{"id":25139,"date":"2021-05-11T06:00:09","date_gmt":"2021-05-11T06:00:09","guid":{"rendered":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=25139"},"modified":"2023-12-03T15:34:55","modified_gmt":"2023-12-03T15:34:55","slug":"falemos-de-jornalismo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/falemos-de-jornalismo\/","title":{"rendered":"Fim de \u00c9poca"},"content":{"rendered":"<p><em>Foto: Arquivo Pessoal<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Falemos de jornalismo&#8230;<\/p>\n<p>Falemos de jornalismo, antes que acabe.<\/p>\n<p>Uma provoca\u00e7\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>Ou n\u00e3o?<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Meados dos anos 70.<\/p>\n<p>Cen\u00e1rio: Escola de Comunica\u00e7\u00f5es e Artes da Universidade de S\u00e3o Paulo. Sala de aula do curso Jornalismo.<\/p>\n<p>Personagens: o professor de Fundamentos Cient\u00edficos da Comunica\u00e7\u00e3o, o chileno Jos\u00e9 Wilcher, e uma penca de estudantes a desconfiar de tudo o que mestre diz.<\/p>\n<p>Vivamos a cena, caros leitores:<\/p>\n<p>\u00c0 medida que o professor fala em&nbsp;&nbsp;<em>portunhol <\/em>t\u00edpico<em>,<\/em>&nbsp;ele desordenadamente rabisca no quadro as palavras-chaves do conte\u00fado do dia.<\/p>\n<p>De repente, l\u00e1 est\u00e1 a causa da disc\u00f3rdia:<\/p>\n<p>&#8220;CICLO DE VIDA&#8221;<\/p>\n<p>Os estudantes se entreolham como a perguntar um para o outro e o outro para o um:<\/p>\n<p>&#8220;Como assim?&#8221;<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>A d\u00favida \u00e9 conceitual.<\/p>\n<p>O espalhafatoso Wilcher gesticula, risca e rabisca, mas \u00e9 claro no que diz:<\/p>\n<p>&#8220;Assim como tudo na vida, jornais e revistas obedecem a um ciclo natural de exist\u00eancia. Nascem, desenvolvem-se (uns mais, outros menos), atingem o apogeu e&#8230;&nbsp; Bem&#8230; e depois declinam e desaparecem. Morrem.&#8221;<\/p>\n<p>A&nbsp; turma continua incr\u00e9dula:<\/p>\n<p>Quer dizer que t\u00edtulos seculares como os dos nossos principais jornais e revistas est\u00e3o com os dias contados?<\/p>\n<p>D\u00e1 para acreditar?<\/p>\n<p>&#8220;Ah, o chileno e mais um de seus del\u00edrios!&#8221; &#8211; ou\u00e7o algu\u00e9m dizer ao meu lado.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Corto para os dias atuais&#8230;<\/p>\n<p><em>Jornal do Brasil, O Cruzeiro, Manchete, Di\u00e1rio da Noite, Di\u00e1rio de S. Paulo, A Gazeta, Gazeta Esportiva, Gazeta Mercantil, Di\u00e1rio do Comercio e Ind\u00fastria, Di\u00e1rio Popular, Not\u00edcias Populares, \u00daltima Hora, Jornal da Tarde<\/em>&nbsp;entre outros tantos.<\/p>\n<p>Esses j\u00e1 se foram&#8230;.<\/p>\n<p>No final de semana, leio no <em>Portal Comunique-se<\/em> que a <em>Revista \u00c9poca&nbsp;<\/em>ser\u00e1 &#8220;descontinuada&#8221;.<\/p>\n<p>N\u00e3o me surpreendo.<\/p>\n<p>Descontinuar \u00e9 o eufemismo que o dito &#8216;politicamente correto&#8217;&nbsp; usa para atenuar a dura e cruel realidade.<\/p>\n<p>A revista acabou.<\/p>\n<p>J\u00e1 era!<\/p>\n<p>(Se \u00e9 que algum dia foi?)<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>H\u00e1 todo um arrazoado de raz\u00f5es elencadas pelas Organiza\u00e7\u00f5es Globo para a imediata ado\u00e7\u00e3o de tal medida. Inclusive aquela que destaca: na medida do poss\u00edvel, os profissionais da revista ser\u00e3o alocados em fun\u00e7\u00f5es equivalentes nas outras plataformas de jornalismo da empresa.<\/p>\n<p>Alguns (muitos), obviamente, v\u00e3o engrossar a fila e os \u00edndices do desemprego.<\/p>\n<p>Elementar, meu caro Watson!<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Lamento sempre&nbsp; o desaparecimento de postos de trabalho, seja qual for a categoria profissional. Pelas raz\u00f5es que todos bem conhecemos:<\/p>\n<p>A corda sempre arrebenta do lado mais fraco.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Lamento um tanto mais (e pessoalmente) por ser jornalista.&nbsp; Jornalista do texto escrito, do impresso.<\/p>\n<p>Tirante uma breve passagem por uma emissora paulistana como produtor de um programa&nbsp; radiof\u00f4nico sobre MPB, sempre trabalhei em jornais\/jornais e em uma ou outra revista.<\/p>\n<p>Ainda hoje, vez ou outra, me defino, aqui no Blog, como &#8220;um cronista de jornal sem jornal&#8221;.<\/p>\n<p>Por essas e por outras, o amigo leitor pode dimensionar meu desalento, sem abrir m\u00e3o da minha franqueza.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>A bem da verdade, ou\u00e7o o progn\u00f3stico de que o jornalismo impresso tende a desaparecer desde os tempos da p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. Fim dos anos 90, in\u00edcio do s\u00e9culo, por a\u00ed.<\/p>\n<p>O professor Jacques Marie Joseph Vigneron nos dizia sobre a tal converg\u00eancia digital, o inevit\u00e1vel decl\u00ednio dos&nbsp;<em>mass medias<\/em><em>,&nbsp;<\/em>a interconectividade em grau planet\u00e1rio, o poder incontrol\u00e1vel das redes sociais que j\u00e1 ampliavam poderosos tent\u00e1culos e as contundentes mudan\u00e7as dos processos comunicacionais.<\/p>\n<p>Para o s\u00e1bio e generoso Vigneron, o prazo de sobrevida da turma do papel era de 20 anos.<\/p>\n<p>Ele era um vision\u00e1rio.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>&#8220;Tem um tempinho ainda&#8221; &#8211; diziam-me (falsos) colegas de classe em tom de consolo e pilh\u00e9ria.<\/p>\n<p>Para mim, era simplesmente imposs\u00edvel acreditar.<\/p>\n<p>Naqueles idos, eu assinava tr\u00eas jornais di\u00e1rios e quatro revistas semanais. Trabalhava em um seman\u00e1rio, colaborava com outros tantos.<\/p>\n<p>Enfim&#8230;<\/p>\n<p>Como viveria, sem eles?<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>&#8220;Vivendo&#8221; &#8211; digo hoje laconicamente.<\/p>\n<p>N\u00e3o assino mais nenhum deles &#8211; e me informo, como todo mundo, pela tela do celular.<\/p>\n<p>(Raramente vejo o notici\u00e1rio da TV. R\u00e1dio, s\u00f3 m\u00fasica e no carro. E, olhem: sou das antigas!)<\/p>\n<p>Ao que sei, h\u00e1 ainda alguns t\u00edtulos que resistem brava e estoicamente.<\/p>\n<p>(Aplausos!)<\/p>\n<p>Mas, reconhe\u00e7a-se, sem o mesmo vigor e notoriedade de outros tempos.<\/p>\n<p>S\u00e3o facilmente suplantados pelos pr\u00f3prios suced\u00e2neos digitais &#8211; e sequer falo aqui das alopradas redes sociais (para as quais, ainda guardo a devida dist\u00e2ncia).<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Dias atr\u00e1s, precisamente no dia 26 de abril, publiquei um texto (<a href=\"http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/nunca-houve-nada-igual-2\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Nunca houve nada igual *<\/strong><\/a>) em que relembro meus primeiros tempos de rep\u00f3rter, a parceria com o rep\u00f3rter-fotogr\u00e1fico (ora o Cl\u00e1udio, ora o Walt\u00e3o), a viatura dirigida pelo Sr. Elizeu, o gosto e a sensa\u00e7\u00e3o de aventura e comprometimento.<\/p>\n<p>Reportagem na veia.<\/p>\n<p>No mesmo dia, o jornalista e professor&nbsp;Jorge Tarquini fez a seguinte pondera\u00e7\u00e3o a partir do post:<\/p>\n<p>&#8220;Ser\u00e1 que os rep\u00f3rteres da atualidade v\u00e3o entender o que era sair com sua dupla e um motorista numa viatura para fazer a reportagem?&#8221;<\/p>\n<p>Conclu\u00edmos tristes e nostalgicamente que n\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>O rep\u00f3rter anda em baixa, o que \u00e9 um risco por si.<\/p>\n<p>Privilegia-se o colunismo e o coment\u00e1rio em cima das informa\u00e7\u00f5es que se obt\u00e9m pela a\u00ed ou &#8211; pior! &#8211; se inventa ou se faz acomodar aos pr\u00f3prios interesses.<\/p>\n<p>Da\u00ed, o meu temor:<\/p>\n<p>Que antes mesmo que o jornalismo impresso, desapare\u00e7a o pr\u00f3prio jornalismo como express\u00e3o das intermedia\u00e7\u00f5es sociais.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 o caos e o predom\u00ednio do pensamento \u00fanico, autorit\u00e1rio.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Falemos de jornalismo, amigos.<\/p>\n<p>At\u00e9 para preservar alguma esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"YouTube video player\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/qSzKPuqLE1Q\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><em>Foto: Arquivo Pessoal<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Falemos de jornalismo&#8230;<\/p>\n<p>Falemos de jornalismo, antes que acabe.<\/p>\n<p>Uma provoca\u00e7\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>Ou n\u00e3o?<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":19088,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[355,74,1902,1903,44],"class_list":["post-25139","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-epoca","tag-imprensa","tag-impresso","tag-jornais-e-revistas","tag-jornalismo"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25139","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25139"}],"version-history":[{"count":11,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25139\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":30433,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25139\/revisions\/30433"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/19088"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25139"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25139"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25139"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}