{"id":28822,"date":"2023-03-30T06:15:00","date_gmt":"2023-03-30T06:15:00","guid":{"rendered":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=28822"},"modified":"2023-03-29T14:37:57","modified_gmt":"2023-03-29T14:37:57","slug":"divagacoes-parte-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/divagacoes-parte-2\/","title":{"rendered":"Divaga\u00e7\u00f5es &#8211; Parte 2"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Agrade\u00e7o penhoradamente aos amigos e leitores que repercutiram nosso post de ontem. <\/p>\n\n\n\n<p>Aproveito o ensejo para recuperar uma foto antiga, da minha amiga J\u00f4 Rabelo, durante o Semin\u00e1rio sobre Grandes Reportagens do Fant\u00e1stico, com as ilustres presen\u00e7as dos not\u00e1veis rep\u00f3rteres Ricardo Kotscho, Jos\u00e9 Hamilton Ribeiro, Luiz Carlos Azenha e o saudoso Geneton Moraes Neto. Tive a honra de mediar as conversas que versaram sobre a reportagem como a ess\u00eancia do jornalismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Isto posto, sigamos com o segundo post&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230; <strong>da s\u00e9rie &#8216;Divaga\u00e7\u00f5es sobre o atual &#8216;fazer jornal\u00edstico&#8217;.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>A priori, e a t\u00edtulo de salvo-conduto, fa\u00e7o quest\u00e3o de citar o escritor mineiro Pedro Nava (1903\/1984).<\/p>\n\n\n\n<p>Disse o escritor, n\u00e3o exatamente com essas palavras, mas disse:<\/p>\n\n\n\n<p><em>A experi\u00eancia est\u00e1 para a vida assim como um autom\u00f3vel a rodar por uma estrada escura com os far\u00f3is a iluminar o caminho j\u00e1 percorrido. <\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Bela imagem.<\/p>\n\n\n\n<p>O passado \u00e0s claras, a sedimentar nossa hist\u00f3ria. <\/p>\n\n\n\n<p>O presente fugidio a nos escapar pelos v\u00e3os dos dedos, como contornos de cidades perdidas que sabemos existir, mesmo sem v\u00ea-las, ali na linha do horizonte. <\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 o avan\u00e7ar do carro que corajosamente projeta o futuro ainda embrenhado em sombras e incertezas<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Vale a deixa para come\u00e7ar dizendo que &#8216;sombras e incertezas&#8217; tamb\u00e9m permeiam o jornalismo em tempos atuais.<\/p>\n\n\n\n<p>Vou lhes dar uma g\u00eanese do que penso que sorrateiramente aconteceu.<\/p>\n\n\n\n<p>Posso estar errado, mas desconfio que n\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Retornemos \u00e0 virada do s\u00e9culo.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando se principiou a mesclar &#8211; por obra e gra\u00e7a dos donos dos neg\u00f3cios da Comunica\u00e7\u00e3o &#8211; jornalismo e entretenimento n\u00e3o foram poucos os profissionais de imprensa e mesmo senhores acad\u00eamicos que manifestaram sincera preocupa\u00e7\u00e3o com o risco que envolvia a causa maior da Imprensa que \u00e9 o bem comum. A partir de preceitos como<\/p>\n\n\n\n<p>O respeito \u00e0 verdade factual.<\/p>\n\n\n\n<p>A postura cr\u00edtica e independente.<\/p>\n\n\n\n<p>O poder de fiscaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos alfarr\u00e1bios de priscas eras, havia at\u00e9 uma m\u00e1xima:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Doa a quem doer que a verdade dos fatos prevale\u00e7am&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Havia, nesse per\u00edodo, toda uma discuss\u00e3o sobre a obrigatoriedade do diploma universit\u00e1rio em Jornalismo para exerc\u00edcio da profiss\u00e3o que tangenciava o tema da livre express\u00e3o do pensamento. Mas, era &#8211; e sempre foi &#8211; uma manobra do patronato para dar fim \u00e0 regulamenta\u00e7\u00e3o profissional e outros tantos direitos trabalhistas da categoria.<\/p>\n\n\n\n<p>Muitos jornalistas encamparam, de bom grado, o pensamento dos patr\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>De minha parte, diria que ouvi, em muitas das reda\u00e7\u00f5es pelas quais passei, uma vers\u00e3o mais pr\u00e1tica da coisa toda:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O jornal \u00e9 meu. E aqui escreve quem eu quero que escreva&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>A Lei do Diploma vigorou de meados dos anos 70 ao in\u00edcio do s\u00e9culo 21. <\/p>\n\n\n\n<p>Havia a fiscaliza\u00e7\u00e3o do sindicato da categoria e, vez ou outra, a Justi\u00e7a do Trabalho vinha \u00e0 empresa tirar a limpo uma den\u00fancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Era um corre da turminha sem diploma (quase todos, amigos do dono ou dos amigos do dono) pra se esconder nos cant\u00f5es da empresa. <\/p>\n\n\n\n<p>Enfim&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>A Legisla\u00e7\u00e3o implodiu total nos anos seguintes ap\u00f3s parecer desfavor\u00e1vel \u00e0 causa do Supremo Tribunal Federal, conduzido pelo juiz Gilmar Mendes.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Repasso essas mem\u00f3rias a titulo de ilustra\u00e7\u00e3o e registro de mem\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Entendo que hoje tal necessidade &#8211; com o boom da internet &#8211; n\u00e3o faria qualquer sentido a proibi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Esfarelou-se nas mil e umas possibilidades que o mundo digital nos oferece.<\/p>\n\n\n\n<p>O meio n\u00e3o \u00e9 mais a mensagem, como aprendemos com o papa da Comunica\u00e7\u00e3o, o fil\u00f3sofo e educador Marshall McLuhan,<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, todos somos &#8216;produtores de conte\u00fado&#8217;.<\/p>\n\n\n\n<p>Algo como:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Eu sou a mensagem&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Assim lhes digo que hoje o peso \u00e9 zero. <\/p>\n\n\n\n<p>Digo tamb\u00e9m que l\u00e1 naqueles idos o rapa ajudou &#8211; e muito &#8211; a <em>fulanizar<\/em> a pr\u00e1tica do jornalismo em si.<\/p>\n\n\n\n<p>Explico com claro exemplo que hoje se v\u00ea nos portais:<\/p>\n\n\n\n<p>Quando voc\u00ea prioriza o colunismo em detrimento \u00e0 reportagem d\u00e1 ensejo a algo muito pr\u00f3ximo \u00e0 Torre de Babel onde muitos falam o que  pensam e imaginam como verdade soberana &#8211; e raros se prop\u00f5em a ouvir e, sobretudo, refletir sobre o outro lado da moeda.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o deu certo naqueles idos e b\u00edblicos tempos.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o estamos muito longe do caos comunicacional e humanit\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Amanh\u00e3 continua&#8230;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Um sambinha de Noel, na voz do inesquec\u00edvel Jo\u00e3o Nogueira, para descontrair.<\/p>\n\n\n\n<p>Tem muito a ver&#8230;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-rich is-provider-incorporar-manipulador wp-block-embed-incorporar-manipulador wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"N\u00e3o Tem Tradu\u00e7\u00e3o\" width=\"800\" height=\"600\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/2XFsHHI824M?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; 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