Foto: Jô Rabelo/Arquivo
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“No movimento
lento
das barcaças
amarradas,
o dia
sonolento
vai inventando as variações das nuvens…”
Mario Quintana
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Uma pensata.
Batemos as 5 mil postagens – e, por conta e risco, tirei três dias para rever, ainda que superficialmente, a trajetória deste nosso Blog.
Deixo claro: a rigor, tal feito em termos público não significa rigorosamente nada. Pessoalmente, porém, lhes digo que pensar este cotidiano blogar me é muito valioso.
É ponte e destino.
São quase 19 anos diante do desafio da tela em branco e o infidável tuquetuque das teclas do computador.
Quantas e quantas mudanças neste tanto de tempo se fizeram indeléveis e irrevogáveis.
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Imagine meados de 2006, caríssimo leitor e amabilíssima leitora?
Quem eram vocês? Quem era eu? A quantas andsávamos? A quantas andava o país, a quantas girava o mundo?
Não, não estou a propor nenhum mergulho a transcendental.
Proponho, sim, apenas uma reflexão sincera sobre o passo e o caminho.
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Diria que, num primeiro momento, o Blog era mais existencial e denso. Com textos bem mais longos, detalhados, algo livresco mesmo.
Falava mais de política e, quase sempre, ancorava-se no noticiário do dia.
Pode parecer loucura o que vou dizer, mas vou dizer mesmo assim: havia um sentimento de maior coesão em torno da causa do bem comum, do bem comum – explique-se – a todos os brasileiros.
Acreditávamos que era possível.
Estávamos assim mais engajado.
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Não estou a dizer que era melhor. Digo apenas que era diferente.
É a sensação que tenho.
Não sei se meus cinco ou seis amáveis e fiéis leitores concordam. Ou não?
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Conto essa minha experiência ao Escova.
Já que ele se diz ‘ombudsman’ dos meus escritos, nada mais natural do que procurá-lo. Além do que é o amigo, colega jornalista, que me resta de idos, tidos e havidos tempos.
Ele é bem objetivo na fria análise:
“Dir-se-ia que você era um cronista de jornal impresso (lembra?) e professor, que se dispôs a ser blogueiro, meteu-se a romancista, arvorou-se a escritor (são 10 livros, não?) e acabou um conversador… E não tá bom assim, rapaz?”
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(Há tempos ninguém me trata por ‘rapaz’.
Gostei.)
Enfim…
É o que ‘o conversador’ tem pra hoje.
E não está bom assim, leitores?
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TRILHA SONORA…
inspirada em uma das tantas filosofias do Valtinho Cazuza, o falador das quebradas do Cambuci quando eu era garoto:
“Dê um sorriso que a vida há de melhorar”.
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O que você acha?