{"id":36347,"date":"2026-02-12T16:00:00","date_gmt":"2026-02-12T16:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=36347"},"modified":"2026-02-12T22:20:15","modified_gmt":"2026-02-12T22:20:15","slug":"a-festanca-a-cronica-e-o-leitor-indignado","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/a-festanca-a-cronica-e-o-leitor-indignado\/","title":{"rendered":"A festan\u00e7a, a cr\u00f4nica e o leitor indignado"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Foto: Instagram de Zeca Camargo<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Leio com interesse a coluna de Zeca Camargo na <em>Folha de S.Paulo<\/em>,<\/p>\n\n\n\n<p><strong><a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/colunas\/zecacamargo\/2026\/02\/e-carnaval-e-ninguem-sabe-onde-estou.shtml\">&#8220;\u00c9 carnaval e ningu\u00e9m sabe onde estou&#8221;.<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ele faz um suave relato sobre suas andan\u00e7as pelo mundo, com destaque para as vezes em que o jornalista_viajante perdeu-se neste mund\u00e3o de Meu Deus em plena a folia \u2013 e se deu conta que, no tal momento, curtia lugares raros e de rara beleza, sem que sequer os amigos mais chegados soubessem onde ele estava.<\/p>\n\n\n\n<p>Diz ele, num dos trechos:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A festan\u00e7a bate \u00e0 nossa porta e tem gente que quer fugir dela? Como assim? Essa me parece uma op\u00e7\u00e3o absurda, at\u00e9 eu me lembrar de momentos de tranquilidade que j\u00e1 experimentei pelo planeta.<\/p>\n\n\n\n<p>Por exemplo, no Parque Nacional das Montanhas Simien, na&nbsp;Eti\u00f3pia. Num raio de alguns quil\u00f4metros, s\u00f3 o que via era um bando de babu\u00ednos-gelada, que certamente n\u00e3o davam a menor bola para mim e seguiam co\u00e7ando as costas uns dos outros, como se o&nbsp;<em>Homo erectus<\/em>&nbsp;ainda nem estivesse no horizonte da evolu\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Assim segue a cr\u00f4nica a descrever outros estranhos pontos do Planeta em que o jornalsta esteve, com as mesmas sensa\u00e7\u00f5es de solid\u00e3o e encantamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais pra frente, Camargo conclui:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cFoi libertador\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>De volta aos dias atuais, ele acrescenta no texto: est\u00e1 prestes \u201ca abra\u00e7ar a festan\u00e7a\u201d, mas antes se permite revisitar, na mem\u00f3ria, \u201cpaisagens que me inspiraram infinita tranquilidade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o sou propriamente um foli\u00e3o, longe, bem longe disso.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo assim, lembro que, em determinada ocasi\u00e3o, ao renovar o visto americano para fazer uma viagem a Nova York justamente aproveitando a folga do Carnaval, a funcion\u00e1ria que me atendeu no Consulado n\u00e3o conteve o riso ir\u00f4nico. Tamb\u00e9m ela se disse incr\u00e9dula ao constatar a data da viagem.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cMas, o que voc\u00eas v\u00e3o fazer l\u00e1 nesses dias? \u00c9 aqui que as coisas acontecem.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Enfim\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Somos nossas escolhas.<\/p>\n\n\n\n<p>Gosto de viajar \u2013 e de escrever.<\/p>\n\n\n\n<p>Gosto de lembrar, em algumas cr\u00f4nicas, tal e qual o Zeca Camargo, momentos dessas viagens.<\/p>\n\n\n\n<p>Imagino sabore\u00e1-los, reviv\u00ea-los.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Estava \u201cviajando\u201d nesses pensamentos ao terminar a leitura.<\/p>\n\n\n\n<p>E, por descuido, antes de mudar de p\u00e1gina, dei uma espiada nos coment\u00e1rios do que Zeca escreveu \u2013 e, vapt, tenho um choque de realidade (que muito provavelmente tamb\u00e9m me caiba como uma luva):<\/p>\n\n\n\n<p>Diz o injuriado leitor, de nome Galdino:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o escreve para os leitores. Escreve para ele pr\u00f3prio.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Meu caro Sr. Galdino e aos demais que aqui me honram com a leitura, vou lhes dar um mandamento inarred\u00e1vel sobre a arte e o of\u00edcio do cronista, do poeta e, quase sempre, do escritor:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEscrever \u00e9 primordialmente acolher-se. E multiplicar-se\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>TRILHA SONORA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Al\u00f4... Al\u00f4? - Mario Reis e Carmen Miranda (Carnaval de 1934)\" width=\"800\" height=\"600\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/NS1hG3myF70?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><em>Foto: Instagram de Zeca Camargo<\/em><\/p>\n<p>\u2026<\/p>\n<p>Leio com interesse a coluna de Zeca Camargo na <em>Folha de S.Paulo<\/em>,<\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/colunas\/zecacamargo\/2026\/02\/e-carnaval-e-ninguem-sabe-onde-estou.shtml\">&#8220;\u00c9 carnaval e ningu\u00e9m sabe onde estou&#8221;.<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":36351,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[1050,683,172,1228,1471,3189,5322],"class_list":["post-36347","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-carnaval","tag-escrever","tag-folha-de-s-paulo","tag-leitor","tag-turismo","tag-viagens","tag-zeca-camargo"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36347","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=36347"}],"version-history":[{"count":6,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36347\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":36356,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36347\/revisions\/36356"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/36351"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=36347"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=36347"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=36347"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}