{"id":25621,"date":"2021-08-20T04:30:59","date_gmt":"2021-08-20T04:30:59","guid":{"rendered":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=25621"},"modified":"2021-08-20T04:57:16","modified_gmt":"2021-08-20T04:57:16","slug":"o-que-o-tempo-leva-o-titulo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/o-que-o-tempo-leva-o-titulo\/","title":{"rendered":"O que o TEMPO leva&#8230; (O t\u00edtulo)"},"content":{"rendered":"<p><em>Foto: Arquivo Pessoal<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Tonico Marques, o Marc\u00e3o, nosso chefe e guru na velha reda\u00e7\u00e3o de piso assoalhado e grandes janel\u00f5es para a rua Bom Pastor, dava o toque e o retoque:<\/p>\n<p>&#8220;O t\u00edtulo da reportagem deve aparecer, claro e objetivamente, nas tr\u00eas primeiras linhas do texto. Ok?&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Em \u00faltimo caso, aceito que apare\u00e7a no lead (o primeiro par\u00e1grafo da mat\u00e9ria). Ok?&#8221;<\/p>\n<p>Diante do embasbacado sil\u00eancio dos aprendizes de rep\u00f3rteres (eu, inclusive e principalmente), sacramentava:<\/p>\n<p>&#8220;Se n\u00e3o for assim, tem algo de errado como\u00a0 o t\u00edtulo ou com o texto ou com os dois &#8211; e, principalmente, com o desorientado autor da reportagem.&#8221;<\/p>\n<p>Ralei que ralei zilh\u00f5es de vezes para atender \u00e0 li\u00e7\u00e3o b\u00e1sica do Marc\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o eram l\u00e1 um primor os t\u00edtulos que fazia, mas dei minimamente conta do recado.<\/p>\n<p>Devagar &#8211; e sempre.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Sinceramente, n\u00e3o sei se ainda hoje a regra do saudoso Marc\u00e3o est\u00e1 valendo para o novo_velho_ jornalismo que se pratica nas mais diversas plataformas.<\/p>\n<p>Tem dia que o texto \u00e9 o t\u00edtulo de t\u00e3o curto que \u00e9.<\/p>\n<p>Tem dia que \u00e9 preciso usar lupa para achar a informa\u00e7\u00e3o que deu origem ao t\u00edtulo em meio a tantas letrinhas desconexas.<\/p>\n<p>E, muitas vezes, o t\u00edtulo \u00e9 s\u00f3 uma pegadinha, nada a ver com a ess\u00eancia e o texto da reportagem.<\/p>\n<p>Tudo em nome de cliques a mais.<\/p>\n<p>Olaia&#8230;<\/p>\n<p>Salve a modernidade.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Confesso que ainda hoje hesito na escolha do melhor t\u00edtulo para as bobagens que escrevo.<\/p>\n<p>\u00c0s vezes, acerto.<\/p>\n<p>Outras, nem tanto.<\/p>\n<p>Quando a coisa aperta, e n\u00e3o sei pra onde vou, apelo para o b\u00e1sico, o n\u00facleo.<\/p>\n<p>&#8220;Entre um adjetivo e um substantivo, prefira sempre o segundo&#8221; &#8211; outra oportuna li\u00e7\u00e3o do Marcolino.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Se para reportagens, entrevistas, cr\u00f4nicas, posts e afins, eu j\u00e1 me embaralho, imaginem, os car\u00edssimos leitores, o que sofro para dar nome a um livro.<\/p>\n<p>\u00c9 um perereco!<\/p>\n<p>Vou e volto e volto e vou de novo&#8230;<\/p>\n<p>D\u00favida, d\u00favida, d\u00favida.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-25599 alignleft\" src=\"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/anunciolivro-300x300.jpg\" alt=\"\" width=\"352\" height=\"352\" srcset=\"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/anunciolivro-300x300.jpg 300w, http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/anunciolivro-150x150.jpg 150w, http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/anunciolivro-768x768.jpg 768w, http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/anunciolivro-1024x1024.jpg 1024w, http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/anunciolivro-715x715.jpg 715w, http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/anunciolivro-483x483.jpg 483w, http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/anunciolivro-360x360.jpg 360w, http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/anunciolivro-600x600.jpg 600w, http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/anunciolivro-263x263.jpg 263w, http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/anunciolivro.jpg 1080w\" sizes=\"auto, (max-width: 352px) 100vw, 352px\" \/>L\u00e1 nos pratrazmentes, quando tive a ideia do romance, e comecei a escrev\u00ea-lo, nominei o arquivo como &#8216;O Ator&#8217; na mem\u00f3ria do velho notebook.<\/p>\n<p>N\u00e3o sabia que t\u00edtulo teria a minha suposta divaga\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria, mas sabia que o ator (no caso, o personagem Carlos Art\u00falio) seria o personagem central, o n\u00facleo da narrativa.<\/p>\n<p>Talvez &#8211; n\u00e3o tenho certeza &#8211; minha primeira op\u00e7\u00e3o de t\u00edtulo foi essa. O Ator.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei&#8230;<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Anos e anos depois, quando encontrei a pasta com o rascunho da improv\u00e1vel obra, o outro personagem (Felisberto, o dubl\u00ea de motorista e fil\u00f3sofo) j\u00e1 havia se assenhoreado de parte do entrecho sem que eu me desse conta.<\/p>\n<p>Grafei na primeira p\u00e1gina dos escritos, por algum motivo que me escapa:<\/p>\n<p>O Ator &amp; o Fil\u00f3sofo<\/p>\n<p>Muito provavelmente, e sem que eu conscientemente tenha batido o martelo, andasse por a\u00ed a minha segunda op\u00e7\u00e3o de t\u00edtulo.<\/p>\n<p>N\u00e3o fugiria muito desse escopo, creio.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Volto \u00e0 velha reda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Lembro outro saudoso amigo, o Ismael Fernandes, escritor e colunista de TV, dos melhores que conhe\u00e7o.<\/p>\n<p>O sonho do IF era participar de um programa da TV Globo que se chamava &#8220;8 ou 800&#8221;.<\/p>\n<p>Era o que hoje chamam de Quiz.<\/p>\n<p>O apresentador era o ator Paulo Gracindo; a partner, a lind\u00edssima S\u00edlvia Bandeira &#8211; e quem se candidatasse deveria responder tudo sobre determinado tema.<\/p>\n<p>Toda semana, o incauto era bombardeado por uma penca de perguntas &#8211; e, se acertasse, chegava mais perto do pr\u00eamio milion\u00e1rio.<\/p>\n<p>O estilista Clodovil arrebentou a boca do bal\u00e3o, faturou uma grana, ao responder sobre a vida de Dona Beja, intrigante personagem da Hist\u00f3ria do Brasil.<\/p>\n<p>Ismael se inscreveu &#8211; mas, n\u00e3o foi chamado &#8211; para discorrer sobre o filme <em>E o Vento Levou&#8230;<\/em><\/p>\n<p>Um cl\u00e1ssico do cinema \u00e9pico americano, tem quatro horas de dura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ele era apaixonado na Vivian Leigh, a protagonista.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Na reda\u00e7\u00e3o, na padoca, na carona que nos dava (pois, era o \u00fanico que tinha carro), fosse onde fosse, o Ismael nos contava tintim por tintim sobre a ficha t\u00e9cnica, os bastidores das filmagens, a hist\u00f3ria do roteiro, quem era quem na trama e na vida real, os figurinos, as loca\u00e7\u00f5es etc etc etc.<\/p>\n<p>Ele sabia tudo.<\/p>\n<p>Vez ou outra, um de n\u00f3s, a t\u00edtulo de provoca\u00e7\u00e3o, fazia a \u00fanica pergunta que o embara\u00e7ava:<\/p>\n<p>&#8220;Mas, e a\u00ed, Isma, o que exatamente o vento levou?&#8221;<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Ele n\u00e3o perdia a pose. Sequer\u00a0percebia o tom da nossa brincadeira.<\/p>\n<p>Entabulava mil e um argumentos.<\/p>\n<p>Tergiversava.<\/p>\n<p>Mas, objetivamente, n\u00e3o tinha como nos responder.<\/p>\n<p>Insistia para que a gente entendesse que o filme tratava da inef\u00e1vel passagem do tempo.<\/p>\n<p>H\u00e1 coisas na vida &#8211; explicava &#8211; que permanecem, mesmo que aparentemente acabem.<\/p>\n<p>&#8220;S\u00e3o eternas, entendem?&#8221;<\/p>\n<p>N\u00e3o, naquela altura das nossas vidas, ningu\u00e9m entendia.<\/p>\n<p>Como dizia o Marc\u00e3o, com alguma nostalgia, \u00e9ramos &#8220;jovens e inconsequentes&#8221;.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Ano passado, um ou dois dias antes de postar o primeiro cap\u00edtulo do folhetim, andava \u00e0s turras com o nome.<\/p>\n<p>Nada me convencia.<\/p>\n<p>Simultaneamente, ouvia e selecionava as m\u00fasicas para ilustrar os posts.<\/p>\n<p>Nesse arremedo de trilha sonora, inclu\u00ed a dolente<em> Vambora<\/em>, de Adriana Calcanhoto.<\/p>\n<p>A melodia se p\u00f4s a tocar enquanto eu rabiscava qualquer coisa em busca do sonhado t\u00edtulo:<\/p>\n<p><em>Entre por essa porta agora<\/em><br \/>\n<em>E diga que me adora<\/em><br \/>\n<em>Voc\u00ea tem meia hora<\/em><br \/>\n<em>Pra mudar a minha vida<\/em><br \/>\n<em>Vem, vambora<\/em><br \/>\n<em>Que o que voc\u00ea demora<\/em><br \/>\n<em>\u00c9 o que o tempo leva<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>N\u00e3o esperei a m\u00fasica terminar.<\/p>\n<p>Tive a convic\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>Achei o t\u00edtulo.<\/p>\n<p>Ta\u00ed. No lead&#8230; ops, no primeiro verso da can\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p><em>O que o tempo leva&#8230;<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"YouTube video player\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Hsmp8yR-AK8\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><em>Foto: Arquivo Pessoal<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Tonico Marques, o Marc\u00e3o, nosso chefe e guru na velha reda\u00e7\u00e3o de piso assoalhado e grandes janel\u00f5es para a rua Bom Pastor,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":22903,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[1207,458,1209,2091,2089,2090,956,1212],"class_list":["post-25621","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-folhetim","tag-livro","tag-o-que-o-tempo-leva","tag-o-retorno","tag-pre-lanamento","tag-pre-venda","tag-sao-jose-do-barreiro","tag-serra-da-bocaina"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25621","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25621"}],"version-history":[{"count":4,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25621\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":25625,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25621\/revisions\/25625"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/22903"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25621"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25621"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25621"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}