{"id":25248,"date":"2021-05-28T06:00:19","date_gmt":"2021-05-28T06:00:19","guid":{"rendered":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=25248"},"modified":"2021-05-28T13:59:40","modified_gmt":"2021-05-28T13:59:40","slug":"o-historiador-do-samba","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/o-historiador-do-samba\/","title":{"rendered":"O historiador do samba"},"content":{"rendered":"<p><em>Foto: Edinho Alves\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Era uma ensolarada tarde do mais antigo dos anos, os amigos sambistas reuniram-se ao redor da mesa num dos c\u00f4modos da casa do compositor Carlos Cacha\u00e7a.<\/p>\n<p>Bebericavam, lembravam hist\u00f3rias, comia solta a cantoria apoiada no batuque sincopado de velhas can\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>N\u00e9lson Sargento, ele mesmo tido e havido como a hist\u00f3ria viva da Mangueira e do samba, era dos mais animados.<\/p>\n<p>Cismou de provocar logo quem&#8230; O ensimesmado\u00a0 mestre Cartola.<\/p>\n<p>E de que forma?<\/p>\n<p>P\u00f4s-se a cantar, de uma s\u00f3 enfiada, oito sambas do pr\u00f3prio Cartola que nem mesmo Cartola lembrava de ser o autor.<\/p>\n<p>Desaforo?<\/p>\n<p>Nada disso. Pura (e privilegiada) mem\u00f3ria.<\/p>\n<p>Sargento ria diante do espanto do mestre &#8211; e da admira\u00e7\u00e3o dos demais.<\/p>\n<p>Ria e fazia o desafio:<\/p>\n<p>&#8220;Se o mestre me der parceria, canto mais oito&#8230;&#8221;<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Era o relato que corria na velha reda\u00e7\u00e3o do <em>Di\u00e1rio da Noite<\/em>, ali, pelos anos 70 quando por l\u00e1 estive, por duas semanas, em busca do meu primeiro emprego como rep\u00f3rter-estagi\u00e1rio.<\/p>\n<p>Confirmei a veracidade da historieta, tempos depois, ao ler a contracapa do\u00a0\u00e1lbum <em>Sonho de Um Sambista,\u00a0\u00a0<\/em>precioso registro da obra de N\u00e9lson Sargento, lan\u00e7ado em 1979 pelo selo dos Est\u00fadios Eldorado.<\/p>\n<p>Quem assinava o texto era o jornalista Arley Pereira que, a bem da verdade, eu s\u00f3 conhecia na fun\u00e7\u00e3o de jurado de programas de calouros na TV &#8211; e que, na verdade, era um dos grandes cultores do g\u00eanero e estava entre os respons\u00e1veis pela redescoberta pra valer de not\u00e1veis e esquecidos sambistas cariocas como Cartola, N\u00e9lson Cavaquinho, Carlos Cacha\u00e7a, Billy Blanco, N\u00e9lson Sargento, al\u00e9m dos paulistanos Adoniran Barbosa e Geraldo Filme.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Outro nome importante nesse garimpo e empreitada foi o produtor musical Jo\u00e3o Carlos Botezelli, mais conhecido nas lides art\u00edsticas como Pel\u00e3o.<\/p>\n<p>Todos esses nomes de bambas &#8211; e mais alguns, igualmente importantes &#8211; gravaram seus discos de estreia sob a dire\u00e7\u00e3o de Pel\u00e3o pelo mesmo selo e na mesma d\u00e9cada de 70.<\/p>\n<p>Por essa \u00e9poca, eu j\u00e1 era rep\u00f3rter na \u00e1rea de Cultura, trabalhando exata e felizmente na cobertura de shows e lan\u00e7amentos na \u00e1rea musical.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>A bem da verdade, foi quando tomei conhecimento da carreira e da obra do carioca N\u00e9lson Matos, apelidado de Sargento pelos tempos que andou no Ex\u00e9rcito. Era artista pl\u00e1stico (de linhagem primitiva, algu\u00e9m me disse), mas um inveterado defensor do samba, a quem dedicava toda sua vida.<\/p>\n<p>Para N\u00e9lson Sargento, o samba era uma institui\u00e7\u00e3o nacional.<\/p>\n<p>Fez mais de 400 sambas. Participou do grupo\u00a0<em>Os Cinco Crioulos<\/em>\u00a0ao lado de Elthon Medeiros, Jair do Cavaquinho, Anescarzinho do Salgueiro que revelou Paulinho da Viola pra os palcos da vida.<\/p>\n<p>Foi parceiro de cena de Clementina de Jesus e Aracy Cortes no igualmente hist\u00f3rico musical <em>Rosa de Ouro<\/em>, de Herm\u00ednio Bello de Carvalho.<\/p>\n<p>E esteve ao lado do compositor\u00a0 Z\u00e9 Ketti\u00a0 no conjunto <em>A Voz do Morro<\/em>, outra refer\u00eancia do renascimento do samba como nosso principal g\u00eanero musical.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>N\u00e9lson Sargento morreu ontem no Rio de Janeiro aos 96 anos.<\/p>\n<p>Era vasca\u00edno da gema, integrante da ala de compositores da Mangueira, outra de suas grandes paix\u00f5es.<\/p>\n<p>A cantora Alcione assim o homenageou em suas redes sociais:<\/p>\n<p>&#8220;Para mim, ele sempre pareceu um lorde na maneira de se comportar, de se vestir e de falar. Era um desses galhos fortes do nosso jequitib\u00e1 o samba, que \u00e9 a Mangueira. Tenho maior orgulho de pertencer a essa escola tamb\u00e9m pelo N\u00e9lson Sargento. Orgulho do samba. Descanse em paz.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"YouTube video player\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/DrgfPiYhFV8\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><em>Foto: Edinho Alves\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Era uma ensolarada tarde do mais antigo dos anos, os amigos sambistas reuniram-se ao redor da mesa num dos c\u00f4modos da casa do compositor Carlos Cacha\u00e7a.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":25249,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[1959,1960,571,135,1958,1961,95],"class_list":["post-25248","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-alcione","tag-estudio-eldorado","tag-historia","tag-memoria","tag-nelson-sargento","tag-pelao","tag-samba"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25248","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25248"}],"version-history":[{"count":7,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25248\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":25256,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25248\/revisions\/25256"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/25249"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25248"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25248"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25248"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}