Foto: José Manuel Idalgo/Agência Corinthians
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Nota de pesar.
Perdemos, nesta terça (dia 18), um dos grandes nomes do esporte brasileiro.
Wlamir Marques tinha 87 anos.
E está entre as grandes legendas do basquete nacional.
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Tem em suas conquistas feitos importantes pela seleção brasileira como bicampeonato mundial, dois vice-campeonatos mundiais, duas medalhas olímpicas (uma de bronze nos Jogos de Roma de 1960 e outra de bronze nos Jogos de Tóquio de 1964), além de títulos em campeonatos Sul-Americanos e Pan-Americanos.
Wlamir teve sua trajetória de atleta reconhecida no Hall da Fama do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e do Hall da Fama da Federação Internacional de Basquetebol (Fiba).
Foi considerado o melhor atleta da América do Sul em 1961 e também recebeu a Medalha do Mérito Esportivo.
Fez grande parte de sua vitoriosa carreira como jogador (e posteriormente técnico) do Sport Clube Corinthians Paulista.
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Permitam-me vasculhar minhas lembranças (até como forma de homenagem a Wlamir).
No meu tempo de garoto, os esportes mais populares eram o futebol, o boxe e o basquete (naquela época se dizia: bola ao cesto).
Verdade.
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Virada da década de 50 para a de 60.
Havia também as corridas de cavalo (que o pai adorava) e as Mil Milhas de Interlagos, a grande competição do automobilismo (corrida de carros) nacional.
Lembrei-me agora das conquistas internacionais de Maria Ester Bueno no tenis e os feitos olimpicos de Adhemar Ferreira da Silva no salto triplo.
Ah, outro evento esportivo de gala era a realização da prova pedestre de São Silvestre na noite de 31 de dezembro.
Era um acontecimento!
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Isto posto, volto ao tema.
(Acho que não esqueci ninguém.)
Como disse acima, os esportes que dominavam nosso imaginário popular eram os já supracitados futebol, boxe e basquete.
No futebol, ninguém ousaria discutir. Pelé era o Rei, primeiro e único. Um ou outro falava em Garrincha e Didi. Os mais antigos lembravam Leônidas, Zizinho… Mas, na verdade, falavam por falar que assim são as coisas no futebol. Todos reconheciam: Pelé era o Rei, primeiro e único.
Para nós, brasileiros, o boxe era sinônimo do peso-galo, campeoníssimo, Éder Jofre. Ninguém por aqui – e no mundo – lhe fazia sombra.
É isso.
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Já no bola ao cesto, tínhamos lá nossas dúvidas. Existiam craquaços como Amauri Passos (Sírio), Rosa Branca (Palmeiras) e o meu preferido Edson Bispo dos Santos (Vasco, Palmeiras, Corinthians e Hebraica). Não chegávamos a qualquer conclusão. Ora um ora outro era reconhecido como o Pelé do basquete nacional. Gostávamos de fazer essa analogia nas discussões esportivas das horinhas distraídas.
Sempre fui futebol na veia e na alma. Nunca fui um aficcionado do esporte da bola laranja. Mesmo assim, dava meus pitacos. Mas, tinha dúvida entre Rosa Branca e Edson Bispo (meu argumento básico: “até o nome igual ao do Pelé ele tem”).
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Não sei se me levavam a sério. Como ainda hoje tenho minhas dúvidas se levam a sério minhas lorotas.
O que sei e lhes digo agora: as discussões todas serenaram quando apareceu no XV de Piracicaba, o jovem Wlamir Marques. Um azougue nas quadras. Logo se transferiu para o Corinthians e fez história singular e vitoriosa no basquete brasileiro.
Ganhou o apelido de “o Diabo Loiro”.
E o esporte – incrível! – chegou a rivalizar em popularidade com o futebol.
Era Deus no céu, Pelé no campo – e Wlamir nas quadras.
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O que você acha?