{"id":25510,"date":"2021-08-03T23:14:09","date_gmt":"2021-08-03T23:14:09","guid":{"rendered":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=25510"},"modified":"2021-08-04T22:49:59","modified_gmt":"2021-08-04T22:49:59","slug":"glauber-e-a-verdade-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/glauber-e-a-verdade-do-brasil\/","title":{"rendered":"Glauber e a verdade do Brasil"},"content":{"rendered":"<p><em>Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/Canal Curta!<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>E l\u00e1 se v\u00e3o 40 anos sem Glauber.<\/p>\n<p>O mais controverso nome do cinema brasileiro, o baiano Glauber de Andrade Rocha, morreu em agosto de 1981, no Rio de Janeiro. Septicemia foi a causa mortis. Tinha 42 anos. Deixou como legado obras como<em> Deus e o Diabo na Terra do Sol<\/em> (1964) e <em>Terra em Transe<\/em> (1967), entre outros t\u00edtulos que o consagraram e, de resto, solidificaram a m\u00e1xima do Cinema Novo:<\/p>\n<p><em>Uma c\u00e2mera na m\u00e3o e uma ideia na cabe\u00e7a<\/em>.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Fico surpreso quando, ao remexer numa papelada antiga, encontro rabiscos de minha participa\u00e7\u00e3o em um dos pain\u00e9is do 3\u00ba Congresso Internacional de Jornalismo Cultural, promovido pela Revista Cult que, em 2011, reverenciou os 30 anos da prematura morte do not\u00e1vel autor.<\/p>\n<p>Pois \u00e9, amigos, houve um tempo no Brasil &#8211; um breve tempo &#8211; em que iniciativas que privilegiavam a Arte e a Cultura eram bem-vindas e incentivadas.<\/p>\n<p>Acreditem, e pura verdade!<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Foi no audit\u00f3rio do Tuca na PUC de S\u00e3o Paulo, se bem me lembro.<\/p>\n<p>Mas, n\u00e3o se espantem, n\u00e3o sou um cin\u00e9filo.<\/p>\n<p>N\u00e3o participei desses debates.<\/p>\n<p>Fui convidado a falar em outro painel. Sobre ensino de jornalismo, grade curricular, discuss\u00e3o entre teoria e pr\u00e1tica, esses badulaques todos que me cabiam como coordenador de um curso de gradua\u00e7\u00e3o em jornalismo.<\/p>\n<p>Dei meus pitacos, como sempre fa\u00e7o, Nada de relevante, por\u00e9m.<\/p>\n<p>Se convidado fosse a falar de Glauber, s\u00f3 saberia dizer que o vejo como &#8216;g\u00eanio da ra\u00e7a&#8217; num pa\u00eds em que o sonho ainda se fazia poss\u00edvel.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Aviso aos amigos, leitores e navegantes que:<\/p>\n<p>Antes da fala\u00e7\u00e3o, os zelosos organizadores abasteceram os incautos palestrantes com farto material sobre o cineasta.<\/p>\n<p>Folheio agora o calhama\u00e7o preparat\u00f3rio &#8211; e, tanto tempo depois, tenho outra surpresa: o quanto o pensamento de Glauber ainda nos \u00e9 imprescind\u00edvel.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Fa\u00e7o uma breve colet\u00e2nea das palavras de Glauber \u00e0 Imprensa ao longo dos anos:<\/p>\n<p>\u00c0 <strong>Folha de S.Paulo<\/strong>, em 14.10.1976:<\/p>\n<p><em>A contradi\u00e7\u00e3o \u00e9 o princ\u00edpio da democracia. <\/em><\/p>\n<p><em>H\u00e1 necessidade do di\u00e1logo e do antidi\u00e1logo, pois da discuss\u00e3o nasce a luz<\/em>.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Ao site <strong>Tempo de Glauber<\/strong>:<\/p>\n<p><em>A cultura popular n\u00e3o \u00e9 o que se chama tecnicamente de folclore,<\/em><\/p>\n<p><em>Mas, sim, a linguagem popular de permanente rebeli\u00e3o hist\u00f3rica.<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Ao <strong>Jornal da Rep\u00fablica<\/strong>, em 03.09.1979:<\/p>\n<p><em>Artista n\u00e3o pode trabalhar pensando em p\u00fablico, quem pensa em p\u00fablico \u00e9 pol\u00edtico.<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Ao <strong>Jornal de Bras\u00edlia<\/strong>, em 04.01.1079:<\/p>\n<p><em>O jornalismo \u00e9 uma verdadeira literatura moderna.<\/em><\/p>\n<p><em>Mas o jornalista escreve reprimido, literalmente. <\/em><\/p>\n<p><em>Tem medo de soltar a veia liter\u00e1ria porque h\u00e1 as conven\u00e7\u00f5es do jornalismo. <\/em><\/p>\n<p><em>Deveria ser o contr\u00e1rio.<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>\u00c0 <strong>Raquel Gerber<\/strong>, em Roma, no ano de 1973, Glauber foi mais contundente:<\/p>\n<p><em>As manifesta\u00e7\u00f5es do povo s\u00e3o as mais importantes.<\/em><\/p>\n<p><em>E eu filmo essas manifesta\u00e7\u00f5es.<\/em><\/p>\n<p><em>Por isso \u00e9 que convencem.<\/em><\/p>\n<p><em>Convencem at\u00e9 os inimigos porque t\u00e1 l\u00e1 a verdade<\/em>.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Uma quest\u00e3o que hoje me aflige entre tantas e tamanhas:<\/p>\n<p>Por onde anda aquele Brasil onde o sonho era poss\u00edvel?<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"YouTube video player\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/SPqCQcgFA9o\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>*<em>Glauber morreu em 22 de agosto de 1981, no Rio de Janeiro<strong>.<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>* Texto original publicado em 22\/08\/2011<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><em>Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/Canal Curta!<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>E l\u00e1 se v\u00e3o 40 anos sem Glauber.<\/p>\n<p>O mais controverso nome do cinema brasileiro, o baiano Glauber de Andrade Rocha,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":25511,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[2058,74,2061,2059,2060],"class_list":["post-25510","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-glauber-rocha","tag-imprensa","tag-repercussao","tag-revista-cult","tag-seminario"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25510","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25510"}],"version-history":[{"count":3,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25510\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":25514,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25510\/revisions\/25514"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/25511"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25510"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25510"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25510"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}