Foto: Projeto TAMAR/Arquivo
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“Se uma tartaruga morder o dedão do pé de Jair Bolsonaro no quintal de sua luxuosa prisão domiciliar, será considerada comunista. Como deve haver tartarugas de toda as cores políticas, não posso falar por ela, mas, no meu caso, lamento decepcioná-los. Não sou nem nunca fui comunista. Sou Flamengo, o que me satisfaz com sobras em matéria de fé ideológica, partidária e religiosa.”
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Caros e raros,
Não sei se os amigos leram a divertida – e oportuna – coluna de Ruy Castro, ontem na Folha/Uol. Chama-se “Eu e o comunismo”.
Leram?
Foi dela que recortei e aqui colei o trecho acima.
Óbvio que – palmeirense que sou – não comungo totalmente com a razão da “fé ideológica, partidária e religiosa” do notável jornalista, escritor e biógrafo. Fora as, digamos, tensões futebolísticas, assino e dou fé no que diz o Ruy Castro.
Há um tresloucado hábito na turma dos bolsonaristas em chamar de “comunista” a quem quer que seja que não lhes faça as vontades e os delírios.
Recorro e cito o bom amigo Escova que, desde sempre, me alertou. Mais do que um delírio, essa é uma estratégia do nazifascismo para rotular supostos adversários, a quem eles definem como “inimigos a serem ampla e fortemente combatidos e exterminados”.
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Reverenciei o Ruy Castro, falei do Escova, jornalistas das antigas, e…
Lembrei o tempo da redemocratização do país – fim dos anos 70, a década de 80 e mesmo no final do século 20 – não se ouvia falar de direita e esquerda. Soava antigo postar-se aqui ou ali. Pensávamos em resgatar a cidadania, a participação popular, a valorização dos aspectos humanísticos de uma sociedade que se pretendia contemporânea e socialmente justa.
Abominávamos radicalismos.
Na Velha Redação, o pior dos xingamentos era alguém nos definir como “superficiais” e “sem noção”. “Burguesinho alienado” e “xiita de boteco” eram usados para casos mais extremos.
Pior que isso?
Só quando o Marques e o Zé Jofre, os veteranos da turma, nos tiravam da conversa com o sólido argumento:
“Conhecer para resolver. Estudar para debater. Vai ler o livro Tal, capítulo Tal, para se informar melhor sobre o tema – e depois conversamos!”.
Lembra isso, Escova?
Bem diferente do “Dá um Google” que hoje, quando muito, tanto escutamos e nos satisfaz.
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TRILHA SONORA
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O que você acha?