{"id":25520,"date":"2021-08-05T22:28:12","date_gmt":"2021-08-05T22:28:12","guid":{"rendered":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=25520"},"modified":"2021-08-05T22:37:04","modified_gmt":"2021-08-05T22:37:04","slug":"tinhorao","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/tinhorao\/","title":{"rendered":"Tinhor\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div class=\"post-item-wrap\">\n<h5 class=\"alt-font font-italic my-2 small text-info\"><em><strong>\u00a0* Texto e foto da Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/em><\/h5>\n<p>Morreu na ter\u00e7a, dia\u00a03, o jornalista, cr\u00edtico musical e pesquisador Jos\u00e9 Ramos Tinhor\u00e3o, de 93 anos. Ele estava internado h\u00e1 dois meses, com pneumonia, e a sa\u00fade combalida pela idade e por um acidente vascular cerebral (AVC) que sofreu h\u00e1 tr\u00eas anos. O sepultamento foi ontem no Cemit\u00e9rio dos Protestantes, em S\u00e3o Paulo<\/p>\n<p>A morte do jornalista foi confirmada pela Editora 34, de S\u00e3o Paulo, que publicou a maioria dos 20 livros escritos por Tinhor\u00e3o, entre os quais destacam-se\u00a0<em>Hist\u00f3ria Social da M\u00fasica Popular Brasileira<\/em>,\u00a0<em>As Origens da Can\u00e7\u00e3o Urbana<\/em>\u00a0e<em>\u00a0A M\u00fasica Popular no Romance Brasileiro<\/em>.<\/p>\n<p>Em nota, a editora manifestou pesar pela morte de Tinhor\u00e3o, a quem classificou como grande cr\u00edtico e pesquisador da cultura popular e da m\u00fasica brasileira. &#8220;Tinhor\u00e3o publicou, pela Editora 34, 18 t\u00edtulos: desde\u00a0<em>M\u00fasica Popular: Um Tema em Debate<\/em>, em 1997,\u00a0at\u00e9\u00a0<em>M\u00fasica e Cultura Popular: V\u00e1rios Escritos sobre um Tema em Comum<\/em>,\u00a0lan\u00e7ado em 2017.\u00a0Em suas pesquisas, Tinhor\u00e3o\u00a0reuniu um importante acervo de discos, partituras, peri\u00f3dicos, livros e fotos, hoje dispon\u00edvel no Instituto Moreira Salles&#8221;, diz o texto.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Nascido em Santos (SP), mudou-se para o Rio de Janeiro aos 9 anos de idade. Formado em direito e jornalismo, come\u00e7ou sua vida como jornalista em 1951, na\u00a0<em>Revista da Semana<\/em>, na qual assinava os textos como J. Ramos. Em 1952, aos 24 anos, ainda estudante de direito e de jornalismo, foi levado por Armando Nogueira, colega de faculdade, para o\u00a0<em>Di\u00e1rio Carioca<\/em>\u00a0como revisor. Foi nesse jornal que Jos\u00e9 Ramos ganhou o apelido Tinhor\u00e3o, que foi incorporado ao nome art\u00edstico.<\/p>\n<p>No\u00a0<em>Jornal do Brasil<\/em>, onde foi redator do\u00a0<em>Caderno B<\/em>, entre os anos de 1975 e 1980, cultivou uma s\u00e9rie de inimigos, entre compositores e cantores. Houve pol\u00eamicas com Paulinho da Viola, Chico Buarque e Tom Jobim. Tinhor\u00e3o afirmava que aquele tipo de m\u00fasica n\u00e3o era \u00a0brasileiro. Al\u00e9m do\u00a0<em>JB<\/em>\u00a0e do<em>\u00a0Di\u00e1rio Carioca<\/em>, passou pelas reda\u00e7\u00f5es dos jornais\u00a0<em>\u00daltima Hora<\/em>\u00a0e\u00a0<em>O Globo<\/em>, das revistas\u00a0<em>Veja<\/em>\u00a0e Senhor e das TVs Rio, Excelsior e Globo.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<div>\n<p>Jos\u00e9 Ramos Tinhor\u00e3o passou mais de 40 anos juntando raridades, entre discos, livros, fotografias, folhetos e peri\u00f3dicos que ajudaram a contar a hist\u00f3ria de fatos e personagens da \u00a0m\u00fasica popular brasileira.<\/p>\n<p>Em 2001, vendeu seu acervo ao Instituto Moreira Salles (IMS). Na sede da entidade, em S\u00e3o Paulo, a Cole\u00e7\u00e3o Tinhor\u00e3o come\u00e7ou a ser trabalhada: foi feita a digitaliza\u00e7\u00e3o dos discos de 78 rota\u00e7\u00f5es e a cataloga\u00e7\u00e3o dos livros. Em fevereiro de 2010, a cole\u00e7\u00e3o foi transferida para o IMS do Rio<span id=\"OBJ_PREFIX_DWT505_com_zimbra_date\" role=\"link\">\u00a0de Janeiro<\/span>, na G\u00e1vea.<\/p>\n<p>O\u00a0acervo acumulado ao longo de d\u00e9cadas por Tinhor\u00e3o vai muito al\u00e9m da discoteca formada por cerca de 10 mil itens; \u00e9 a soma de uma grande variedade de cole\u00e7\u00f5es indispens\u00e1veis aos estudiosos da evolu\u00e7\u00e3o da cultura urbana brasileira em geral, e n\u00e3o apenas da m\u00fasica popular. Inclui fotos, filmes,\u00a0<em>scripts<\/em>\u00a0(roteiros)<em>\u00a0<\/em>de r\u00e1dio, programas de cinema e teatro, cartazes e uma biblioteca especializada em obras sobre m\u00fasica, cr\u00f4nica e mem\u00f3rias, al\u00e9m de 11 cole\u00e7\u00f5es de suplementos liter\u00e1rios de jornais do Rio<span id=\"OBJ_PREFIX_DWT506_com_zimbra_date\" role=\"link\">\u00a0de Janeiro<\/span>\u00a0e de S\u00e3o Paulo, publicados a partir da d\u00e9cada de 1940.<\/p>\n<p>Completam o acervo fitas de \u00e1udio com depoimentos de personalidades, grava\u00e7\u00f5es de palestras e programas de televis\u00e3o de que o pr\u00f3prio Tinhor\u00e3o participou. No quadro geral, o per\u00edodo hist\u00f3rico coberto vai da\u00a0<span id=\"OBJ_PREFIX_DWT507_com_zimbra_date\" role=\"link\">segunda<\/span>\u00a0metade do s\u00e9culo 19 ao final do s\u00e9culo 20.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>..,<\/p>\n<p>* <em>Voc\u00eas, amigos leitores, bem sabem&#8230; <\/em><\/p>\n<p><em>Durante uns 20 e tantos anos dessa minha tr\u00f4pega caminhada, tive a ousadia de enveredar, como rep\u00f3rter e (por favor, n\u00e3o riam que o papo \u00e9 s\u00e9rio) cr\u00edtico, na \u00e1rea de m\u00fasica popular brasileira. Foi um tempo, digamos, inesquec\u00edvel de saborosas entrevistas e audi\u00e7\u00f5es de shows e discos. A grana era rala, mas divers\u00e3o e o encantamento compensavam. Desde esse tempo, mesmo a anos luz de sua magnific\u00eancia, tenho Tinhor\u00e3o como refer\u00eancia pelo empenho, autenticidade e honestidade jornal\u00edstica. Pesquisava, documentava e s\u00f3 escrevia sobre o que acreditava ser nossa leg\u00edtima identidade cultural, como povo e Na\u00e7\u00e3o. Uma luta que, em verdade, continua e deveria ser de todos n\u00f3s.<\/em><\/p>\n<p><em>Pois como bem escreveu Ruy Castro em sua coluna de hoje na Folha de S.Paulo<\/em>:<\/p>\n<p><em>&#8220;Que bom que ele fosse assim (caninamente nacionalista e cioso das nossas ra\u00edzes). No Brasil, cuidamos muito bem da cultura alheia, em particular da americana, e pouco da nossa.&#8221; <strong>(RCM)<\/strong><\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><em><strong>\u00a0* Texto e foto da Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Morreu na ter\u00e7a, dia\u00a03, o jornalista, cr\u00edtico musical e pesquisador Jos\u00e9 Ramos Tinhor\u00e3o, de 93 anos. 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