{"id":25062,"date":"2021-05-01T04:00:53","date_gmt":"2021-05-01T04:00:53","guid":{"rendered":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=25062"},"modified":"2021-05-01T19:17:12","modified_gmt":"2021-05-01T19:17:12","slug":"saindo-o-vale","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/saindo-o-vale\/","title":{"rendered":"Onde Alexandre tocou a estrela"},"content":{"rendered":"<p>Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><em>Deixar o vale foi a coisa mais dif\u00edcil que j\u00e1 fiz. <\/em><em>Lembrei-me do tapa (verso) que minha av\u00f3 costumava recitar: &#8220;Nenhum patchum deixa sua terra por vontade pr\u00f3pria\/Ou ele a deixa por pobreza, ou por amor&#8221;. Mas est\u00e1vamos sendo expulsos por um terceiro motivo, que o autor do tapa nem podia imaginar: o Talib\u00e3.<\/em><\/p>\n<p><em>Deixar minha casa foi como ter meu cora\u00e7\u00e3o arrancado do peito. Fui at\u00e9 o terra\u00e7o, olhei as montanhas, o monte Ilam de pico nevado, onde Alexandre ergueu a m\u00e3o e tocou na estrela de J\u00fapiter. Olhei para as \u00e1rvores, todas com folhas novas. O damasqueiro, cujo fruto outra pessoa talvez comesse. Tudo estava em sil\u00eancio, um sil\u00eancio absoluto. N\u00e3o havia barulho vindo do rio ou do vento; nem mesmo os passarinhos cantavam.<\/em><\/p>\n<p><em>Fiquei com vontade de chorar, pois eu sentia, no meu cora\u00e7\u00e3o, que talvez nunca mais visse minha casa de novo. Os documentaristas me haviam perguntado como eu me sentiria se algum dia deixasse o (o vale do) Swat e nunca mais voltasse. Na \u00e9poca eu tinha considerado idiota a pergunta, mas agora percebia que tudo aquilo que eu n\u00e3o conseguia imaginar que pudesse acontecer acabara acontecendo. Pensei que minha escola n\u00e3o poderia fechar, e fechou. Pensei que jamais sair\u00edamos do vale e est\u00e1vamos prestes a faz\u00ea-lo. Pensei que o Swat um dia ficaria livre do Talib\u00e3 e que ir\u00edamos celebrar, mas agora me dava conta de que isso talvez n\u00e3o acontecesse. Comecei a chorar. E foi como se todos estivessem esperando uma pessoa chorar para tamb\u00e9m fazer isso.<\/em><\/p>\n<p><em>Quando Mel, a esposa de meu primo, tamb\u00e9m come\u00e7ou a chorar, todos n\u00f3s est\u00e1vamos aos prantos&#8230;<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>* Relato extra\u00eddo do livro<strong> Eu sou Malala &#8211; A hist\u00f3ria da garota que defendeu o direito \u00e0 Educa\u00e7\u00e3o e foi baleada pelo Talib\u00e3<\/strong><em>.\u00a0<\/em>Por Malala Yousafzai com Christina Lamb (<em>Companhia das Letras\/2013<\/em>).<\/p>\n<p>Sobre a destemida menina Malala e sua corajosa jornada que a fez partir do vale\u00a0 do Swat ao norte do Paquist\u00e3o \u00e0 tribuna das Na\u00e7\u00f5es Unidas em Nova York.<\/p>\n<p>Aos 16 anos, a ativista se transformou em s\u00edmbolo global de protesto pac\u00edfico e, em 2014, tornou-se a mais jovem vencedora do Nobel da Paz.<\/p>\n<p>Ocorre-me o termo: talib\u00e3niza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Existe essa palavra para definir um governo, um regime, uma regi\u00e3o, um pa\u00eds?<\/p>\n<p>Acho que ouvi qualquer coisa nesse sentido por esses dias&#8230;<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><strong>Quatro anos sem Belchior<\/strong><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"YouTube video player\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/5ZIS50TTNF0\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p><em>Foi ontem. Mas, deixei a refer\u00eancia\/homenagem para hoje, devidamente alertado pela leitora Viviane Jobim. Aqui, um momento especial na vida de dois cearenses extraordin\u00e1rios. Confiram!<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><em>Deixar o vale foi a coisa mais dif\u00edcil que j\u00e1 fiz. <\/em><em>Lembrei-me do tapa (verso) que minha av\u00f3 costumava recitar: &#8220;Nenhum patchum deixa sua terra por vontade pr\u00f3pria\/Ou ele a deixa por pobreza,<\/em><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":25063,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[1876,1877,458,1872,1873,1874,1875],"class_list":["post-25062","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-belchior","tag-chico-anisio","tag-livro","tag-malala","tag-nobel-da-paz","tag-relato","tag-taliba"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25062","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25062"}],"version-history":[{"count":7,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25062\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":25071,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25062\/revisions\/25071"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/25063"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25062"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25062"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25062"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}