{"id":24915,"date":"2021-04-13T14:16:30","date_gmt":"2021-04-13T14:16:30","guid":{"rendered":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=24915"},"modified":"2021-04-13T14:34:27","modified_gmt":"2021-04-13T14:34:27","slug":"a-profecia","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/a-profecia\/","title":{"rendered":"A profecia"},"content":{"rendered":"<p><em>Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Devo-lhes uma&#8230;<\/p>\n<p>Prometi em meio ao texto de ontem que hoje lhes contaria um causo &#8211; ent\u00e3o, vamos l\u00e1.<\/p>\n<p>Senta que l\u00e1 vem hist\u00f3ria!<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Entre os anos de 1979 e 1980, circulou em S\u00e3o Paulo o di\u00e1rio <em>Jornal da\u00a0Rep\u00fablica\u00a0<\/em>com uma pl\u00eaiade de grandes nomes d0 jornalismo p\u00e1trio, comandados pelos luminares Cl\u00e1udio Abramo e Mino Carta.<\/p>\n<p>Uma experi\u00eancia interessante que durou seis meses; pouco mais, talvez.<\/p>\n<p>Dizem que n\u00e3o houve apoio das ag\u00eancias de publicidade -esta e outras quest\u00f5es infelizmente lhe abreviaram a trajet\u00f3ria e a exist\u00eancia.<\/p>\n<p>Enfim&#8230;<\/p>\n<p>\u00c9 do jog0.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Uma curiosidade.<\/p>\n<p>Tenho em algum canto dos arm\u00e1rios da casa a encaderna\u00e7\u00e3o de quase todas as edi\u00e7\u00f5es do jornal. Perdi meia d\u00fazia de n\u00fameros, se tanto.<\/p>\n<p>Rec\u00e9m formado em jornalismo, passou a ser minha refer\u00eancia na profiss\u00e3o ao lado do ent\u00e3o <em>Jornal da Tarde<\/em> (diga-se, tamb\u00e9m criado por Mino Carta).<\/p>\n<p>Qualquer dia tomo coragem e enfrento a poeira, os \u00e1caros e as lembran\u00e7as dos idos e havidos tempos, folheio as p\u00e1ginas amareladas &#8211; e, estou certo, terei um farto e rico material para lhes mostrar, aqui, em nosso humilde Blog.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Uma dessas hist\u00f3rias, a tenho clara na mem\u00f3ria, pois se mostra atual\u00edssima mesmo depois de tantos e tantos anos.<\/p>\n<p>Trata-se de uma passagem ocorrida aos olhos do jornalista Mino Carta e que, posteriormente, ele transformou em tema para o breve editorial que assinava na primeira p\u00e1gina do jornal.<\/p>\n<p>Tudo come\u00e7a com a discuss\u00e3o entre duas portentosas damas da nossa sociedade a se esfalfarem em improp\u00e9rios na v\u00e3 tentativa de ser atendida pelo pasmo e atarefado frentista junto \u00e0 bomba de gasolina.<\/p>\n<p>Ambas queriam completar o tanque de seus possantes. Uma antes da outra, claro.<\/p>\n<p>N\u00e3o abririam m\u00e3o da primazia em rela\u00e7\u00e3o a quem quer que fosse.<\/p>\n<p>Como assim?<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Explico:<\/p>\n<p>Naquela \u00e9poca, os aumentos dos combust\u00edveis eram anunciados pelo cavernoso Governo Militar minutos antes de os postos encerrarem suas atividades. \u00c0s 20 horas.<\/p>\n<p>O <em>Jornal Nacional<\/em> &#8211; sempre o tal &#8211; dava a informa\u00e7\u00e3o &#8211; e era um Deus nos acuda.<\/p>\n<p>Formavam-se longas filas, pois.<\/p>\n<p>Como bons brasileiros que somos, ansi\u00e1vamos o regalo, o privil\u00e9gio, a vantagem.<\/p>\n<p>\u00c9 b\u00edblico, diriam:<\/p>\n<p>&#8221; Mateus, primeiro os meus.&#8221;<\/p>\n<p>Tudo para economizar alguns trocados.<\/p>\n<p>Mesmo quem como as distintas madames n\u00e3o precisasse. as escaramu\u00e7as eram inevit\u00e1veis.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Mino \u00e9 italiano de nascimento, da bela comuna de Genova. Veio para o Brasil ainda garoto ao fim da Segunda Grande Guerra. A cena &#8211; deplor\u00e1vel em todos os aspectos &#8211; fez com que ele refletisse que, at\u00e9 ent\u00e3o, o Brasil n\u00e3o havia enfrentado um momento, digamos, cr\u00edtico, contundente em \u00e2mbito nacional.<\/p>\n<p>Desconfio que usou o termo &#8220;uma grande trag\u00e9dia&#8221;. Que a todos atingisse indistintamente.<\/p>\n<p>Talvez por isso fosse comum o comportamento ego\u00edsta daquelas senhoras que, justi\u00e7a se lhes fa\u00e7a, se repetia em outros postos de gasolina em qualquer canto do pa\u00eds. Indiferente de credo, ra\u00e7a e, digamos, classe social.<\/p>\n<p>Disse mais, o Mino &#8211; e concluiu: se tal comportamento se perpetrasse principalmente no que chamou de elite [ou classe m\u00e9dia, n\u00e3o lembro bem], n\u00e3o haveria futuro para a democracia que, ent\u00e3o e avidamente, ainda almej\u00e1vamos conquistar.<\/p>\n<p>E que ainda, tantos e tantos anos depois, bambeia em cacos e desmandos.<\/p>\n<p>Aprenderemos?<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"YouTube video player\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/BeaGpazunz0\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><em>Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Devo-lhes uma&#8230;<\/p>\n<p>Prometi em meio ao texto de ontem que hoje lhes contaria um causo &#8211; ent\u00e3o, vamos l\u00e1.<\/p>\n<p>Senta que l\u00e1 vem hist\u00f3ria!<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":24917,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[151,1821,44,1822,1823],"class_list":["post-24915","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-brasil","tag-jornal-da-republica","tag-jornalismo","tag-mino-carta-editorial","tag-viola-enluarada"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24915","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24915"}],"version-history":[{"count":5,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24915\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":24921,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24915\/revisions\/24921"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/24917"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24915"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24915"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24915"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}