{"id":25563,"date":"2021-08-12T06:00:45","date_gmt":"2021-08-12T06:00:45","guid":{"rendered":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=25563"},"modified":"2021-08-12T04:47:56","modified_gmt":"2021-08-12T04:47:56","slug":"25563-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/25563-2\/","title":{"rendered":"O sequestro, o rep\u00f3rter e a Nova Era&#8230;"},"content":{"rendered":"<p><em>Foto: Arquivo Pessoal<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Voc\u00eas lembram o sequestro do apresentador S\u00edlvio Santos?<\/p>\n<p>Foi em agosto de 2001.<\/p>\n<p>E l\u00e1 se v\u00e3o 20 anos&#8230;<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Lembro bem dessa tarde &#8211; e lhes explico o porqu\u00ea:<\/p>\n<p>Foi meu primeiro enfrentamento com a chamada Nova Era da not\u00edcia em tempo real.<\/p>\n<p>O ch\u00e3o tremia na Velha Reda\u00e7\u00e3o. Um tanto por causa desgastado assoalho de t\u00e1buas corridas (j\u00e1 entrados em entrado em d\u00e9cadas de vida), outro tanto pela correria insana do &#8216;fechamento&#8217; de mais uma edi\u00e7\u00e3o da nossa combativa <em>Gazetinha.<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>N\u00e3o me perguntem, pois n\u00e3o sei responder, como eu dava conta de ler as mat\u00e9rias que os rep\u00f3rteres traziam, ajust\u00e1-las ao espa\u00e7o reservado das p\u00e1ginas, classific\u00e1-las por assunto e editorias, cobrar pelas fotos que sempre atrasavam, rascunhar o desenho da p\u00e1gina, entregar todo esse conte\u00fado para a finaliza\u00e7\u00e3o da diagrama\u00e7\u00e3o, dar uns pitacos de como queria o destaque dessa ou aquela reportagem &#8211; e, de quebra, em meio a tantas e tamanhas, redigir minha coluna semanal e xod\u00f3, o Caro Leitor.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Nesse dia, pela primeira vez, em mais de 20 anos de jornalismo, eu enfrentei uma situa\u00e7\u00e3o in\u00e9dita &#8211; e ins\u00f3lita.<\/p>\n<p>Escrever sobre uma not\u00edcia que acontecia no exato instante em que eu a redigia.<\/p>\n<p>Foi na base da intui\u00e7\u00e3o mesmo.<\/p>\n<p>Diante de todas as tarefas e do computador, procurei alternar, ainda at\u00f4nito, o batucar do texto da minha coluna com as informa\u00e7\u00f5es dos jornais online e acompanhava, via r\u00e1dio e TV, o desenrolar do pesadelo do Silvio Santos \u2014 ref\u00e9m do sequestrador Fernando Dutra Pinto em sua pr\u00f3pria casa no bairro do Morumbi.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Eu que vivia um dilema, amigos.<\/p>\n<p>H\u00e1 coisa de semanas, eu assistira, algo incr\u00e9dulo, uma palestra sobre o futuro do jornalismo impresso diante dos avan\u00e7os das plataformas digitais que j\u00e1 atuavam em tempo real. Um dos renomados palestrantes (t\u00e3o renomado, que sequer lhe lembro o nome) enfatizou que o jornal impresso j\u00e1 representava, na verdade, &#8220;o dia de ontem consolidado&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;No mundo novo, vale o hoje o agora&#8221; &#8211; provocou o tal.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>De ascend\u00eancia calabresa, sou teimoso por tradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na hora, tomei a previs\u00e3o como algo pessoal.<\/p>\n<p>S\u00e3o contra o jornal impresso, desabafei comigo mesmo.<\/p>\n<p>N\u00e3o imaginei que t\u00e3o cedo vivenciaria tamanho desafio: escrever sobre o fato que ainda n\u00e3o se consumou, mas que o meu car\u00edssimo leitor, no dia seguinte, nem precisaria me ler, pois j\u00e1 sabia do desenrolar da hist\u00f3ria e suas consequ\u00eancias.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Foi um sufoco.<\/p>\n<p>Era um outro Brasil, eu sei.<\/p>\n<p>O mundo era outro, ok.<\/p>\n<p>Hoje, n\u00e3o paira a menor d\u00favida sobre quem manda prender ou manda soltar em termos comunicacionais.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Companheiros, me espanto s\u00f3 de recordar do passo e do caminho.<\/p>\n<p>Da ruidosa m\u00e1quina de escrever ao celular (que vez ou outra substitui meu inst\u00e1vel notebook), da coluna semanal ao blog di\u00e1rio, foi no balan\u00e7ar da carro\u00e7a, creio, que os mel\u00f5es e as solu\u00e7\u00f5es se ajeitaram &#8211; e c\u00e1 estou.<\/p>\n<p>Melhor seria dizer, c\u00e1 estamos. Visto que, cada um \u00e0 sua maneira fez seus enfrentamentos.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Bem, deixemos minhas divaga\u00e7\u00f5es de lado que, de resto, o amigo e\/ou amiga, certamente, est\u00e1 melhor informado do que eu sobre essas modernidades &#8211; redes sociais, Instagram, Face book, Tik Tok e cousa e lousa e maripo(u)sa.<\/p>\n<p>Voltemos \u00e0quele dia.<\/p>\n<p>Como terminei a coluna?<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>S\u00e3o Paulo viveu um Dia de C\u00e3o. A cidade vivia assolada por uma onda de sequestros que a todos assustava.<\/p>\n<p>No mesmo momento que SS enfrentava seu infort\u00fanio, outras tr\u00eas ocorr\u00eancias do g\u00eanero aconteciam. Uma delas, inclusive, no mesmo bairro onde S\u00edlvio morava (mora?), o Morumbi.<\/p>\n<p>Foi a deixa.<\/p>\n<p>Diante desse contexto, levei o texto at\u00e9 onde pude, fiz um arrazoado da onda de viol\u00eancia em Sampa &#8211; e a conclus\u00e3o veio com o vatic\u00ednio que o jornalista Mino Carta fez ainda nos anos 70, no Jornal da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p>A partir de um fato corriqueiro \u00e0quela \u00e9poca (as longas filas que se formavam diante dos postos quando a gasolina subia de pre\u00e7o), Mino fez uma avalia\u00e7\u00e3o do quadro de desmandos pol\u00edticos e sociais do Pa\u00eds, que ainda vivia sob o tac\u00e3o da ditadura, e preconizou: caminhamos para a barb\u00e1rie, para os confrontos urbanos de todos os naipes e tipos, mas sem nenhuma ideologia, sem nenhuma raz\u00e3o; apenas por uma quest\u00e3o de sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>N\u00e3o foram exatamente essas as palavras do jornalista.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, o alerta ficou e soa ainda hoje, acreditem, como a mais terr\u00edvel das verdades.<\/p>\n<p>E l\u00e1 se v\u00e3o 20 anos&#8230;<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"YouTube video player\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/XqJuEPhEVqU\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><em>Foto: Arquivo Pessoal<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Voc\u00eas lembram o sequestro do apresentador S\u00edlvio Santos?<\/p>\n<p>Foi em agosto de 2001.<\/p>\n<p>E l\u00e1 se v\u00e3o 20 anos&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[74,2080,44,2081,2082,2079,2078],"class_list":["post-25563","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog","tag-imprensa","tag-jornal-impresso","tag-jornalismo","tag-modernidade","tag-plataformas-digitais","tag-sequestro","tag-silvio-santos"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25563","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25563"}],"version-history":[{"count":5,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25563\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":25568,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25563\/revisions\/25568"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25563"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25563"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25563"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}