hora da separa\u00e7\u00e3o \u00e9 pior ainda. A\u00ed, sim, entendo o tamanho da tristeza e choro. Choro mesmo. Mas, \u00e9 diferente. Choro quieto, do\u00eddo, no meu canto.<\/p>\n<p>Quer dizer, na hora choro mesmo.<\/p>\n<p>Depois, fico com esse choror\u00f4 preso dentro de mim por v\u00e1rios dias. Tr\u00eas, quatro, sei l\u00e1.<\/p>\n<p>Acho que o Enzo entendeu o que eu quis dizer.<\/p>\n<p>Entendeu o tamanho da minha tristeza.<\/p>\n<p>Nada disse. Mas senti que me entendeu.<\/p>\n<p>T\u00e1 ruim, mas t\u00e1 bom &#8211; assim que ele diz.<\/p>\n<p>E sorri quando completo:<\/p>\n<p>Melhor isso do que nada!<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><em>Continua amanh\u00e3&#8230;<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/fl2WJdn3qOE\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><em>Foto: J\u00f4 Rabelo<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><strong>14 &#8211; CHORAR OU N\u00c3O CHORAR<\/strong><\/p>\n<p>Naquele dia, lembro bem, eu estava quieto quando o Enzo voltou da sua bate\u00e7\u00e3o de pernas.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":20582,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[1746,1749,75,1163,1748,1747,1118,653,1162],"class_list":["post-24669","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-a-cor-da-vida","tag-arraial-dajuda","tag-futebol","tag-isolamento-social","tag-mingo","tag-o-conto","tag-pandemia","tag-praia","tag-quarentena"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24669","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24669"}],"version-history":[{"count":4,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24669\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":24722,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24669\/revisions\/24722"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/20582"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24669"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24669"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24669"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}